OPINIÃO
14/04/2015 15:52 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

O mau começo de Hillary Clinton

O anúncio da campanha de Hillary Clinton é um insulto à presidência. Ele representa uma completa capitulação diante do negócio das consultorias políticas - dois minutos e meio de imagens de marketing, sem nada que lembre um argumento sério.

Spencer Platt via Getty Images
NEW YORK, NY - NOVEMBER 21: Hillary Rodham Clinton speaks at the Cookstoves Future Summit on November 21, 2014 in New York City. Clinton, who is the Leadership Council Chair for the Global Alliance for Clean Cookstoves, spoke to donors, activists and members of the media on the importance of clean cookstoves for families in parts of the developing world. Globally, 3 billion people rely on solid fuels to cook. This has resulted in polluted household air that kills over 4 million people every year and sickening millions more. The Global Alliance for Clean Cookstoves looks to replace old stoves with more efficient and cleaner one's which would drastically reduce the negative health issues associated with older stoves. (Photo by Spencer Platt/Getty Images)

O anúncio da campanha de Hillary Clinton é um insulto à presidência. Ele representa uma completa capitulação diante do negócio das consultorias políticas - dois minutos e meio de imagens de marketing, sem nada que lembre um argumento sério.

A Avenida Madison substitui Madison como o centro da república. A aparição de 30 segundos de Clinton em seu comercial nota 6 é um tributo à democracia do slogan. A trivialidade de sua performance é aumentada pelos apologistas que já enxergam significados profundos em sua curta frase: "As cartas estão marcadas em favor de quem está por cima. Os americanos comuns precisam de um defensor".

(Veja aqui e aqui.)

Nada levou Clinton a escolher esse caminho vazio. Pelo contrário, a indicação dela é garantida, o que lhe garante a liberdade de definir a campanha em seus próprios termos. Se ela achasse um formato cara-a-cara mais apropriado, um vídeo de 15 minutos teria sido suficiente para definir seus principais compromissos políticos.

Mas ela escolheu deixar todos no escuro. Isso vai permitir que ela faça uma sintonia fina de sua mensagem para explorar as fraquezas do candidato que obtiver a indicação do Partido Republicano. Mas é muito provável que seus apoiadores não saibam a seriedade de seus compromissos progressistas, quaisquer que sejam eles.

No final das contas, essa estratégia evasiva não vai me impedir de votar em Hillary - pois um terceiro mandato Clinton vai nos salvar de um quarto mandato Bush, ou algo ainda pior.

Mas, mesmo que ela chegue à Casa Branca, sua campanha publicitária é um sinal terrível para o futuro. Se Clinton deixou de se posicionar em um momento de tanta força política, temos razão para esperar que sua presidência sirva de plataforma para uma campanha ambiciosa por valores progressistas?

Ou será 2020 um ano de aprofundamento da alienação liberal - no qual a performance de Hillary como a primeira presidente servirá para enfatizar as esperanças perdidas inspiradas pelo "Sim, podemos" de Barack Obama?

Bruce Ackerman, professor de direito e de ciência política em Yale, é um Daimler Fellow na Academia America em Berlim.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.