Opinião

Namorar um feminista é tudo de bom

E eu pergunto: como uma mulher pode deixar de querer estar com um homem feminista? Veja algumas razões pelas quais, depois de namorar um homem feminista, você nunca mais vai querer outro tipo.

Pela primeira vez na vida, estou saindo com um homem feminista. Isso não quer dizer que os homens do meu passado tenham todos sido tipos de Neandertal que me consideravam abaixo deles em função do meu gênero. Mas há uma diferença nítida: Olivier, meu noivo, é o primeiro homem de minha vida a se descrever como feminista, e com orgulho.

Olivier não é feminista apenas no modo de pensar: é feminista no jeito em que vive a vida, na educação que dá à sua filha e no modo como aborda todas as coisas. Quer ver? Ele me mandou um SMS no Dia Internacional da Mulher dizendo: "Em 2014, o mundo não deveria precisar de um dia como este para chamar a atenção para os direitos das mulheres, mas vamos continuar lutando, com a esperança de que algum dia..." Quem é essa pessoa? De onde ele saiu? Será que eu deveria agradecer à sua mãe e suas quatro irmãs mais velhas pelo homem que ele é hoje? Provavelmente sim.

Na primeira vez em que ouvi Olivier dizendo que é feminista, estávamos discutindo as diferenças extremas entre Hillary Clinton e Michelle Bachmann. Olivier não só usou a palavra feminista para se descrever, como falou que, com tantas mulheres na vida dele, como poderia deixar de ser feminista? Como poderia deixar de querer igualdade para todas?

E eu pergunto: como uma mulher pode deixar de querer estar com um homem feminista?

Veja algumas razões pelas quais, depois de namorar um homem feminista, você nunca mais vai querer outro tipo.

1. Ele sabe que meu corpo pertence a mim e mais ninguém.

Somos parceiros, mas ele entende que meu corpo, e todas as decisões que dizem respeito a ele, são meus. Sempre vou respeitar as opiniões dele, mas ele sabe que tenho capacidade de tomar minhas próprias decisões. Diferentemente daqueles políticos que acham que têm o direito de opinar sobre o que faço com meu útero.

2. Ele não segue estereótipos de gênero no nosso relacionamento.

Vejo os relacionamentos de muitas de minhas amigas, especialmente as que são casadas e têm filhos, e parece que ainda estamos em 1957. Se isso funciona para elas, acho ótimo, mas aprecio muito o fato de que o nosso relacionamento nunca vai cair nesses papéis e padrões. Além disso, é bom mesmo eu não ficar sozinha na cozinha, senão sou capaz de botar fogo na casa.

3. Ele não faz piadas sexistas.

Não sou a pessoa mais politicamente correta no mundo, mas sei que há um lugar e uma hora para tudo. Olivier não ousaria fazer algum tipo de piada machista arcaica. Não porque esteja querendo ser politicamente correto, mas porque sabe que isso é degradante, magoa e simplesmente não tem nada a ver. É bem mais provável que eu ofenda alguém com um comentário de mau gosto do que ver Olivier fazendo fazer isso.

4. Ele está educando sua filha para ser feminista.

Adoro o fato de ele estar ensinando à filha dele, que tem 16 anos, que os homens e as mulheres são iguais e que isso não se discute. Olivier incutiu nela a consciência de que ela é capaz de qualquer coisa e que nunca deve enxergar o fato de ser mulher como empecilho para seu êxito. Graças a isso, a filha dele é mais madura que a maioria das garotas da idade dela. Poucas vezes eu já vi uma adolescente com tanta independência e autoestima quanto ela.

5. Ele leva os direitos das mulheres muito a sério.

Pela primeira vez na vida, posso ter conversas sérias com meu parceiro sobre os direitos das mulheres. Ele sente minha revolta quando vemos um retrocesso gigantesco acontecendo (estou pensando no Massachusetts) e compartilha minha alegria quando há uma vitória para as mulheres.

(São as regras do feminismo, só isso)

6. Ele é feminista na cama, mas não do jeito que você está pensando.

A publicação de Cinquenta Tons de Cinza chamou a atenção para o mundo da perversão sexual. Enquanto o sadomasoquismo passou a ser tema de bloggers pelo mundo afora, a pergunta seguinte foi, é claro: "Uma mulher pode gostar de ser amarrada, degradada e maltratada no quarto, mas ainda assim ser feminista?". Sim, pode.

Então, se Olivier é a pessoa dominante na nossa cama, fazendo e dizendo coisas que deixariam minha mãe de cabelos brancos se ela soubesse dos detalhes, ele ainda pode ser feminista? Com certeza. Nós dois temos inteligência suficiente para saber que os papéis que representamos no quarto são apenas isso: papéis. O respeito mútuo sempre faz parte da curtição.

7. Nós dois queremos um casamento feminista.

No planejamento do nosso casamento, que será em maio, não estamos simplesmente seguindo certas tradições. Modificamos a cerimônia completamente de modo a excluir certas palavras, como "obedecer", "marido" e "esposa". Não porque não tenhamos orgulho de ser o marido e a esposa um do outro, mas porque, para nós, essas palavras não têm peso igual. Em vez disso, vamos dizer que somos "parceiros no amor, na vida...", e mais algumas coisinhas que estamos mantendo em segredo até o dia do casamento.

Também estamos dividindo igualmente as despesas do casamento. Porque é isso que parceiros fazem.

(Vamos ficar assim)

8. Ele entende que -- surpresa! -- minha aparência física nem sempre é perfeita.

Ganhei um pouco de peso desde que Olivier e eu nos conhecemos, e ele não apenas não se incomoda com isso, como o aceita e gosta. Ele aceita o fato de que os corpos das mulheres mudam e que a gravidez, caso optemos por isso, terá consequências pesadas para meu físico. Olivier sabe que rugas e o processo de envelhecimento fazem parte do pacote e que eu nunca serei um exemplo de perfeição "fotoshopada". Depois de passar a vida sentindo vergonha de meus chamados defeitos, hoje percebo que são gostáveis e, para Olivier, "perfeitos".

Este post foi publicado originalmente em Bustle.