OPINIÃO
10/02/2014 10:41 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:51 -02

Infertilidade: carga emocional é forte e necessita de ajuda especializada

Um em cada seis casais enfrenta algum grau de dificuldade para engravidar durante o ciclo reprodutivo. Depois de um ano de tentativas frequentes sem sucesso -- inclusive no período fértil --, o ideal é recorrer a um especialista em medicina reprodutiva. Dados da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE) indicam que entre 20% e 35% das mulheres têm um componente psicológico importante que pode estar associado à infertilidade. Fatores relacionados ao estilo de vida, como o fumo, o excesso de peso e o estresse certamente são muito importantes também. Mas é preciso que as pacientes percam o medo de buscar ajuda especializada.

Anualmente, no mundo todo, nascem cerca de 350 mil bebês como resultado de 1,5 milhão de ciclos de tratamentos de reprodução assistida. Vale ressaltar que a inabilidade em conceber uma criança é estressante demais para algumas mulheres, podendo desencadear quadros de depressão, ansiedade, raiva e baixa auto-estima. Estudo divulgado no jornal Human Reproduction mostra que, em 63% dos casos, as pacientes relataram que seus parceiros deram todo suporte emocional necessário durante o tratamento. Em 33% dos casos, foi constatada uma aproximação ainda maior do casal durante o tratamento. Isso nos leva a crer que, apesar de ser uma fase emocionalmente conturbada, as mulheres precisam buscar apoio emocional/psicológico para erradicar o medo e se preparar melhor para as demandas do tratamento.

No Brasil, as clínicas de referência em reprodução assistida já oferecem suporte emocional para atenuar as crises de ansiedade e estresse intrínsecas ao tratamento de fertilização. Desde a primeira consulta, é preciso esclarecer o casal sobre o período que vai atravessar e garantir que receba apoio psicológico durante todo o processo. Assim, ambos estarão mais preparados para encarar todas as fases com mais tranquilidade. Caso contrário, a infertilidade pode acabar repercutindo em vários aspectos da vida em comum e, inclusive, pôr em risco a estabilidade do relacionamento.

A infertilidade também pode se transformar numa experiência dolorosa no contexto sexual do casal, em que o prazer é substituído pela lembrança amarga da incapacidade de conceber. Também por conta desse aspecto bastante relevante, durante todo o tratamento, o casal deve ser acompanhado e reavaliado sob o aspecto emocional. Um especialista deve conversar regularmente com o par sobre seus sentimentos, checar a qualidade do sono e as mudanças em atividades de lazer. Dessa forma, é possível ter um bom parâmetro sobre os problemas que eventualmente podem estar ocorrendo.

Mesmo quando a origem do problema é masculina, é no corpo da mulher que ocorre a maioria dos procedimentos. Sendo assim, como a paciente é o principal foco das atenções nesse processo, deve sentir-se totalmente amparada emocionalmente pela clínica de fertilização assistida. Ao limitar ao máximo o desgaste emocional da paciente, conseguimos cumprir cada etapa com sucesso e chegar ao tão esperado resultado da gravidez. Por isso, é fundamental que as pacientes se familiarizem mais com essa realidade e não permitam que o estresse comprometa nem o relacionamento, nem o desejo da maternidade.