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Vitória Moss

Antropóloga

Vitória Moss tem 32 anos e aprendeu com Beauvoir que mulher não nasce, se torna. Antropóloga de formação, nunca exerceu a profissão. É neurótica, na melhor das hipóteses e não tem gatos, só ficantes. Nasceu na Jubilee line (linha cinza) do metrô de Londres, alguns momentos antes da estação de Canary Wharf, devido a um suposto atentado do IRA que parou o metrô por algumas horas. Cresceu em São Paulo, filha de mãe brasileira judia e pai galês que vive, supremamente feliz, em Cardiff, com nova esposa e filhos.
Amor, sexo e

Amor, sexo e vazio

O fato é que eu sabia e ele sabia que não veríamos mais as caras; eu a dele, ele a minha, que se tornavam, rápido, imagens borradas, assim que se fechou a porta do elevador art decô do prédio antigo com ar aristocrático decadente localizado no 7o andar de um desses bairros habitados por judeus e dandies modernos.
11/04/2015 12:58 -03
'Ele gostava de jazz e sabia fazer massagem. A noite foi

'Ele gostava de jazz e sabia fazer massagem. A noite foi perfeita'

Em nosso encontro, a conversa girou em torno do que giram em torno as conversas em primeiros encontros: um pouco de artes, algo sobre viagens e trilhas pouco exploradas e anedotas pouco engraçadas e autocondescendentes que contamos mais para preencher o vazio do que para se relacionar com o outro do outro lado da mesa.
28/11/2014 13:55 -02
'Fui criada por um tio travesti e seu

'Fui criada por um tio travesti e seu marido'

Meu tio fazia arroz doce para mim durante o dia e shows à noite. Hiroshi, seu marido, era caixa no Banco do Brasil e lia haicais na minha hora de dormir. Vivíamos os três, uma felicidade que misturava cabaré e comercial de margarina, num apartamento no centro da cidade.
07/11/2014 12:13 -02

"Eu estou só"

É estranho sentir falta de alguém que não existia. Mas afeto e memória moldam a nossa percepção (até que se possa viajar na velocidade da luz), sempre míope.
24/10/2014 19:54 -02
O segundo desaparecimento de Mazen

O segundo desaparecimento de Mazen Muhammad

Breve sumário: do underground da web emergiu, no fim do ano passado, um amor palestino que havia desaparecido em 2003 e, eu tinha certeza, morrera. Só que não. Mas isso ainda não está claro.
10/10/2014 19:15 -03

"Você que me lê agora: eu te amo"

Estou de férias. Decidi que era hora quando recebi mensagem incomodada de um leitor sobre o uso da terceira pessoa ao me referir a mim mesma. Me dei conta de que era fato; eu havia me dissociado do meu eu e falar na terceira pessoa era um sintoma clássico.
19/09/2014 19:20 -03

"O seu amor a sufoca, companheiro"

Narro aqui a história de Anônimo, meu vizinho de porta e Greta, sua gata sagrada da Birmânia, cuja raça é conhecida por seu temperamento equilibrado.
21/08/2014 18:32 -03

"Toda porta aberta é uma janela para o infinito"

Ela levanta, nervosa, e me recolho no divã. Acende um cigarro. A cena é bonita. Ouço sua tragada longa e profunda, o barulho da fumaça inalada. Era impossível saber o que ela sentia.
07/08/2014 17:58 -03
Chuva, coxinha e vida após a

Chuva, coxinha e vida após a morte

É de catupiry, me disse a moça detrás do balcão, para quem eu entreguei nota de dez e segui caminho, em zigue-zague. Meu olhar se perdeu numa cabeleira loira que saía do cinema. Era Ana.
24/07/2014 17:35 -03