OPINIÃO
25/02/2014 11:08 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

Brasil começa a despertar para o rugby

A bola vai rolar e o mundo estará de olho no Brasil. Não será em junho, mas neste fim de semana. Longe dos novos estádios da Copa, será a vez do Circuito Mundial Feminino de Rúgbi de Sete.

Divulgação

O país do futebol recebeu pela primeira vez uma etapa do Circuito Mundial Feminino de Rugby de Sete (Women's Sevens World Series - WSWS). Disputada na Arena Barueri, no interior de São Paulo, a etapa reuniu as 12 melhores seleções do mundo, sendo as oito primeiras classificadas na Copa do Mundo de Sevens, e as outras quatro seleções convidadas pela organização.

O rugby é popular em países como Nova Zelândia, África do Sul, Fiji e Inglaterra. No Brasil, tem muito chão para percorrer até que a grande população tenha contato com a modalidade. Para um país sem tradição no esporte, competir em grandes torneios é primordial para a evolução dentro de campo. Receber uma etapa é um reconhecimento internacional e a oportunidade para divulgar o rugby no Brasil, principalmente para os jovens.

Após 92 anos fora dos holofotes olímpicos, a modalidade retornará à maior competição multiesportiva no Rio 2016. O anúncio da cidade do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos, em 2009, foi o início da história do rugby no país, pois foi quando o esporte passou a ser estruturado e começou a evoluir.

No Brasil, o rugby já pode ser considerado um verdadeiro legado dos Jogos Olímpicos. Se o país não tivesse sido escolhido sede, certamente o esporte ficaria na lista das modalidades que não ganham atenção dos brasileiros, sem iniciativas profissionais e falta de investimentos.

Atualmente, poucos tupis -- como são conhecidos os jogadores brasileiros de rugby -- vivem exclusivamente do esporte. Se não fossem as iniciativas governamentais como a do programa Bolsa-Atleta, Lei de Incentivo ao Esporte, recursos destinados pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e convênios entre a confederação brasileira e o Ministério do Esporte para custeio de viagens para treinamento e intercâmbio no exterior proporcionam estruturas necessárias aos jogadores brasileiros.

O Circuito Mundial é um torneio de alto nível, dividido com etapas em Dubai, Estados Unidos, China e Holanda. A etapa brasileira foi decidida entre as duas maiores potências da modalidade, Austrália e Nova Zelândia. O título ficou nas mãos das australianas, por 24 a 12. A seleção brasileira feminina terminou na 10ª posição.

De fato, o nível técnico brasileiro tem muito que evoluir para encarar as grandes potências. Mas acolher uma competição mundial e proporcionar aos atletas brasileiros experiência entre os melhores do mundo é o caminho para a evolução da modalidade no país.