OPINIÃO
24/04/2015 18:34 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:01 -02

Mães: internet não é doutor

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É isso aí, gente. Internet não é doutor - repito. Mesmo que exista o Google e a gente consulte ele pra tudo. Nesse âmbito aqui da medicina, infelizmente, precisamos aprender a nos controlar e não seguir conselhos pra depois não entrar em pânico. Consultar o Google para doenças é o mesmo que ler bula de remédio. A gente apavora porque lê uma infinidade de possibilidades pra doença e não sabe o que fazer com aquilo. Na verdade, nem entendemos tudo que está alí. E o mesmo vale para os grupos de mães do Facebook, onde muitas delas, perguntam sobre quais remédios dar e a posologia correta. Gente: não pode! Isso é seríssimo.

Sob o argumento de "meu pediatra está viajando" ou "não consigo falar com ele", uma infinidade de mães usam os grupos nas redes sociais para fazer consultas. Meninas, sei que vocês não gostam, mas está errado. Não pode! Pensem que vocês estão fazendo consultas com mães que têm dúvidas como vocês e mais, sobre seus filhos. E se algo acontece e dá besteira? Infelizmente, nessa possibilidade a gente nunca pensa. O pediatra e presidente do Instituto da Família, Leonardo Posternak, reforça o perigo das consultas online. "Não se pode recorrer a outras mães ou a internet, porque cada criança é única e adoece a sua maneira. O que funciona para um pode não funcionar para outro", aconselha o pediatra.

Renata Costa, administradora do grupo 4Moms, no Facebook, vive deletando posts e explicando que não pode fazer consulta online. "Estamos tão acostumadas a usar as redes sociais que as mães não percebem a gravidade de algumas informações e no impulso optam por colocar suas dúvidas em grupos de mães, fóruns sobre maternidade e outros", fala Renata.

Os grupos têm uma função muito clara que é a troca de experiências e vivências. E isso é riquíssimo! A própria revista Crescer já faz uso da ferramenta há anos em suas edições. A seção "Funcionou comigo" nada mais é que um fórum de trocas de experiências. Ali a mãe expõe sua dificuldade e outras mães dizem como fizeram e dão dicas. A troca de experiência é a grande sacada. Porque ninguém melhor que outra mãe para te dar conselhos. Claro. Isso acalma e nos faz sentir seres normais. Quando mães identificam as dificuldades e as alegrias também, fica mais fácil tocar pra frente. Renata Costa concorda e reforça dizendo que "é importante para as mães ouvirem relatos parecidos com o seu, ouvir de fato alguém que passou ou passa pelo mesmo problema, trocar dicas". Mas é preciso cautela! "Quem pergunta e quem responde precisa ter noção do que pode e deve ser escrito". E este não pode ser espaço para consultas médicas. "Consultar um médico é sempre a melhor opção é deveria ser a única!", enfatiza Renata.

Posternak levanta alguns pontos em relação as mães que alegam não encontrar o médico. Ele diz que primeiro é preciso entender o porquê dessa ausência. "Está com um caso grave no hospital? Está solucionando algum problema pessoal? Ou simplesmente é comum que não responda". Cada situação é passível de diferentes soluções. O importante, levanta Posternak, é saber se o médico tem equipe que responde na sua ausência porque daí existe solução para o problema. "Se o caso do seu filho parece importante, o ideal é recorrer a algum Pronto Atendimento ou consultar temporariamente com outro profissional".

O mesmo vale pro nosso amigo Google. Com ele não trocamos experiências, mas buscamos informações e muitas vezes, respostas para doenças ou mal estares. Internet não substitui nunca o papel de um médico. Na rede, tudo é extremamente genérico e amplo. Repito: é como ler bula de remédio. Dá pânico e não nos ajuda em nada. Por experiência própria, já caí no conto do vigário e quando estava grávida do meu 2o. filho e ele apresentou, pela 2a vez, uma alteração do exame de transluciência nucal e eu fui consultar o Google (além de meu médico). Queria saber o que significava aquela provável alteração de cromossomo e achei doenças genéticas raríssimas!!! Passei meses pensando naquela possibilidade remota que algum cientista descobriu e que deveria ter 5 casos no mundo. Meu filho nasceu e passou por uma batelada de exames para eu ter certeza que ele não tinha nada. Ou para saber se tinha e poder lidar com a doença. Deu tudo negativo, apenas esse tal de cromossomo alterado. Precisei esquecer a consulta que fiz ao Google e escutar meu médico que, na época me disse, "na internet sempre vamos encontrar doenças e algo que temos". "Sempre existe alguém para ser o 1% da probabilidade basta queremos viver com ela ou não. Porque é virtual". Grande Dr Carlos Czeresnia!

Mães: internet não é doutor ;)