OPINIÃO
20/10/2014 11:41 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

O Brasil está dividido entre o curto e o longo prazo

Natasha Japp Photography via Getty Images

Nesse último debate da Record entre os candidatos à presidência houve um momento bastante emblemático para entender o motivo do Brasil estar dividido nessas eleições.

Aécio perguntou sobre o baixo crescimento da economia, Dilma respondeu falando da baixa taxa de desemprego.

Isso resume tudo. Da visão de mundo dos candidatos à preocupação dos eleitores.

Taxa de desemprego é uma métrica de curto prazo. É aqui e agora. É a garantia de um prato de comida no jantar e do pagamento da prestação no final do mês.

Taxa de crescimento é uma métrica de longo prazo. É o futuro. É a garantia de crescimento profissional, da possibilidade de um salário maior lá pra frente.

Os mais pobres, obviamente, estão preocupados com o curto prazo. Para quem não tem nada, a próxima refeição é a maior preocupação.

Já os mais ricos estão preocupados com o longo prazo. Para quem já tem alguma coisa, a preocupação é como a situação atual pode ser melhorada.

Claro que um governo deve ter prioridades, mas o erro aí é achar que trata-se de uma coisa OU outra. O curto prazo é importantíssimo, mas se não olharmos para o longo com carinho corre-se o risco de perdê-lo. Do outro lado tem aquela famosa frase do Keynes, um economista importante: "no longo prazo estaremos todos mortos".

Quem vota em Dilma está legitimamente preocupado com o curto prazo.

Quem vota em Aécio está legitimamente preocupado com o longo prazo.

O PT erra ao não entender que quanto mais brasileiros saem da pobreza e vão para a classe média, por meio de políticas de curto prazo, mais brasileiros começam a se preocupar no longo prazo.

O PSDB erra ao não saber como comunicar para os mais pobres a importância do longo prazo para que seus empregos sejam mantidos e melhorados no futuro.

Por isso o Brasil está rachado.

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