OPINIÃO
14/04/2015 18:24 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Ideais e utopias: o que aprendi com Eduardo Galeano

Em 2005, Fórum Social Mundial, Porto Alegre, lá estava eu. Comigo, meus ideais e minhas ideias, ouvindo (apenas) Ramonet, Saramago e, claro, Galeano. Que mesa aquela... Eu teria ficado ali pelo tempo que fosse.

Mariela De Marchi Moyano/Flickr
Presentation at Librarsi bookstore, in Vicenza (Italy), on Sept. 11th, 2008.The bookstore doesn't exist anymore.

Foi cedo, cedo demais, Eduardo Galeano. Não foi sozinho, seria impossível que fosse. Parte no dia de meu aniversário e leva consigo um pouco do mundo em que acredito. Um pouco? Agora repenso e acho que é um muito.

Em 2005, Fórum Social Mundial, Porto Alegre, lá estava eu. Comigo, meus ideais e minhas ideias, ouvindo (apenas) Ramonet, Saramago e, claro, Galeano. Que mesa aquela... Eu teria ficado ali pelo tempo que fosse.

"Não leve a sério nada que não te faça rir", dizia Galeano naquele dia - e como suas palavras falavam comigo. "Quixote é aquele que antepõe sua convicção sobre sua conveniência", prosseguia, arrebatador, para completar: "Cada mundo contém muitos outros mundos possíveis. Neste mundo, há outro mundo possível". Ainda conservo cada uma dessas frases nas minhas anotações daquele dia.

As palavras de Galeano foram esperança para meu coração. Pra quem, como eu, sempre acreditou nas mais improváveis utopias, ouvi-lo era oxigênio, ar puro em meio a uma rotina tão rarefeita quanto a da política.

Academicamente, perfeito. Sobre a obra, não me arvoro falar. Há muitos que entendam bem mais do que eu. Humilde, o escritor e intelectual olhou pra sua contribuição (enorme) com auto-crítica. Pode? Para ele, podia. O que não se podia por meio de suas palavras?

Sua partida é, sim, um duro golpe em meus moinhos de vento. Mas como abandonar uma utopia depois de Galeano?

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