OPINIÃO
07/11/2014 13:14 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

A nada mole vida do recém formado

Natalie Young via Getty Images

Procura-se empresa grande que contrate mão de obra especializada, cara e com pouca experiência. Exige-se salário competitivo, benefícios e status. Sede em São Paulo é bem vinda.

Se fosse um classificado de jornal, tenho certeza que seria um fiasco. Mas na vida real (e nos sites de RH) esse é o perfil de uma empresa que contrata trainees.

Quando se sai de uma faculdade, há, em geral, dois caminhos a seguir: a efetivação do estágio, que se transforma no porto seguro do emprego e a opção de enfrentar o mercado de trabalho, aquela selva de cimento, vidro e cartões corporativos, onde nem sempre o mais capaz sobrevive (ou conquista).

Faço parte, infelizmente, da segunda opção por escolha: resolvi que o caminho no setor privado era para mim e que o meu perfil de profissional se alinharia muito bem ao de várias empresas em busca de jovens talentos. O que não imaginava, dada minha ingenuidade, era que, assim com eu, vários talentos buscavam a mesma oportunidade. Após inúmeros processos, testes de lógica, inglês e português, fiz algumas dinâmicas e hoje me vejo sentado diante do computador, escrevendo sobre as minhas tentativas fracassadas.

O que descobri nessa breve caminhada? Que o processo de trainee em nada se difere de um vestibular concorrido. Só que ao invés de haver um processo seletivo imparcial, que coloque os melhores e/ou mais qualificados dentro das empresas, há muito mais por trás das entrevistas. Há sempre espaço para "o amigo do pai que trabalha naquela empresa" ou o "primo distante que já foi trainee" dar seus palpites. Não que isso afete a vida de todos os candidatos. Mas, diferentemente do vestibular, o processo de seleção de trainee é muito mais pessoal. E isso torna a coisa um pouco mais complicada do que fazer mais pontos do que a nota de corte.

Durante os processos, duas frases são constantes: "Parabéns por chegar até essa fase, onde selecionamos apenas 500 de 10.000" e a não menos impactante "Temos um perfil muito específico de profissional que buscamos".

O que a primeira diz é: apesar de você ser legal, não foi bom o suficiente. E, para aqueles que escutaram a vida toda o quão inteligentes e bons de serviço são, é especialmente duro ouvir. A segunda, por outro lado, é a desculpa de quem fica sem graça em dizer não.

O que resta para os que, assim como eu, ficam recalcados em terem sido educadamente reprovados nos processos de trainee? Digo: uma vida profissional inteira a ser seguida. Se o processo de trainee é o seu desejo e objetivo, vá em frente. Não costuma ser na primeira tentativa que se passa nos tão concorridos processos seletivos. Para quem ainda hesita em afirmar que quer ser trainee, há sempre uma alternativa. E ela costuma ficar lá no fundo de nós, onde temos medo de mexer demais. Vai que dá errado! Ou melhor, vai que dá tão certo que temos medo de acreditar?

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