OPINIÃO
31/10/2014 12:32 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Claire Underwood: a mulher perfeita da TV

O que faz uma personagem ser forte e marcante? Suas atitudes? A capacidade de interpretação do ator? A sutileza de seus trejeitos? Para Claire Underwood, todas as alternativas são corretas.

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O que faz uma personagem ser forte e marcante? Suas atitudes? A capacidade de interpretação do ator? A sutileza de seus trejeitos? Para Claire Underwood, todas as alternativas são corretas.

Atenção: se você não assistiu a House of Cards ainda, pare por aqui e se faça o favor de assistir.

Interpretada por Robin Wright, ex-esposa de Sean Penn, a agora Primeira Dama dos Estados Unidos na série do Netflix House of Cards é a epítome da mulher realizada. Conquistou o poder que tem por meios próprios, ainda que seja excusos; é de uma beleza clássica insuperável; tem ao seu lado um dos personagens mais fantásticos dos últimos anos.

Mas por que Claire é o assunto e não Frank, já que foi ele quem se tornou o Presidente? Porque Claire demonstra o que é a parceria perfeita entre dois indivíduos que escolheram compartilhar a vida. Claro que suas escapadas eventuais são condenáveis para os mais tradicionalistas e suas atitudes no trabalho são altamente questionáveis. Mas entre um cigarro e outro com o personagem de Kevin Spacey vemos o quanto aquela união é sólida. Não é à prova de erros e escolhas egoístas, como podemos ver na primeira temporada, mas é resiliente: capaz de aguentar desde uma traição amorosa até tensões do envolvimento político do casal. Acredito que, retirando-se o contexto da política e a ambição de Frank e Claire, temos um ótimo exemplo de um casamento de fato, uma comunhão de almas e personalidades que, apesar das diferenças, é capaz de enfrentar tudo e todos. Cada um aceita a independência do outro e esse é o principal fator para ser o casal mais poderoso de Washington.

Claire é, para mim, a melhor personagem feminina atualmente na TV e o que a faz ter tamanho prestígio são a sua profundidade e contradições. Claire não é perfeita: chora, grita, diz e faz besteiras, fazendo parecer que a série não é ficção. Por ser uma mistura de Carminha com Nina, de Avenida Brasil, é difícil defini-la como mocinha ou vilã. Claire é protagonista da série e de sua própria vida, vivendo com os fantasmas do passado e enfrentando os escândalos por vir.

Claire é perfeita exatamente por não ser perfeita, por exibir facetas cada vez mais profundas, contraditórias e intrigantes. Sabemos exatamente o que se passa na sua cabeça quando pisca os olhos de outra forma ou exibe seu sorriso de lado. Sua linguagem corporal é uma língua própria: seus espectadores já são fluentes e esperam ansiosamente por novos vocábulos.

Uma salva de palmas para os roteiristas pela incrível capacidade de conceber uma personagem tão marcante e possível quanto Claire. E a Robin Wright, digo que é uma pena. A partir de agora, jamais a verei com outros olhos, não importa qual papel ela encarne. Ela será para sempre Claire Underwood, minha mulher favorita da TV.

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