OPINIÃO
29/08/2014 11:29 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Ficar rico depois dos 50 não é tão difícil quanto parece - é sério

O autor Steve Siebold afirma que ficar rico depois dos 50 é mais fácil, não mais difícil.

Todo mundo sonha em ficar rico e, se você tem 50 anos ou mais e está sobrevivendo na sua carreira e não tem muito dinheiro guardado para a aposentadoria, ficar milionário nos próximos cinco anos não precisa ser uma fantasia. Tudo o que é necessário é uma mudança na sua atitude mental em relação ao dinheiro e uma crença inabalável em si mesmo, diz Steve Siebold, autor de How Rich People Think (Como pensam os ricos, em tradução livre). Siebold, 49, é um milionário que presta consultoria para equipes de vendas e faz discursos por todos os Estados Unidos. Ele entrevistou mais de 1 200 ricos ao longo de três décadas.

"Em três, quatro ou cinco anos, se eles se concentrarem em algo e criarem uma boa proposta de valor, eles podem ganhar dinheiro muito mais rápido do que em qualquer outro momento de suas vidas", diz Siebold. "É mais fácil ficar rico aos 50, e mesmo aos 60 ou 70, do que aos 30. Não tenho nenhuma dúvida. Os mais velhos têm a experiência que um garoto simplesmente não tem. Talvez [os mais jovens] saibam mais de tecnologia, mas nós vivemos mais tempo e conhecemos todos os altos e baixos da vida. Para criar uma fortuna ou ter independência financeira, vai haver altos e baixos. Os mais velhos têm uma vantagem enorme. Nós temos vantagem quando se trata de enriquecer rápido. E é hora de aproveitar."

Siebold diz que a maioria das pessoas tem uma mentalidade de loteria: elas foram vítimas de uma lavagem cerebral e acreditam que a única chance de enriquecer é escolhendo números ou jogando nos caça-níqueis. Os ricos, entretanto, treinaram a si mesmos para esperar coisas grandiosas e para ganhar mais dinheiro. Eles são corajosos, agressivos e destemidos na busca da riqueza, diz ele.

O americano médio precisa parar de olhar para o dinheiro de um ponto de vista de escassez e medo e começar a enxergá-lo com olhos de liberdade, possibilidade, oportunidade e abundância, diz Siebold.

Nativo de Chicago, Siebold, um ex-jogador profissional de tênis e instrutor de resistência mental e pensamento crítico, diz que começou a entrevistar milionários em 1984, porque queria ser independente financeiramente. Ele vem os entrevistando desde então, e um amigo sugeriu que Siebold deveria escrever um livro sobre o que aprendeu com as conversas.

"O que os ricos me ensinaram ao longo dos anos é olhar para o que você acredita em relação a dinheiro, sucesso, prosperidade e gente rica. Pergunte a você mesmo: 'Isso está me ajudando a desenvolver mais riqueza e aumentar meu patrimônio ou está me atrapalhando?' Acho que 95% da população, até mesmo no país mais rico do mundo, tem ideias negativas em relação ao dinheiro. Depois de um ou dois anos de entrevistas, descobri por que estava falido. Eu pensava em dinheiro como a média. Eles me disseram que eu jamais teria dinheiro se não mudasse minha maneira de pensar sobre o dinheiro. Eu mudei, e as coisas começaram a dar certo para mim", diz Siebold.

"O que o dinheiro significa para mim?", perguntavam os ricos para Siebold.

No começo, ele diz que é um mal necessário e que você tem de ter dinheiro. Não é divertido, mas você tem de ter dinheiro.

"Eles disseram que não é a maneira como você pensa", diz Siebold. "Você tem de pensar que o dinheiro significa liberdade, dinheiro significa escolhas e oportunidade. Também significa que você pode viver uma existência sem restrições, se é isso o que você deseja. Você pode fazer o que quiser, com quem quiser, onde quiser e por quanto tempo quiser. É liberdade. Se você começar a pensar em dinheiro dessa maneira, faz sentido. Foi uma grande descoberta para mim, e, quando você começa a se programar mentalmente você começa a acreditar."

De acordo com Siebold, ele recebe emails diários de pessoas dizendo que dinheiro não dá em árvores, o dinheiro é escasso, o dinheiro está apertado e o dinheiro é a raiz de todos os males. É como se vivêssemos em dois planetas diferentes, com todas as pessoas que pensam de um jeito acumulando todo o dinheiro e as pessoas não pensam assim sem muita coisa, diz ele.

"Não é de espantar que todo mundo está falido, porque essas pessoas pensam de forma tão negativa sobre dinheiro", diz Siebold. "Por que você gostaria de ter algo que tanto despreza? Olhe para as suas crenças e as crenças dos ricos e como eles pensam sobre dinheiro. Eles enxergam um jogo. Eles estão só jogando um jogo e estão se divertindo. Eles estão movimentando coisas e estão gerando valor para a sociedade e estão ficando cada vez mais ricos. É mais uma questão de pensar em dinheiro em termos de abundância e oportunidade e liberdade e todas as coisas boas, como saúde. O dinheiro pode salvar sua vida se você o tiver em quantidades suficientes. Você pode pagar os tratamentos para qual for a doença que lhe afligir.

Siebold diz que a sociedade foi vítima de uma lavagem cerebral dos falidos e das instituições. O que a igreja diz das chances de um rico chegar ao céu?

Aqueles que nos ensinam não têm dinheiro nenhum, e a maior parte dos nossos pais não tem dinheiro ou sabe pouco a respeito, diz ele. Crenças se traduzem em comportamentos, diz Siebold. Se você acha que dinheiro é uma coisa negativa e que, se você for rico, não vai se importar com as pessoas e não vai ser uma pessoa espiritual, porque é que você quereria ter dinheiro?

Todas essas crenças negativas e limitantes nos foram passadas. Que chance temos de aprender sobre dinheiro se não formos nascidos numa família rica ou numa família que entende dinheiro, ou seja, provavelmente 2% ou 3% da população, pergunta ele.

"Ligue a TV: tudo é negativo no que diz respeito ao dinheiro", diz Siebold. "Você vê uma guerra de classes contra os ricos, contra o chamado 1% -- agora, todos os ricos são maus. Conheço os ricos melhor do que todas as outras pessoas que conheço no país. Entrevisto apenas aquelas que construíram a própria riqueza. Essas pessoas trabalham duro todos os dias. São pessoas honestas. São boas pessoas. Acho que muitas crianças são criadas para desprezar os ricos, como se eles tivessem recebido o dinheiro de alguma maneira ilegal. Não é verdade. Há casos, mas não mais do que em outras classes."

Siebold diz que sentiu negatividade de amigos que questionaram como um garoto formado na South Alabama University e não em Harvard ou alguma outra escola de elite e que não veio de família rica poderia ficar rico.

"Disse para meus amigos anos atrás que queria ficar rico", diz Siebold. "Eles disseram que o dinheiro não me faria feliz. Por que você quer ser rico? Ricos são gananciosos. Ricos são narcisistas. Se não me ensinassem que pode ser diferente, provavelmente seria como todos os outros, repetiria as mesmas coisas e não faria nada para buscar a riqueza. Teria problemas de dinheiro minha vida inteira."

Podem perguntar: "mas isso não é ganancioso? Você não quer ajudar o mundo?", diz Siebold. "Você pode salvar as baleias. Há muitas instituições de caridade que precisam de ajuda, mas antes você tem de ser economicamente livre. Olhe para todas essas pessoas quebradas tentando salvar o mundo, sendo que elas não conseguem salvar a si mesmas. Sei que soa insensível, mas é uma realidade econômica. Comecei a falar isso e comecei a perder amigos. Algumas dessas pessoas não falam mais comigo."

Siebold diz que fracassou com negócios ao longo dos anos e que aprendeu mais com esses fracassos do que com os sucessos. Te obriga a analisar o que você fez errado, diz ele. Preocupar-se com fracassos impede que as pessoas se arrisquem e sejam bem-sucedidas. Os ricos passam por lavagens cerebrais com essas crenças positivas e, portanto, eles não têm tanto medo de se arriscar, diz ele.

"Acho que o que mais atrapalha as pessoas é falta de confiança", diz Siebold. "É o medo de não se recuperar. E se eu começar um negócio e não der certo? Eu passei por isso, muita gente passou por isso. Você começa de novo. Você encontra um jeito de fazer dar certo. Muitos dizem que isso é uma confiança que eles tiveram de construir eles mesmos. Eles tiveram de dizer para si mesmos que, se perdessem tudo, não iriam morrer. Vou conseguir. Vou recuperar (o dinheiro) e vou ganhar ainda mais, e é isso o que eles fazem. Eles se convencem. Eles não nasceram assim. Eles se convencem, enquanto os outros desistem."

Ficar rico não é um processo complexo. Você nem precisa ser um gênio.

"Não há nada místico ou mágico em ficar rico numa economia de livre mercado", diz Siebold. "Trata-se de criar uma proposta de valor, e quanto maior for o valor que você criar para seu cliente, empresa ou indivíduo, mais rico vai ficar. Ninguém está tirando um coelho da cartola. Você cria valor se aparar a grama de um jardim. Você cria mais valor se aparar 100 jardins. Acreditar que isso é complexo impede que as pessoas ajam e enriqueçam."

Com o país emergindo da Grande Recessão, Siebold argumenta que as ruas estão "cobertas de ouro".

Milionários têm pagado mais por serviços pessoais do que em qualquer outro momento da história. Se você resolver um problema por cuja solução as pessoas e as empresas estejam dispostas a pagar, você pode ganhar muito dinheiro. Ele diz que esse é o momento perfeito para abrir empresas que jardinagem, limpeza de piscinas, faxina, consertos.

As empresas estão sentadas em trilhões de dólares que elas gastarão se houver criação de valor. Quem tem mais de 50 talvez esteja aposentado ou ainda empregado no mundo corporativo. Essas pessoas têm muita experiência que pode ser vendida para empresas na forma de consultoria. Você pode tornar-se milionário nesse ponto da vida mesmo que tenha pouco hoje, diz ele.

"Não acho que seja tarde demais se você tem mais de 50", diz Siebold. "Sei que espero ganhar de 10 a 20 vezes mais dinheiro nos próximos cinco anos do que ganhei nos últimos cinco, ou nos cinco anteriores, simplesmente porque há tantas oportunidades no mercado. Você tem uma sociedade que está acumulando dinheiro, especialmente no mundo corporativo, e eles estão muito confusos sobre como proceder. Há muito medo a respeito da estabilidade da economia. Os ricos estão ficando mais ricos, e eles estão pagando por serviços pessoais como nunca. Há todo tipo de serviço que pode ser vendido para os ricos. É onde está o dinheiro."

Siebold diz que a maior parte das 1 200 pessoas que ele entrevistou têm negócios próprios e são empreendedores que construíram seus negócios. Milionários que construíram suas fortunas sozinhos são dois terços do total. Ele diz que parou de entrevistar aqueles que herdaram suas riquezas porque eles não tinham a atitude mental necessária para criá-las como os outros, diz ele.

"A coisa mais importante é a crença", diz Siebold a respeito daqueles que conseguiram tudo sozinhos. "Você tem de criar uma proposta de valor e, quanto maior ela for no mercado livre, mais dinheiro você vai ganhar. Isso é ensinado em todas as escolas de negócio, então por que não há mais gente rica? Por que meus professores da faculdade não são ricos? Eles dizem que não pensam como a maior parte dos ricos. Se você não pensa certo, você não faz nada a respeito da sua proposta de valor."

Ao longo dos anos, Siebold entrevistou o bilionário Rich DeVos, co-fundador da Amway e dono do Orlando Magic, da NBA. Ele também entrevistou o empreendedor bilionário Sam Wyly. A maior parte deles, porém, não é famosa e não gosta de exposição, diz ele.

"Você não precisa ser um gênio. A maioria desses milionários que entrevistei é gente normal como eu, você, todo mundo. Eles não são ganhadores da bolsa Rhodes. São gente comum que mudou a atitude mental e foi trabalhar", diz Siebold. "A maioria não mora em mansões gigantes. Eles vivem em silêncio. São nossos vizinhos, mas têm milhões de dólares no banco. Nunca se preocupam com dinheiro, e nunca vão ter de se preocupar com isso de novo."

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