OPINIÃO
19/03/2014 15:27 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:12 -02

Baba Baby Baba

Elas fazem o que toda mãe deveria fazer: levam ao médico, dão bronca, educam, levam em festas, brincam, dão banho, dão carinho. E a gente se pergunta: qual é o ponto de equilíbrio? Será que elas sabem criar?

A relação "mães e babás" está ficando cada vez mais esquisita ou é impressão minha?

Outro dia vi o post de uma mãe com a foto da babá na piscina do prédio em momento folga enquanto a criança estava na escola. Relação de amigas. As duas ali, relax, num dia ensolarado. Depois, uma outra mãe, posta algo como cômico de que ela e a filha tinham dormido juntas e a preocupação era como iriam contar a babá que a criança dormiu na cama dela. Oi!? Como assim você acorda com essa preocupação? A mãe estava com "medo"! Porque a babá não deixa a filha dormir na cama da mãe e a mãe tem MEDO do olho torto da babá. E para terminar a avalanche de pitadas surreais, uma outra mãe posta a foto da babá dormindo no sofá novo dela do barco em alto mar. Ela diz no post que não sabe o que faz porque a intimidade é tamanha que a funcionária apagou. Dai ela pergunta o que ela faz! O que ela faz??? Ou o que ELAS fazem?

A relação está totalmente deturpada e o medo de criar filhos é tão gigantesco que mães têm delegado a educação e criação a ponto de deixarem as barreiras profissionais totalmente extrapoladas. Porque regras e ética existem para qualquer profissional em qualquer ambiente de trabalho. E no mundo. Não é porque a babá está cuidando do teu filho que você precisa temê-la. Mas a carga que se delega a essas funcionárias é tamanha que as mães têm medo de pedir que faça assim ou assado. Aliás, vou mais fundo: será que essas mães que têm esse grau de dependência sabem o que é bom ou não para seus filhos? Será que elas sabem criar?

Mulheres casam e tem filhos para formar famílias de porta retrato. Mas nem sempre esse é o desejo delas como mulher, como seres humanos. Outras têm o sonho, mas se deparam com uma realidade mais dura, onde o marido fica fora de casa e ela assume um papel que é desconhecido e todo desconhecido é assustador. Boa parte abre mão da vida profissional, mas não dá conta de assumir a vida mãe e filho e acaba entrando nessa roda viva de fingir que cuida, mas delega 100% a babá. Precisar de ajuda todos nós precisamos e esse não é o ponto. O que se discute é a forma.

As babás levam em consultas médicas, dormem no mesmo quarto (mas proíbem as mães de dormirem com seus filhos - observem como é louca essa relação!), levam em festas, brincam, dão banho, dão comida, escovam os dentes, dão carinho, passam finais de semana junto, brincam na areai da praia, acompanham nas viagens de férias, dão bronca, educam... Elas fazem tudo que mães deveriam fazer. E a gente se pergunta qual é o ponto de equilíbrio? Será que nosso dia a dia é tão atribulado a ponto de não conseguirmos nos organizar para sair um dia mais cedo e levar a uma consulta ou acompanhar numa festa? Será tão impossível fazer um almoço prolongado e curtir os filhos quando voltam da escola? E as férias? Porque nem nas férias os pais têm tempo de sentar na areia e brincar com os próprios filhos? No fundo, cada um de nós tem total controle sobre tempo e a escolha desse tempo. O que fazer com ele é uma decisão muito séria e quando optamos por estar ausente nesse tempo ele acaba se preenchendo de outras coisas e pessoas. Dai entram as babás nas vidas das mães e dos filhos e quando a gente parar para olhar essas crianças estarão grandes e criadas. Uma geração que cresce, aparentemente, com famílias estruturadas e completas, mas sem vinculo, sem relação, sem criação.

As mães terão um vazio para preencher porque não foram mães e também não foram profissionais. Passaram anos de suas vidas fingindo ser algo e viver um papel na sociedade que preenche tempo em encontros de clube e almoços de amigas. As conversas são sempre os filhos e as babás. Delas mesmas não se fala, afinal o buraco que se constrói é tão grande e profundo que melhor não mexer. Melhor sorrir e passar as tardes no cabeleireiro. Porque o mundo pode ser belo.