OPINIÃO
10/07/2015 14:58 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

A real sobre casamento e paixões, sem mitos

Getty Images/Vetta

Estou casada há seis anos. E há seis anos não me apaixono por outra pessoa a não ser o meu marido. Não sei se é por conta do casamento ou pura coincidência. Quem disse que, se estivesse solteira, teria me apaixonado por alguém? Paixões não acontecem assim, toda hora. Tampouco descarto a possibilidade de acontecer futuramente. Tolinha quem pensa que é imune.

O coração não para de bater, os olhos não param de observar e as ofertas não cessam depois do famoso e romântico sim entre duas pessoas. Não necessariamente o casamento é a principal variável que influencia nossos corações a ficarem mais fechados.

Muitas pessoas que conheço "sofreram" dessa invasão de privacidade chamada "paixão" depois de casadas. Não é uma tragédia, não é imoral, não é sacanagem. É mais do que natural. Afinal, depois do matrimônio, a vida continua. Ok, o nosso foco tende a mudar, olhamos menos para os lados e não perambulamos mais tanto por lugares de azaração nos expondo com roupa justa e decote. Mas, fala sério, quantas vezes você já se apaixonou por alguém que conheceu nesses lugares? Geralmente nos apaixonamos pelo colega de trabalho, de sala de aula, pelo vizinho, o amigo do amigo. E essas pessoas continuam nos rodeando. Um dia, pimba, um estalo acontece e te pega despreparada. "Ah, você deu espaço. Você se insinuou" e blá blá blá, vão acusá-la. Simplistas eles.

Em certos momentos, depois de anos de casada, o coração parece que parou de bater. E de repente você percebe que há tempos não sente mais frio na barriga. Até que um terceiro elemento apareça e te provoque sensações que você achava que era coisa de adolescente. Você quase acreditou que ser maduro e adulto era perder a ânsia por se apaixonar. Mas o sentimento te invade e é mais forte do que você. Às vezes é tão forte porque você conheceu um cara incrível e passou a desejar mais o homem do que o casamento (ao contrário do seu marido, que você se esforçou para amar e continuar amando porque desejava o casamento). E você não sabe se ri ou se chora. Se fica triste ou feliz. Se sente culpa ou alegria.

Você precisa tomar uma decisão: dar vazão ao sentimento e bancar uma traição? Dar vazão ao sentimento e bancar uma separação? Dar vazão ao sentimento mas guardar para si como um segredo a sete chaves? Sufocar o sentimento e fingir até para si mesma que nada está acontecendo? Ou colocar a questão no colo do parceiro para que ele decida se mata o terceiro elemento, se mata você, se se suicida, se vai embora ou se te reconquista?

A fidelidade é uma escolha racional, mas a paixão não. Angústia, sofrimento, conflito. Como a nossa vulnerabilidade é capaz de destruir a aparentemente inabalável legitimidade da instituição casamento. Qualquer moralismo cai por terra diante de uma paixão. E o mundo de fantasia cor de rosa é invadido por tons de vermelho sangue. De repente nos damos conta do óbvio: não temos controle absoluto sobre os nossos próprios sentimentos. De repente descobrimos que é possível amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo, e que amar uma pessoa só para todo o sempre é um mito. Por melhores que sejam sua índole e suas intenções, você pode e muito provavelmente vai se apaixonar diversas vezes depois de ter optado pela monogamia para sempre.

Então eu me pergunto: de quantas paixões o seu casamento vai escapar ao longo da vida? Ou de quantas escapadas ele vai precisar para durar? Será que de fato amamos as pessoas ou amamos amar? Talvez não haja resposta. A esperança é que seja possível vivenciar o amor platônico e se beneficiar do sentimento de estar viva que ele lhe trás sem machucar ninguém. Nem a si mesma. Desde que você compreenda que a paixão tende a acabar assim que se concretiza.

E aí, vai encarar?

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