OPINIÃO
26/11/2015 09:41 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

Musas fitness têm muito a ensinar aos atletas brasileiros

Gabriela Pugliesi saiu das telinhas dos celulares para a telona da televisão. A jovem participa do quadro Desafios do Caldeirão, na TV Globo, em meio a artistas. Ela não canta, nem dança e muito menos ganha medalhas em competições esportivas.

Reprodução/Instagram

Gabriela Pugliesi saiu das telinhas dos celulares para a telona da televisão. A jovem participa do quadro Desafios do Caldeirão, na TV Globo, em meio a artistas. Ela não canta, nem dança e muito menos ganha medalhas em competições esportivas. Pugliese, que arrasta multidões no Instagram e no Snapchat, é uma influenciadora. Ou, como dizem por aí, celebridade fitness - 1,8 milhão de pessoas seguem a moça no Instagram.

Exercícios, dietas, suplementos e desabafos são basicamente os temas compartilhados pelas celebridades fitness. Comer bem, manter disciplina nos exercícios e um lifestyle saudável são prerrogativas também dos atletas. Porém, não encontramos esportistas, fora do meio futebolístico, com tamanha repercussão na rede.

Bella Falconi, outra com fama na internet, é certamente mais conhecida na rede do que Yane Marques, Fabiana Beltrame ou Ana Cláudia Lemos, atletas olímpicas de primeira linha.

Mesmo com a visibilidade que a mídia proporciona aos atletas, são poucos que usam a oportunidade para ganhar atenção das pessoas. Já Pugliese e Falconi demoraram para ser percebidas pela imprensa. Mesmo assim, elas têm centenas de milhares de seguidores e ganham a vida com isso. Elas fazem parte da "indústria dos influenciados".

Funciona assim: você conquista a atenção de milhares de pessoas, elas consomem os conteúdos e, depois, os publicitários pagam para usar a influência para divulgar seus produtos.

Os atletas contam a seu favor com a visibilidade da mídia e da comunidade esportiva. Eles podem, muito bem, aprender com as instagramers para ampliar a visibilidade, fortalecer a imagem e, por que não, ganhar dinheiro.

Tenho a impressão que os atletas subestimam o poder das redes sociais. Eles conseguem, no máximo, chamar a atenção de quem já estar acostumado a acompanhar o esporte. Falta compartilhar dietas, treinamentos e dicas de uma vida saudável. No máximo, eles seguem a cartilha burocrática de assessoria de comunicação, utilizando as páginas somente para esporádicas autopromoções.

Os fãs querem mais do que isso. No mundo narcisista em que vivemos, as pessoas públicas têm que saber lucrar com as ferramentas disponíveis. Pois, cada dia mais surge pessoas famosas que você nunca tinha ouvido falar.

Na indústria da atenção, "pessoas comuns" estão ganhando espaço e verba publicitária que poderiam ir para os atletas. Ainda existe uma barreira imaginária que afasta os atletas do público. Com as novas celebridades não existe pedestal. Elas conversam de igual para igual com as pessoas, como um velho amigo.

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