OPINIÃO
14/07/2015 09:10 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:40 -02

Amor e solidão em tempos de relacionamentos online

Não sei se é o frio ou o longo tempo sem ver meus pais, ou se o fato de meus melhores amigos estarem namorando, mas ultimamente tenho me sentido solitário e - odeio admitir - meio carente.

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Não sei se é o frio ou o longo tempo sem ver meus pais, ou se o fato de meus melhores amigos estarem namorando, mas ultimamente tenho me sentido solitário e - odeio admitir - meio carente.

Moro sozinho por uma escolha baseada em péssimas experiências anteriores e confesso que às vezes, sinto falta de alguém dividindo o mesmo teto. Mas aí me lembro da louça, da bagunça, do meu humor oscilante e logo penso em adotar um cachorrinho.

Mas também não posso adotar nenhum bichinho agora. Seria muita maldade e egoísmo da minha parte deixá-lo trancado o dia todo em casa, sozinho.

Nessa história de ficar solteiro, tenho conhecido muita gente - amigos e amantes - e é como se, inconscientemente, eu estivesse buscando pela minha tampa.

Quando eu penso "uau, acho que encontrei!", era só mais um querendo se divertir. Não vou condená-lo porque eu mesmo já fiz (e faço às vezes) isso, mas né, a gente cria aquele bichinho maldito chamado expectativa.

Como bom sagitariano que sou, minha sinceridade é daquela que parece sutil para mim, mas que pode ferir quem não está aberto a ouvir, e por isso tenho engolido algumas coisas em respeito ao próximo, o que no final não tem feito bem a mim mesmo.

Sendo assim, prefiro jogar limpo, principalmente comigo, afinal tem todo aquele lance do "amor próprio", etc. E foi em um desses momentos meditando sobre relacionamentos passados, que cheguei à conclusão de que não posso deixar me levar pela carência e me envolver com alguém pelo status social. Relacionamento é coisa séria. Aí fico nessa de criar expectativa Vs. me segurar pra não confundir os sentimentos.

Nessas idas e vindas, ouvi muita gente me dizer que é um carma, que a vida está me devolvendo o que eu plantei, e pior, teve quem disse o clássico "quem muito escolhe...", como se eu tivesse um cardápio de pretendentes à minha disposição.

É claro que eu tenho um tipo físico que me atrai mais. É claro que o que me chama primeiro a atenção é a aparência, só não me prendo exclusivamente a isso. Sei abrir mão a fim de dar uma chance ao destino, sei lá... Mas nem sempre vale à pena. Já me arrependi muito em alguns casos.

Lembrei-me daquele deus opressor e vingativo que algumas religiões instituíram, e achei tão injusto! É como se eu tivesse que aceitar o primeiro homem que se apaixonasse por mim, mesmo eu não sentindo absolutamente nada por ele, só para o universo ver que sou uma pessoa legal (além de falsa, mentirosa e tonta) e, futuramente, apresentar minha alma gêmea como prêmio de bom garoto.

Não! Definitivamente não, gente! Eu tenho que me envolver com alguém que me desperte sentimentos, e não por status, carência ou (que horror) pena.

A internet me trouxe os interessados, mas nem todos os interessados são interessantes. Com base nesse julgamento raso, as pessoas acham que eu escolho demais, e por isso "mereço" morrer sozinho.

Olha, se eu realmente tiver que encarar esse "carma" para encontrar o amor da minha vida, sinto muito, mas vou optar pelo cachorrinho.

Já li muita coisa sobre relacionamentos e como as pessoas se comportam em uma era totalmente online, onde as novidades não faltam e vivem à procura do melhor que o atual, e por isso, acabam sempre sozinhas.

Já fui desses, admito, mas aprendi a dar uma chance. Agora só falta encontrar quem esteja na mesma sintonia, ou então aceitar que na verdade, sou apenas uma frigideira sem tampa e não deixar que isso me torne uma pessoa amarga e infeliz, afinal, ainda posso ter um cachorrinho.