OPINIÃO
15/07/2014 16:57 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

O amadurecimento do modelo crowdfunding no Brasil

O potencial de crescimento no Brasil é enorme - essa forma de angariar recursos representa entre 0,3% e 0,03%. Afinal, o Brasil está no top 3 do Facebook, top 2 do Instagram e top 10 do Twitter.

kickante

Artistas, cineastas, ONGs, idealistas e agora esportistas brasileiros, estão descobrindo o financiamento coletivo (crowdfunding) como uma forma efetiva de conseguir levantar fundos para seus projetos. O crowdfunding já é muito bem explorado em outros países. Em 2013, o mercado mundial representou U$ 6 bilhões, sendo que em no ano anterior, foram U$ 2.66 bilhões. Nos Estados Unidos, um dos principais mercados de financiamento coletivo, 25% das campanhas lançadas atingem suas metas.

O potencial de crescimento no Brasil é enorme - essa forma de angariar recursos representa entre 0,3% e 0,03%. Embora não haja uma pesquisa exata sobre a fatia de mercado, existe um consenso de que sua utilização ainda é baixa, principalmente se considerarmos a adesão da população às redes sociais. Afinal, o Brasil está no top 3 do Facebook, top 2 do Instagram e top 10 do Twitter.

Mesmo ainda sendo uma novidade, poucos empreendedores que embarcaram na onda do financiamento coletivo no Brasil conseguem fazer plataformas com diferenciais visionários e que transmitam a confiança necessária para quem investe e para quem está captando recursos para a realização de seus sonhos. Temos também a necessidade de profissionalizar o setor em nosso país. Com essa profissionalização, a tendência é aumentar o número de atletas, artistas e startups que buscam o crowdfunding para conseguir verba de maneira rápida e segura. Outro benefício: reunir grupos de pessoas (incluindo empresas) com interesses e projetos em comum.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o crowdfunding já é visto com um importante centro de inovação, lançando diariamente novos produtos, artes e serviços, em campanhas que chegam a coletar US$ 14 milhões em 60 dias com o financiamento (ou pré-venda). Isso chama a atenção do mercado, de investidores anjos e até mesmo de novos consumidores para as empresas bem sucedidas em crowdfunding. Outro exemplo: no ano passado, na Europa, a startup que arrecadou fundos mais rápido o fez via financiamento coletivo.

Na plataforma de crowdfunding da Kickante, que criei com meu irmão Diogo Pascoal e com investidores estrangeiros, atingimos a marca de R$ 508 mil em cinco meses. Enxergo esse número como um prenúncio do sucesso que campanhas de fato democráticas podem conquistar. E vejo a questão da democracia como fundamental. Em nossa plataforma, não selecionamos projetos que podem ou não integrar nossa página. Somente verificamos elementos legais e orientamos os criadores sobre como conduzir e otimizar suas campanhas.

É o único site no Brasil desenhado de acordo com o estilo americano. Dentre seus diferenciais, estão à possibilidade de parcelar o pagamento das campanhas em até seis vezes - sendo que o criador da campanha recebe à vista. Antes de lançar a plataforma, eu e Diogo Pascoal, meu irmão e sócio, realizamos uma pesquisa com mais de 500 realizadores de campanhas ao redor do mundo. O objetivo era compreender necessidades e também trazer para o mercado brasileiro práticas de sucesso internacional em crowdfunding. A ideia de parcelamento das campanhas nasceu dessa análise.

Outro diferencial da Kickante está nas ferramentas voltadas para o aprendizado dos criadores de campanhas crowdfunding, ajudando assim a profissionalizar o segmento de financiamento coletivo no Brasil. Na plataforma, o criador encontra dicas, vlogs e blogs para aperfeiçoar sua campanha. Há descontos para quem fizer mais de uma campanha (repeat campaings). A nova plataforma aposta ainda fortemente em marketing e promoção para alavancar os projetos que disponibiliza - ponto igualmente presente na pesquisa realizada com realizadores ao redor do mundo.

A Kickante atua com campanhas "tudo ou nada" (quem cria recebe apenas se atingir ou ultrapassar a meta estabelecida. Caso contrário, todas as doações são devolvidas aos seus contribuidores) ou flexíveis (aquelas em que se recebe todo o valor arrecadado no término, mesmo sem ter atingido a meta estabelecida). Permite o pagamento com boleto, transferência bancária e cartão de crédito. Sua tecnologia é moderna e segura. Há um Painel de Controle ligado às instituições financeiras, para que idealizadores possam acompanhar em tempo real as contribuições. O site também é auditado diariamente, e trabalha com o sistema MOIP (intermediador de pagamentos on-line).

Nosso país tem no crowdfunding um verdadeiro potencial de crescimento, ainda pouco vislumbrado pelos brasileiros. É preciso quebrar paradigmas. Vejamos a União Europeia, que identificando o financiamento coletivo como uma importante ferramenta de mobilização social, criou um documento que explicita a importância do crowdfunding para o crescimento da economia local. A entidade estuda um investimento estatal em financiamento coletivo.

Precisamos otimizar a capacidade do brasileiro de se solidarizar e acreditar em projetos. O Brasil está em evidência na plataforma americana Kickstarter, sendo um dos países que mais tem contribuído para as suas campanhas. O crowdfunding no Brasil é sim uma ferramenta de empreendorismo, realizações e promoção criativa e empresarial. Uma ferramenta que tem muito a ampliar e contribuir não só para o fortalecimento da economia mas para a melhoria de problemas sociais brasileiros.

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