OPINIÃO
11/02/2014 17:50 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:51 -02

Dinheiro público gasto em material didático poderia render mais

"Para o ano letivo de 2014, o Ministério da Educação (MEC) aplicou R$ 67 milhões em ferramentas digitais complementares aos livros impressos", publicou o Estadão há alguns dias, no blog do Celso Ming. O dinheiro público investido nesses recursos permite que professores da rede pública escolham alguns deles para serem utilizados com seus alunos. Mas eu, que não sou professora nem aluna da rede pública, não tenho acesso a nenhum deles. Nem o Sr. Antônio, que foi meu aluno na educação de jovens e adultos há alguns anos, e é um exemplo de autodidatismo. Imagina o que o senhor Antônio aprenderia se tivesse mais tutoriais de física e matemática acessíveis a ele, disponíveis na rede!

Além de o fato de que os recursos pagos por todos nós poderiam estar disponíveis a todos nós, é essencial que cada professora e professor possam adaptar recursos didáticos às diferentes realidades locais. Pelo menos é isso que especialistas em educação recomendam. Mas, na maneira como o MEC compra tais recursos, eles não podem ser melhorados, adaptados, distribuídos entre professores. Nem com finalidade exclusivamente educacional. Todos os direitos de uso continuam pertencendo às editoras, mesmo depois da compra feita com investimento público.

Não defendo aqui que cada um copie e altere tudo como quiser! Defendo que a autoria sempre seja citada, que o crédito da editora e de todas as pessoas que trabalharam naquele material seja levado adiante, que toda a cadeia produtiva seja justamente remunerada. Defendo o lucro das editoras, mesmo que me acusem de neoliberal! Mas levanto a bandeira de que os conteúdos sejam licenciados abertamente, para que estejam disponíveis a qualquer pessoa, mesmo quem não está matriculado em uma escola pública. E possam ser uma base confiável sobre a qual professoras e professores de todo o Brasil possam trabalhar, adaptando o que for necessário para que os estudantes aprendam.

O quadro abaixo, do Estadão, mostra quanto dinheiro público poderia ser otimizado:

infográfico estadão