OPINIÃO
21/02/2014 18:32 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

Mais diálogo, por favor

Temos certezas absolutas, cada vez mais. Nas redes sociais, nos ônibus, cafés, shoppings. Quase todo mundo tem certeza de alguma coisa, encara a missão de aplicar essa certeza no mundo e não tolera o diferente. Todos os dias ouvimos frases que soam como portas batendo: bloqueei no Facebook; não tenho paciência pra conversar com idiota; fulano só fala besteira; me recuso a ouvir tanta bobagem.

Se temos posição, opinião, não é óbvio que outras pessoas também tenham? E que, se somos pessoas diferentes, as posições também possam ser diferentes? E que muitas verdades possam coexistir sem uma não tentar se impor sobre a outra? Sem ouvir e tentar compreender o que dizem as outras pessoas -- a verdade presente na fala de cada um -- não temos chance de construir nada.

Para nos inspirar, chamo Paulo Freire, em "Educação como Prática da Liberdade":

E que é o diálogo? É uma relação horizontal de A com B. Nasce de uma matriz crítica e gera criticidade (Jaspers). Nutre-se do amor, da humildade, da esperança, da fé, da confiança. Por isso, só o diálogo comunica. E quando os dois pólos do diálogo se ligam assim, com amor, com esperança, com fé um no outro, se fazem críticos na busca de algo. Instala-se então, uma relação de simpatia entre ambos. Só aí há comunicação.