OPINIÃO
22/05/2014 15:52 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

As muitas cidades do futuro

O futuro reserva muitas novidades para as cidades. Designers e fabricantes terão a responsabilidade de explorar o que são esses futuros e entender como vamos viver quando eles chegarem aqui.

www.flickr.com/photos/isherwoodchris/4989201473/)" data-caption="New York CityBest viewed in large.Dec 2009: This photo has been requested to be used in an Israeli school textbook in Geography for 11th - 12th grade high school students. Aug 2010: This photo will feature in an exhibition: "Wish You Were Here" at the New York State Museum from the 3rd of September(see this: www.flickr.com/photos/isherwoodchris/4989201473/)" data-credit="CJ Isherwood/Flickr">

O futuro reserva muitas novidades para as cidades. Antes do final do século, planejadores e arquitetos terão visto alguns relatórios estranhos chegar às suas mesas, na medida em que fundamos colônias na Lua e no espaço digital e criamos assentamentos ambulantes que percorrem a paisagem, extraindo recursos. Imagine as cidades erguidas em volta dos centros de transporte lunar em Cape Kenday e Xichang. As oportunidades vão moldar nossos futuros urbanos de modos instigantes, e os desafios que estão por vir vão redefinir nosso entendimento do espaço da cidade. A queda na eficácia dos antibióticos vai afetar nossa convivência, e a elevação dos níveis da água vai terraformar cidades de Londres ao delta do Ganges. Designers e fabricantes terão a responsabilidade de explorar o que são esses futuros e entender como vamos viver quando eles chegarem aqui.

A declaração de Bruce Sterling, em suas observações de encerramento no SxSW, de que o futuro será feito de idosos em cidades, com medo do céu, é uma extrapolação dos desafios gerados pelas mudanças climáticas, a migração urbana e o envelhecimento da população. O que ela nos oferece é a imagem clara de um futuro possível que ainda não tínhamos explicitado em termos tão simples e diretos. A decisão de Sterling, nessa palestra, de passar do pensamento para a ação demonstra a compreensão que ele tem do poder do design: ele coloca a coisa em sua mão e apresenta a ideia sob uma forma que pode ser discutida.

No início de março, participei do laboratório Unbox Future Cities (Desencaixotar Cidades do Futuro), do Conselho Britânico, um programa de 15 dias realizado no Instituto Nacional de Design, em Ahmedabad, Índia. Trinta e seis pesquisadores, designers e fabricantes do Reino Unido e da Índia se reuniram em torno do tema das Cidades Futuras. A proposta era quase impossivelmente aberta: reunir pessoas que trabalham com projetos baseados em cidades, usando processos diversos, e colocá-las para pensar as cidades juntas. Sabemos que os profissionais têm a responsabilidade de explorar as forças que poderão dividir, tecer e definir os muitos fios possíveis do futuro. A questão é "quais futuros"?

Primeiro precisamos definir quais são as oportunidades e tendências que nossos futuros coletivos enfrentam. A maioria acontecerá em alguma escala, em algum lugar, mas quais provavelmente terão o maior impacto? Passamos um dia criando manchetes de futuros que prevemos e que torcemos que se realizem. Esse registro intercultural do futuro será uma de minhas anotações duradouras da viagem, um zeitgeist de previsão de dois continentes. É importante notar que, como é o caso da afirmação de Sterling, um exame mais acurado dessas ideias revela que muitas delas não pertencem ao futuro tão distante quanto pode parecer à primeira vista.

Também precisamos colocar essas ideias na prática. Quer seja através da ficção de design vista no trabalho de Dunne e Raby ou nas realidades alternativas de games e filmes. Se não imaginarmos e depois realizarmos esses futuros, ficaremos operando sob a noção presumida de valores compartilhados no futuro. Temos futuros de design que encarnam os valores que queremos. Precisamos ser francos em relação ao quê, e apenas criando esses designs é que podemos defender ou evitar esses futuros.

Quando o prefeito Antanas Mockus, de Bogotá, fez os guardas de trânsito da cidade se fantasiarem de mímicos, ele não estava dizendo que esse seria o futuro, estava dizendo "e se entendermos o papel dos funcionários da prefeitura de outra maneira?". Um de nossos protótipos funcionais de cidade futura mais conhecido talvez seja a Disneyland. Walt Disney criou um modelo experimental de nossos espaços urbanos futuros, sob a forma de parque temático. Eu quero mais espaços experimentais bizarros do futuro. Se o Unbox me fez pensar uma coisa, foi "vamos concretizar mais destas cidades futuras possíveis". Segue abaixo uma seleção dos espaços que começamos a descrever no Unbox. O documento contendo mais detalhes pode ser visto aqui.

A Cidade de Dados - Devido a seu clima e à proximidade com recursos energéticos, uma cidade siberiana torna-se sede do maior centro de dados do mundo. O setor financeiro se muda para lá, movido pela necessidade de reduzir a latência do comércio algorítmico, e por pouco tempo faz dela a capital bancária do continente eurasiano. Quem vai se mudar para lá depois dele?

A Cidade Após os Antibióticos - Quando os antibióticos deixam de ser vistos como eficazes no combate à grande maioria das doenças e bactérias, Los Angeles fica obcecada com a transparência de higiene pessoal e a esterilização. Como as pessoas se movimentam e assinalam sua boa saúde numa cidade obcecada pela doença?

Os Primeiros a Assentar-se em Chernobyl - Num futuro distante, quando a terra não habitada tornar-se mais e mais rara e valorizada, é recebido o primeiro alvará de construção na zona irradiada pela explosão nuclear em Chernobyl, desabitada há quase 600 anos. Como será esse pedido de alvará?