OPINIÃO
11/12/2014 15:16 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Jogos Vorazes, distopias e a necessidade de escapar

divulgação

De tempos em tempos, a cultura pop é tomada por tendências, especialmente na literatura. Primeiro veio Harry Potter e a cultura mitológica, que tomou de assalto a infância de milhões de leitores. Quem nunca quis receber sua cartinha de Hogwarts? Em seguida, pescoços foram atacados pelos vampiros da saga Crepúsculo, roubando corações e suspiros principalmente nas salas de cinema. Com o fim da franquia, o gênero do romance adolescente precisava de um novo ícone: O Tordo. Katniss Everdeen, de Jogos Vorazes, foi elevada à condição de heroína da vez, trazendo consigo uma importante diferença com relação a seus antecessores: o mundo em que acontece.

A distopia não é recente. George Orwell já a desenhava no início do século XX no clássico 1984. Aldous Huxley, em Admirável Mundo Novo repete o ambiente de um mundo quase perfeito, onde a principal característica é a ordem. Nada importa mais do que a ordem do ambiente onde vivemos. Independente da forma desenhada (seja em distritos, castas ou funções), as distopias das ficções utilizam a pré-determinação do indivíduo como elemento adestrador do comportamento. É exatamente por trazer esse elemento sufocante e político que a trilogia de Jogos Vorazes se destaca entre seus pares. Não se trata apenas de uma história "garota encontra garoto, mas não podem viver esse amor proibido pelas circunstâncias de suas vidas". Existem implicações políticas, estratégicas para a relação entre eles.

Mas o que nos atrai tanto na distopia a ponto de ser um chamariz rentável e bem sucedido, não importando o meio que a divulgue? Por que não conseguimos desenvolver histórias felizes em um mundo perfeito?

Embora essa seja uma pergunta digna de divã de um psicanalista, temos algumas pistas sobre a necessidade de escaparmos, seja para um mundo supostamente perfeito ou para um mundo mágico. O que as distopias de Jogos Vorazes, Divergente, 1984 e outros nos sugerem é que o mundo perfeito não é nada perfeito. Precisamos de questionar, revoltar e opinar sobre as realidades. Quando nos é tirado o direito de pensar (como acontece em 1984), deixamos de ser seres humanos e passamos a ser meros seres bípedes. Todas essas histórias nos sugerem que o mundo precisa de sua cota de caos, desordem e imprevisibilidade, embora isso não signifique que precisemos de problemas.

Assim, é interessante ver que volta ou outra temos a oportunidade de refletir sobre o papel dos contos de fada, mundos mágicos e países perfeitos na construção do mundo real, visto que nem sempre eles são o modelo que devemos seguir. O que cabe é a interpretação de qual mundo queremos construir individualmente e coletivamente.

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