OPINIÃO
31/10/2014 09:31 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Esporte olímpico: hobby ou profissão?

Não é fácil ser atleta profissional, seja no Brasil ou na Suíça. Considerando o esporte uma profissão ou hobby, a certeza que tenho é de que, ao chegarem os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016, todos irão cobrar resultados dos atletas.

David Madison via Getty Images

Não é fácil ser atleta profissional, seja no Brasil ou na Suíça. Para ganhar dinheiro com esporte, o atleta tem que ter várias fontes de receita: ser contratado por um clube, receber patrocínio de uma empresa privada ao ceder sua imagem para ser explorada e aumentar a venda de produtos/serviços ou, ainda, receber os auxílios governamentais. Mesmo com a indústria esportiva movimentando bilhões de dólares em todo o mundo, muitas pessoas ainda olham para o esporte como um hobby. Visão que inviabiliza o desenvolvimento da prática profissional.

A agência de notícias suíça "Swissinfo" publicou uma reportagem que mostra a dificuldade dos atletas olímpicos do seu país. A maioria dos esportistas de elite na Suíça enfrenta uma batalha dentro e fora do esporte. Cerca da metade deles ganha menos de 14 mil francos por ano (cerca de R$ 3 mil por mês) e apenas 100 conseguem realmente ganhar a vida com o esporte, de acordo com um relatório publicado em 2013 pelo Instituto Federal Suíço de Esportes de Magglingen.

A partir das dificuldades enfrentadas pelos atletas, teve início uma discussão no parlamento suíço acerca do papel do Estado no desenvolvimento e no estímulo ao esporte. "A maioria dos atletas profissionais vive abaixo da linha de pobreza do país", disse o deputado do Partido do Povo Suíço (SVP, na sigla em alemão), Jürg Stahl, durante o debate no parlamento. Muitos atletas têm família e precisam trabalhar em tempo parcial.

A ideia gerou uma polêmica. Na contramão, o deputado Peter Keller, da mesma legenda, não concorda com investimentos do governo em esporte de alto rendimento, ao defender que o setor deve ser de responsabilidade da iniciativa privada. "Não é da cultura suíça estabelecer o esporte como uma atividade do Estado, como na China", disse à agência de notícia Swissinfo.

Tanto no Brasil quanto na Suíça a iniciativa privada não abraça o esporte. Transferir a responsabilidade à iniciativa privada já foi uma regra no Brasil. As empresas não fizeram a sua parte e os atletas ficaram à mercê. Foi quando o governo brasileiro passou a ter ações diretas para financiar o esporte e, principalmente, os atletas. Os resultados começaram a aparecer.

Realidade brasileira

Comparando as realidades, compensa mais ser atleta de elite no Brasil do que na Suíça. Estamos vivendo o momento de ouro no esporte olímpico nacional. Todos os principais nomes do país se dedicam integralmente ao esporte, com o apoio do governo. Não era assim. Por muito tempo os atletas tinham que ter outra profissão, tendo que conciliar trabalho e treinamento.

De certa forma, o financiamento público do esporte é o reconhecimento da sociedade do papel que o atleta exerce. O Brasil não é o único país que adota uma política governamental voltada à área. Japão, Canadá, Reino Unido, Noruega e a China, por exemplo, têm a mesma política de investimentos. O dinheiro visa dar segurança e tranquilidade ao atleta para se dedicar integralmente à modalidade.

Considerando o esporte uma profissão ou hobby, a certeza que tenho é de que, ao chegarem os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016, todos irão cobrar resultados dos atletas.

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