OPINIÃO
09/10/2014 13:24 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

#tamojunto?

scibak via Getty Images

Tenho um amigo com uma belíssima história de superação e conquistas, o Edu Lyra, que defende a ideia de que um dos pontos cruciais para a melhoria e o progresso da nossa sociedade civil, não reside somente no investimento na educação, que é a sua principal bandeira, mas na construção, e no uso das pontes que separam os dois Brasis. O que ficou evidente nos resultados das eleições deste domingo, dia 5 de Outubro, é que esta é uma nação dividida em dois. Li uma análise pós eleições que dizia que a Presidenta Dilma havia conquistado no primeiro turno, a presidência do Norte/Nordeste e que o candidato Tucano, Aécio Neves, conquistara já no primeiro turno a presidência do Centro-Oeste e Sudeste do Brasil.

Para aqueles que insistem num discurso simplório e fraco em conteúdo, fica a impressão de divisão entre pobreza e riqueza, entre usurpados e usurpadores. Mas isso não é verdade. Essa discrepância é muito mais complexa e envolve muito mais questões históricas e culturais do que sócio- econômicas propriamente ditas. Aliás, são justamente as ideologias e culturas que ditam as regras sócio- econômicas, e não o contrário. Para exemplificar o que quero dizer, basta ver o que tem acontecido nos últimos anos; criou -se a lenda de que o aumento na capacidade de consumo do brasileiro está diretamente ligado ao crescimento da qualidade de vida da sociedade civil. Aparentemente, fica parecendo, para aqueles que querem parar por aí, que a aquisição de mais bens de consumo, como televisores e geladeiras, são indicadores de crescimento social. Isto é uma total falácia. A grande verdade é que os medidores reais são bem outros. Qual foi o resultado dessa política? O surgimento de movimentos como o "Funk Ostentação". Vejam como decisões de poderes macros afetaram o entendimento de jovens em idade de formação neste país. E culpa-los é uma aberração!

Na minha simples capacidade de entendimento, o primeiro e mais importante medidor social de um povo é a possibilidade e a sua capacidade de poupar, e não de consumir. Entendo que isso tem várias implicações econômicas, mas não quero entrar nessa discussão. A segunda medida é o aumento no índice de distribuição de diplomas no ensino médio e superior do país, e finalmente o índice de quitação da casa própria; `a partir dessas premissas partiremos para outros índices sócias que nada tem `a ver com as vendas no varejo; saúde, saneamento básico, segurança, e por aí vai.

Com isso dito, volto à questão dos dois Brasis. Brasis que não só não se falam como são propositalmente colocados, por lideranças políticas como sendo antagonistas. Há um esforço contínuo para que eles não se encontrem e não dialoguem. Algo Maquiavélico, do tipo, "dividir para conquistar." Vivi recentemente uma experiência micro, altamente representativa dessa foto macro. Ao me aproximar de comunidades ditas de "periferia", como se a periferia não fizesse parte da geografia da minha cidade, observei um grande desejo por parte dos jovens, de se distanciar deste discurso antigo, e reminiscente dos tempos das migrações entre estados do Nordeste e do Sudeste. Os jovens da "periferia" de São Paulo, não aceitam mais este discurso. Eles tem muita clareza daquilo que é real e daquilo que é retórica sofista (aquilo que parece ser mas não é). Mas encontram grandes dificuldades para construir sozinhos as pontes necessárias que os tirem desse moto contínuo e inerte.

A sociedade civil, como um todo, tem o dever de se comunicar, e sim, os dois Brasis precisam começar a conversar. Um bom começo seria no Congresso. Edu, meu amigo, criador do Instituto Gerando Falcões, gosta de usar a expressão "Tamo Junto", para dizer de maneira bem simples e clara o que precisa ser feito. Não sei onde foi inicialmente cunhada a expressão, mas hoje, cada vez mais vejo por aí o quase já famoso #tamojunto. Meu maior temor é que algo tão simples acabe caindo na vala da vulgaridade e dos marqueteiros de plantão.

Se é para estarmos juntos, é para estarmos juntos de fato, e não somente nas redes sociais, nas campanhas, nas músicas; todos bons exemplos e extremamente necessários para se alcançar escala na divulgação deste conceito, mas precisamos de mais. Precisamos estar juntos, nas convicções e naquilo que realmente desejamos para o Brasil. Não podemos mais permitir que nos dividam, para nos controlar. E para aqueles que acreditam que estou me referindo ao discurso PTista, vai aí um alerta; esse é o discurso da maioria dos 32 partidos deste país, e de alguns setores da indústria aliada inclusive ao PSDB; então vamos parar com essa história de nós e eles, esquerda/direita ( nada mais fora de moda). Vejam, é histórica a constatação que quando não está bom para uns, não tem como estar bom para todos. Parece cliché, mas é verdade. Algumas vezes a obviedade é o único caminho. E se a solução está nas urnas, que assim seja, mas definitivamente o Teco precisa conversar com o Tico! Este é o meu alerta e conselho para a inacreditável quantidade de deputados Federais e Estaduais eleitos. A bola também está com vocês, como nossos representantes, vamos ver se conseguem conversar entre vocês e levar juízo às lideranças deste pais.

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