OPINIÃO
29/09/2014 20:16 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:56 -02

#MeuVoto é Aécio, por...

Foto de Aécio Neves na reportagem de Ivana Moreira no jornal Valor Econômico.
"O que temos aqui é o estado necessário".
Cidadão de Minas/Flickr
Foto de Aécio Neves na reportagem de Ivana Moreira no jornal Valor Econômico. "O que temos aqui é o estado necessário".

Acabei de ver um post da campanha do Aécio que tinha a seguinte frase:

"Faltam 8 dias para você dar ao Brasil mais eficiência."

Aí está o motivo pelo qual as campanhas presidenciais do PSDB não decolaram nas últimas eleições, e continua não decolando nessa.

Eficiência.

Não é que o brasileiro pobre não entenda o significado da palavra. Até entende. O problema é que ela não ecoa pra ele do mesmo jeito que ecoa para o brasileiro mais abastado. Em outras palavras, eficiência tem significados bem diferentes nas periferias e nos bairros ricos das grandes cidades.

Nos bairros ricos eficiência tem a ver com o dinheiro do imposto sendo bem gasto. Com retorno sobre investimento (o tal do ROI). Com rapidez, agilidade e qualidade. Para os que entendem um pouco de economia, também tem a ver com equilíbrio nas contas do governo, que tem a ver com credibilidade da economia, que tem a ver com empresário mais dispostos a investir e, no fim, tem a ver com mais empregos para o pessoal da periferia.

São demandas justas, que interessam a todos os brasileiros, mas que são entendidas de outra forma pelo outro espectro da pirâmide social.

Para o brasileiros mais pobres eficiência tem a ver com cortes nas despesas do governo. Com demissões para que o empresário aumente seu ROI. Com um patrão cobrando mais comprometimento com o trabalho, mesmo que seu filho esteja doente e você tenha que perder um dia inteiro na fila do SUS. Mesmo que o metrô esteja em greve e você tenha que acordar 2 horas mais cedo para chegar no horário certo. Mesmo que sua vida seja muito mais difícil do que a vida daquele que te cobra mais eficiência.

Esses medos e receios com a tal da eficiência também são compreensíveis. Se eu tivesse menos possibilidades de me diferenciar no mercado, e trabalhasse em um segmento onde a mão de obra é mais comoditizada, estaria morrendo de medo dessa eficiência me pegar desprevenido.

Me parece óbvio que o Brasil precisa encontrar um meio termo entre essas duas visões. Nossa sociedade não precisa ser mais eficiente com os mais pobres, e sim mais justa. E nisso conseguimos algumas conquistas importantes nos últimos 20 anos.

O problema é que a falta de eficiência, no longo prazo, fará com que essas conquistas sejam perdidas. Por mais que você possa odiar os empresários, em uma sociedade capitalista é necessário que eles prosperem e, consequentemente, contratem mais pessoas e paguem mais impostos. Ou você acha que o governo imprime dinheiro para pagar os programas sociais? Se, por acaso, fizer isso, vem a inflação e corrói o poder de compra do pobre. Principalmente do pobre.

Votarei no Aécio porque acho que ele vai voltar sua atenção para essa eficiência perdida, mas sem cortar as conquistas sociais dos últimos tempos. É um equilíbrio delicado, mas, reganhando a credibilidade do governo junto ao mercado, dá pra fazer. E, honestamente, dos três principais candidatos ele é o que mais tem condições de fazer.

Mas é o que comunica pior e, por isso, não vai ganhar. Nisso a Marina manda muito melhor, pois consegue falar com esses dois Brasis ao mesmo tempo, sinalizando pontos importantes para todas as camadas da pirâmide social. Se tem competência, não sei, mas pelo menos tem a intenção e, por isso, meu voto será dela em um provável segundo turno.

E a Dilma?

Seu mérito é ter dado continuidade aos avanços sociais de seu antecessor, o Lula. Sua falha é não ter dado continuidade à manutenção de um processo que vinha desde o FHC, e que o Lula continuou muito bem: construir credibilidade com o mercado.

Seja por boas ou más intenções, o fato é que em 4 anos a Dilma conseguiu minar um processo importante de 16 anos, construído por nossos dois mais importantes presidentes do Brasil contemporâneo. Ainda que o Brasil não esteja tão mal quanto alguns queiram nos fazer acreditar, o fato é que a confiança do mercado está lá embaixo. E isso não é um problema ideológico, nem contra o PT, pois o PT de Lula soube gerenciar muito bem esse processo.

Mas porque a confiança é tão importante? Porque a economia é muito mais próxima da psicologia do que das ciências exatas. Fosse o contrário, não seria considerada uma ciência humana. Quando a gente estuda economia aprendemos que se o mercado acredita em alguma coisa, por mais que esteja errada, essa coisa tende a acontecer, pois as decisões hoje são tomadas a partir de uma expectativa de futuro.

A expectativa de futuro com Dilma, para o topo da pirâmide, é ruim. Para a base da pirâmide isso significa, em um futuro próximo, menos empregos ou inflação. Na pior das hipóteses, as duas coisas.

Por isso voto em Aécio e, como segunda opção, em Marina.

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