OPINIÃO
24/07/2015 10:17 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

'A missão da Campus Party é inspirar as pessoas'

Campus Party Europe in Berlin/Flickr

Por Maria Clara Santana*

Paco Ragageles, co-founder e CEO da Campus Party, cedeu uma entrevista ao Brasil Post falando sobre a história do evento, público e conteúdos da quarta edição em Recife que começou ontem e expectativas sobre futuras edições. Confira a seguir:

Sem dúvidas, a Campus Party é um evento bastante conhecido, porém ainda existe, por parte de algumas pessoas, a dúvida sobre o que se trata o evento e qual é o público alvo?

Paco: O público alvo é qualquer um, qualquer apaixonado pela tecnologia na mais ampla visão possível. Lá as pessoas vão e recebem uma enorme quantidade de conteúdo informativo, então se você não sabe o que é a Campus Party, é a época do ano em que as pessoas possuem essa quantidade de conhecimento à sua disposição em uma maneira que não é possível em nenhum outro momento do ano.

Também é uma festa onde pessoas com muito talento se juntam, se você colocar em um lugar 4 mil pessoas apaixonadas por tecnologia, inovação e empreendedorismo, a consequência natural são centenas de empreendimentos e novos projetos.

É possível observar que o público feminino, em relação ao masculino, ainda é muito pequeno. A Campus possui algum tipo de política para promover a mudança nesse cenário?

Paco: Na primeira Campus Party, em 1997, a porcentagem de mulheres foi de 2%, hoje é de 28%, portanto tivemos um grande avanço e eu acho que esse público só tende a crescer. A Campus é um reflexo da sociedade, e ao mesmo tempo que ela muda, a Campus muda.

Recife possui uma tradição de inovação e a cidade possui um polo de tecnologia muito grande. Mas como surgiu a ideia de levar a Campus Party pra lá?

Paco: Eu acredito que seja justo reconhecer quem foi o culpado da realização da Campus Party em Recife, que foi o Eduardo Campos. O Carlos Valente, ex-presidente da Telefônica Vivo, falou do evento para ele e fizemos uma reunião, ele ficou maravilhado e foi o maior propulsor do evento.

"A missão da Campus Party é inspirar as pessoas." (Paco Ragageles)

Você acha que a Campus Party já conseguiu impulsionar a economia de Recife? Indo para a quarta edição, é possível perceber mudanças na cena local?

Paco: Eu acredito que sim, na Campus de Recife, boa parte do público é local e eles recebem durante os dias do evento, uma experiência de empreendedorismo e networking que, sem dúvidas, ajuda muito. Então, poder quantificar quantos deles viraram empreendedores, o quanto criaram é difícil. A missão da Campus Party é inspirar as pessoas, ajudá-las e isso é bem feito. Qual o valor de inspirar milhares de pessoas? É difícil quantificar.

Hoje, na Campus Party, pelo espaço dado à comunidade é possível perceber que transmitir conhecimento não é algo restrito aos palestrantes. É uma tendência abrir mais espaço para que os grupos produzam conteúdos?

Paco: Às vezes, o conteúdo que mais interessa ao campuseiro não é o palestrante ou magistral uma pessoa de muito nome. É um menino de 15 anos que inventou alguma coisa bacana, não o cara de 40 ou 50 anos que criou uma multinacional.

Qual o grande tema da edição desse ano? O que você destacaria?

Paco: Esse ano, estamos continuando a trazer destaque no apoio às startups e, um passo a mais, estamos tentando ajudar no início da carreira dos campuseiros com ferramentas que os permitam conseguir freelances e comecem a entrar no mercado de trabalho. Eu acho que a grande novidade desse ano é o Campuse.ro, a nossa plataforma que permite aos campuseiros monetizar seus talentos transformando-os em serviços.

Você pode apontar quais as maiores diferenças entre a primeira edição e a edição atual da Campus em Recife?

Paco: Começamos no Chevrolet Hall, que é menor, então eram menos campuseiros, agora o espaço é maior, temos mais palcos e mais conteúdo. E também, o campuseiro de Recife amadureceu, na primeira edição as pessoas estavam um pouco caladas, como se houvesse um medo de interagir uns com os outros, havia muita diferença entre a campus de São Paulo e a de Recife, o ambiente era mais tranquilo. Agora já viraram campuseiros veteranos e é uma festa.

Existe a possibilidade de serem realizadas edições em outras cidades?

Paco: Eu gostaria de realizar a maior quantidade de eventos possíveis em todos os estados do Brasil e do mundo para permitir as pessoas a terem essa experiência é a minha missão. Mas não é simples, o custo de realizar uma Campus Party é enorme e com o valor das entradas não é possível pagar nem 10% do evento, então é preciso muito investimento para tornar possível. Estamos trabalhando com vários estados para tentar fazer bons projetos porque não se pode realizar de qualquer jeito.

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* É estudante de Engenharia da Computação na Universidade Federal de Alagoas e foi uma das escolhidas para entrar na Campus Party Recife de graça e contar como foi aqui no Brasil Post.