OPINIÃO
31/01/2014 17:13 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:51 -02

Apresentando a Outra Medida

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Quando foi a última vez que você ficou trabalhando no horário de almoço? Ou reclamou do quanto estava estressado? Ou ficou respondendo e-mails do seu smartphone na cama? Em uma estimativa aproximada, se você é como um dos milhões de leitores do HuffPost pelo mundo todo, vale dizer que "ontem" seria a resposta mais esperada.

De Londres a Lisboa, de São Paulo a Cingapura, os mais variados grupos de pessoas estão sofrendo desta espécie de esgotamento (síndrome de burnout) enquanto tentamos lidar com um mundo hiperconectado que valoriza o sucesso a qualquer custo.

Mas vale a reflexão: será que precisa ser mesmo deste jeito?

Uma coisa é certa: as principais medidas de sucesso ao longo dos séculos -- dinheiro e poder -- já não resolvem mais. Mulheres e homens pelo mundo todo estão acordando para a realidade de que há coisas mais importantes na vida do que um título legal no trabalho ou uma conta bancária cheia de dinheiro. Claro que são coisas legais de se ter, mas não às custas de todo o resto.

Pior ainda é que, no impulso implacável de subir na escadaria corporativa, o esgotamento e a falta de sono não sejam mais apenas um produto da vida profissional, mas tenham se tornado uma medalha de honra.

Com tudo isto em mente, a presidente e editora-chefe do HuffPost, Arianna Huffington, cunhou no ano passado a expressão "Outra Medida" (Third Metric, em inglês) para redefinir o que de fato é e deveria ser sucesso. Um novo movimento nascia, celebrando o bem-estar, a sabedoria e a nossa habilidade de se surpreender e de fazer diferença no mundo.

Encare deste modo: se o sucesso é um banquinho tendo o dinheiro e o poder como suas duas principais pernas de sustentação, temos aí uma fundação pra lá de vacilante. Ao festejar a terceira medida, ou perna, do sucesso, este banquinho de repente parece mais sólido e atraente.

Desde que foi lançada a ideia da Outra Medida, notamos não apenas quantas pessoas estão escrevendo e falando sobre os desafios e os estresses de suas vidas, mas também positivamente sobre os passos que estão dando para lidar com isso. Termos como "diligência" estão brotando por aí sem parar. A ioga e a meditação estão ficando novamente populares e agora não só porque estrelas da música e de Hollywood falam sobre elas (ainda que algumas poucas dessas celebridades de fato as pratiquem).

Tudo indica que estamos enfim acordando para o fato de que as coisas precisam mudar. Em um mundo hiperconectado, onde lutamos para lidar com vários telefones e aplicativos de uma vez, reservar um tempo para ficarmos longe dessas telinhas é algo muito importante. Aprender a "desligar" nesses dias significa literalmente desligar seu(s) celular(es!), computador, TV e tudo o mais que precisar de eletricidade para funcionar.

Pelo mundo todo coletamos histórias sobre empresas valendo-se desses valores para incrementar seus locais de trabalho, políticos praticando a diligência e banqueiros sendo encorajados a -- o horror, o horror! -- a cochilar no trabalho. Os franceses talvez não precisem de nenhuma lição para curtir almoços maiores, mesmo durante a semana, mas talvez os outros povos precisem de um pouco mais de encorajamento. Certamente é uma novidade no Reino Unido ouvir falar sobre companhias oferecendo aulas de ioga num esforço para manter os corpos de seus funcionários tão flexíveis quanto suas mentes.

A maneira como as pessoas se desligam varia de país para país e nesta semana, que o Brasil Post se une ao grupo Huffington Post, estamos ansiosos para saber como nossos leitores e blogueiros definem a palavra sucesso. Estamos curiosos para saber como você se despluga e recarrega suas baterias. Enquanto digito este texto da redação do HuffPost em Londres, com a chuva caindo lá fora, estou contando que vocês divulguem as praias secretas onde não há nenhuma conexão wi-fi e em que a meditação antes do café da manhã seja a regra.

Venha se unir a nós na revolução da Outra Medida. Vamos amar ouvir suas histórias.