OPINIÃO
24/03/2014 09:29 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:12 -02

Vivemos uma crise ética no Brasil. O que você tem a ver com isso?

Furar fila, comprar produtos piratas, falsificar carteirinha de estudante, sonegar impostos. São muitos os "pequenos" absurdos cotidianos. Debater a ética é um exercício coletivo de pensar e refletir sobre as atitudes humanas e suas consequências.

Nas últimas semanas presenciamos casos absurdos, discutidos em todo tipo de rede, dentro ou fora da internet. Policiais arrastam uma mulher baleada por 350 metros em um carro em movimento, manobras políticas aliviam penas ou absolvem mensaleiros que já haviam sido condenados por seus crimes e um adolescente é espancado e amarrado com correntes em postes por "justiceiros". Estamos passando por tempos sombrios, em que a ética é colocada em cheque, não só nesses casos extremos, mas também em situações menos chocantes, que nos habituamos a presenciar no dia a dia.

Furar fila, comprar produtos piratas, falsificar carteirinha de estudante, sonegar impostos. São muitos os "pequenos" absurdos cotidianos, que muitas vezes achamos comuns, para os quais fazemos vista grossa. Essas situações foram até tema de uma interessante campanha da Controladoria-Geral da União no mês passado.

Há uma crise ética no Brasil. Não apenas porque somos bombardeados por situações e atitudes revoltantes todos os dias, mas também porque o próprio conceito "ética" é usado com vários pesos e várias medidas diferentes. Sem ter clareza sobre isso, é fácil se perder no debate, não saber o que pensar - ou pior - achar que não temos nada a ver com o assunto.

Ética não é uma simples lista de condutas a serem seguidas, ou uma tabela fechada que diz o que é aceitável e o que não é. Debater a ética é um exercício coletivo de pensar e refletir sobre as atitudes humanas e suas consequências. "A ética é interpretada sob vários programas de pensamento diferentes", como explica o professor Clóvis de Barros Filho, da Universidade de São Paulo (USP), no novo curso Ética, lançado esta semana na plataforma do Veduca.

Alguns de vocês podem já conhecer esse professor de uma famosa entrevista que ele deu no Programa do Jô no final do ano passado, muito compartilhada nas redes. Há algum tempo, nós o procuramos e vimos que compartilhamos o mesmo propósito, de levar conteúdo de qualidade para quem está disposto a aprender, e também temos uma forte convicção em comum de que a educação tem o poder de transformar a realidade ao nosso redor. Ele mantém um site chamado Espaço Ética, que tem um acervo muito bacana de textos e vídeos de discussões sobre a ética.

Segundo o professor, a ética é todo o conjunto de debates sobre as ações do homem no mundo, muito relacionadas à cultura e aos valores de uma determinada sociedade. Cada atitude individual tem uma influência coletiva. Somos exemplos uns para os outros e é preciso assumir essa responsabilidade. Por isso, seja ao escutar notícias bárbaras no Jornal Nacional ou ao vivenciar as chamadas microcorrupções do dia a dia, não podemos perder a capacidade de nos indignar, deixar que isso tudo passe como normal ou comum. Indignar-se não será possível, porém, se não abrirmos os olhos para identificar quais questões éticas estão envolvidas em cada caso. Sem dominá-las, continuaremos parados no mesmo lugar. O desconhecimento é parte da crise.

Colocar o curso do professor Clóvis de Barros Filho no Veduca é, portanto, a nossa pequena contribuição para mudar esse cenário de crise ética. Mas o próximo passo está com você.

Assistir às aulas e aprender é a primeira etapa para a transformação. Conheça, estude e ganhe as ferramentas para formar sua opinião, posicionar-se, orientar sua própria conduta em sociedade. Se a ética é um exercício coletivo de debate, o segundo passo é compartilhar, levar esse conhecimento pro seu vizinho, pra sua namorada, pros seus colegas de trabalho. Ninguém pode fazer a diferença sozinho.

Finalmente: não deixe o que acontece no mundo passar como normal. Questione e mude sua própria atitude. De maneira alguma isso quer dizer que vamos sair fazendo justiça com as nossas próprias mãos. Isso é inaceitável numa democracia. É preciso fazer valer os meios legítimos de mudança da nossa sociedade, como o voto e as instâncias responsáveis por julgar e punir aqueles que violentarem leis, ainda que esses meios tenham suas falhas. Quer saber por quê? Acesse o primeiro curso do professor Clóvis no Veduca, Ciência Política.

Usando as palavras de Gandhi, seja a mudança que você quer ver no mundo. Conhecimento, debate, coletividade: só assim a crise pode passar.