OPINIÃO
11/02/2015 12:46 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:01 -02

Afinal, quando é que me tornei essa... adulta?

Ainda me assusto quando me vejo recusando o convite de uma amiga para beber no boteco porque quero acordar cedo para malhar no dia seguinte de madrugada. Ou quando me pego economizando dinheiro para comprar um móvel pra casa em vez de me presentear com aquela viagem para um país exótico. E quando deixo de comprar um scarpin vermelho para dar um dinossauro de brinquedo pro meu filho.

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Ainda me assusto quando me vejo recusando o convite de uma amiga para beber no boteco porque quero acordar cedo para malhar no dia seguinte de madrugada. Ou quando me pego economizando dinheiro para comprar um móvel pra casa em vez de me presentear com aquela viagem para um país exótico. E quando deixo de comprar um scarpin vermelho para dar um dinossauro de brinquedo pro meu filho.

Afinal, quando é que me tornei essa... adulta? De acordo com a biologia, acontece depois da adolescência, quando ultrapassamos os anos de terminologia "teen" em inglês (13-19). Aos 20 anos, período pós-puberdade. Alguns estudiosos dizem que a adolescência tem se prolongado até os 28 anos, e até arranjaram um novo termo, "adultecência". Já de acordo com as leis brasileiras, alguém é adulto depois dos 18, quando atinge a maioridade e pode tirar carteira de motorista, se casar e viajar para onde quiser sem autorização de um responsável. Mas não são leis, idade cronológica nem nosso corpo que denotam que nos sentimos adultos e agimos como tal.

Eu achava que já era adulta logo no início da adolescência. Lá pelos 16 anos. Me sentia a dona do mundo e de mim mesma. Destemida, realmente acreditava que tudo podia, tudo sabia e que meus pais teimavam em mandar em mim. Comecei a trabalhar logo que voltei de um ano de intercâmbio, dava aulas de inglês, e juntei dinheiro para viajar sozinha para o exterior. Arranjei um namorado, passei a ter uma vida sexual ativa. Coisas que me introduziram, de fato, no mundo dos adultos, mas que de forma nenhuma eram encaradas por mim de forma madura. Como assim? Eu vivia no mundo da lua, fantasiando sobre cada escolha. Era como se tudo fosse uma grande aventura. Brincar de ser adulto era mesmo divertido.

Depois de quebrar a cara e pedir colo para os meus pais algumas vezes, percebi que ainda não tinha chegado lá. Passei a me sentir adulta novamente ao bater asas e voar com meus próprios recursos financeiros, fruto do meu trabalho que conquistei com anos de formação na faculdade. Foi quando me senti, pela primeira vez, verdadeiramente livre para fazer minhas próprias escolhas. E elas eram sempre direcionadas rumo à liberdade, a expansão, ao prazer. Arranjei um trabalho em outra cidade e fui morar sozinha. Nessa época, até meus pais acreditavam que eu já era adulta.

Mas, olhando pra trás, não me tornei adulta quando passei no vestibular, nem quando me formei, e arranjei meu primeiro emprego. Tampouco me tornei adulta quando me mudei de cidade e fui morar sozinha.

Hoje entendo que só virei de fato adulta quando, por vontade própria, abdiquei do sentimento de liberdade e tive forças para renunciar a alguns desejos imediatistas. Comecei a ter vontade de me fixar e a tomar decisões neste sentido. Passei olhar menos pra fora, e me introjetei para dentro. De repente meus planos de curto prazo deram lugar a pensamentos de longo prazo e escolhas baseadas mais na vida real do que nos meus sonhos mirabolantes. Foi quando comecei a medir as consequências e não culpar ninguém por elas. Faz bem pouco tempo.

Voltei para minha cidade natal sem ter a sensação de que precisava viver longe dos meus pais para me autoafirmar como um ser livre. Quis casar, quis ter filhos. Abri mão do mundo da sedução, da novidade a cada noite. Avançando mais uma casa neste jogo da vida, abri mão de mim mesma para cuidar de outra pessoa. Foi quando achei não que tinha virado adulta de vez, mas que tinha enlouquecido!

Sim, a vida de adulto assusta. Mesmo quando você já está nela há algum tempo.

É chato ser adulto? Se você ainda não chegou lá e olha de fora, é. Mas se chegou, não é chato nem legal. É apenas uma escolha, com seus prós e contras. Como qualquer outra. Só é ruim se não estiver conectada com seu coração e não tiver sido por vontade própria.

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