OPINIÃO
24/09/2014 14:36 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Meu voto perdedor é muito poderoso

CSA Images via Getty Images

Quase sempre, quando pensamos na palavra "voto" somos imediatamente remetidos à ideia de opção; acreditamos que ao votar estamos fazendo uma escolha, e assim também acreditamos termos um poder de decisão. Num sistema democrático, como é o nosso, fomos condicionados a pensar em liberdades de escolhas e leques de opções. Nada mais distante da realidade. Apesar de pessoalmente acreditar que, ainda, a democracia é de fato o melhor sistema político de uma nação, a mesma não me garante que terei minha vontade realizada; portanto a liberdade de ter aquilo que quero, não necessariamente é uma verdade, visto que, possivelmente, por quatro anos, estarei presa a algo que não escolhi. Mas então por que votar? Porque devemos entender a premissa do voto por outro anglo, o de conceito de participação, de colaboração e acima de tudo, de transformação. Eu, cidadã Brasileira, ao decidir votar, e ter este direito garantido, estou exercendo meu papel de colaboradora e participante dos rumos da história, e eventualmente de transformadora, pois o futuro não é inerte. Não me mantenho à margem dos acontecimentos pois os acontecimentos são aquilo que regem a minha vida. O ato de votar garante, não somente uma "situação", como uma "oposição", que, apesar de pessoalmente não gostar de ambas as palavras, são os fundamentos e a beleza da democracia, e a certeza de um equilíbrio. A "votação" garante para todos aqueles que não escolheram o caminho a ser ditado a certeza de terem sido ouvidos e acima de tudo, a lembrança de que estão aí como contrapontos para manter o equilíbrio social do país.

Neste momento em que me preparo para votar, no dia 05 de Outubro, tenho que quase como certeza o fato de que minha escolha não é a mesma da grande ou quem sabe, pequena maioria. Está praticamente evidente que o resultado das urnas não será aquele que desejo ver concretizado e que portanto, o programa de governo que o Brasil implementará não será aquele que pessoalmente acredito ser o melhor para o desenvolvimento da sociedade civil. Mas, como em qualquer votação, eu posso vir a me surpreender, e é isso que faz do ato de votar um privilégio, do qual, algumas nações, ainda nos dias de hoje, não usufruem.

E independentemente de estarem certos ou errados, pois na vida da "polis" (o ato de se discutir os caminhos de uma população, ou política, para quem preferir), não existe fórmula, milhões estarão a postos a partir de 5 de Outubro, para garantir que apesar de terem sido derrotados nas urnas, continuarão a se fazerem ouvir e respeitados. Votos vencidos representam um número significativo, e sim tem muito a acrescentar com suas ideias divergentes. Por serem milhões, serão levados em conta e terão o poder de fazer ajustes, influenciar positivamente e criar junto ao novo governo, quer ele queira ou não, porque são eleitores e contribuintes, vozes unidas que a sua maneira , ajudam o Brasil a crescer.

Vencer nas urnas não é o objetivo final, o objetivo final é ter a certeza que todo aquele que exerceu seu direito ao voto esteja representado numa democracia, onde não se caminha sozinho, e onde a Constituição e o respeito a ela é o que garante a verdadeira liberdade de escolhas e a certeza de que progredimos; aí sim, é quando realmente somos uma só voz.

Para aqueles que pensam que sou demasiadamente otimista ou sonhadora com esta minha visão, respondo que o meu voto perdedor é transformador. O meu voto tem direito de se posicionar de maneira contrária sem constrangimentos, pode questionar repetidamente, manifestar e exigir mais. Meu dever como cidadã é garantir que continuarei com este direito e que essa manifestação popular será sempre íntegra e justa. Meu voto perdedor é muito poderoso.

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