OPINIÃO
21/07/2014 18:27 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Obesidade pode dificultar gravidez

Mulheres obesas podem ter menos chances de conceber por ciclo, enfrentando mais distúrbios no eixo hipotálamo-hipófise-ovário, no ciclo menstrual, além de ter até três vezes mais chances de sofrer de anovulação.

Getty Images

A obesidade é um dos piores problemas de saúde da sociedade moderna. No Brasil, o excesso de peso entre mulheres saltou de 28,7% para 48% entre 2008 e 2009. Embora a maioria das pacientes obesas não seja infértil, pode-se dizer que esse grupo tem menos chances de conceber por ciclo, enfrentando mais distúrbios no eixo hipotálamo-hipófise-ovário, no ciclo menstrual, além de ter até três vezes mais chances de sofrer de anovulação.

As pacientes obesas e com sobrepeso têm um nível elevado de leptina - hormônio associado à dificuldade de engravidar. Também o processo de implantação e resposta ao tratamento pode ser mais demorado. Por isso, é importante a paciente perder peso antes de dar início a um tratamento para engravidar. Em muitos casos, a perda de peso - depois de uma modificação radical no estilo de vida e de se alimentar, ou ainda depois de uma cirurgia bariátrica - pode contribuir muito para restaurar o ciclo menstrual e a ovulação, aumentando as chances de concepção.

Nossos estudos, no Instituto Sapientiae, revelam que pessoas que modificaram seus hábitos alimentares - reduzindo o consumo de fast food e bebidas alcoólicas - durante o tratamento de fertilização assistida, duplicaram suas chances de engravidar. A propósito, a fast food faz muito mal à saúde como um todo e tem levado a um aumento sem precedentes dos casos de obesidade e diabetes, impactando também o potencial de um casal gerar um bebê. Além das carnes que levam hormônios para ficarem mais tenras, os alimentos que levam gordura trans na composição representam um verdadeiro perigo para a saúde, podendo comprometer as futuras gerações.

O diabetes tipo 2, por exemplo, geralmente está associado à obesidade e resistência à insulina. Essas duas condições podem causar deficiência hormonal na mulher, assim como ciclo menstrual irregular e infertilidade. Já o diabetes tipo 1, que normalmente acomete pacientes jovens, ocorre quando as células no pâncreas que produzem insulina são destruídas por anticorpos. Esse processo também pode se estender a outros órgãos endócrinos - incluindo os ovários - e impossibilitar a gravidez.

Por fim, é importante saber que gestantes que não mantêm o diabetes bem controlado nas primeiras semanas de gravidez têm entre duas e quatro vezes mais chances de gerar uma criança com defeitos genéticos, estão mais sujeitas a hemorragias, abortos e partos prematuros. Também a fertilidade masculina é impactada pela obesidade e o diabetes, que resultam em maior quantidade de material defeituoso e, consequentemente, podem levar à infertilidade, problemas de gestação e abortos espontâneos, principalmente quando o paciente não sabe que está diabético. Estudos apontam que a cada seis casais em que um dos cônjuges é portador do diabetes tipo 2, pelo menos um precisa recorrer a técnicas de fertilização assistida.

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