OPINIÃO
20/10/2014 17:03 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

Por que Dilma não pergunta a Aécio sobre seu vídeo bêbado?

Reprodução/Montagem

Um vídeo circulava na internet em 2012 e ganhava polêmica. Aécio Neves, provável candidato à presidência pelo PSDB na época, aparecia trançando as pernas embriagado em uma calçada.

Em seguida, adentrava um bar visivelmente sem equilíbrio e, após uma procura de dez segundos em sua carteira, tirava uma cédula e dava de gorjeta a um barman.

Segundo o blogueiro de O Globo, Anselmo Gois, a nota tinha uma garoupa nela: ou seja, valia R$ 100.

O PSDB é conhecido por dar pouca importância ou ficar contra políticas sociais de distribuição de renda. A piada estava pronta: Aécio estava distribuindo a sua renda com o garçom.

O questionamento na campanha presidencial de 2014 ao tucano, sobre o vídeo, é legítimo. Uma figura pública deve zelar pela sua imagem, ainda mais se for um presidente da República.

Se eleito presidente, Aécio Neves se envolveria em episódio igual?

A ausência da menção ao vídeo mostra que a metralhadora de ataques preparada por Rui Falcão e outros cérebros do PT poderia estar ainda mais carregada.

O PSDB acusa o partido governista de insuflar o ódio na campanha. Os petistas devolvem a acusação. De fato, os ataques são recíprocos.

Mas como acabar com esse ódio?

O candidato A começa a fazer ataques. O candidato B os responde com mais ataques. Aécio, no caso, critica os ataques de Dilma, mas também não deixa de fazê-los.

Como, então, pode-se levantar a bandeira branca? "Eu paro se você parar também?"

Uma consideração é que só se faz ataques se existir artilharia, a menos que se crie factoides. Dilma Rousseff possui um governo envolvido em casos de corrupção, assim como o seu partido. Entretanto, sua imagem é limpa e carrega uma história de respeito de combate à Ditadura Militar.

Já Aécio sempre se envolveu em questões complicadas. Além do vídeo, já foi acusado pelo jornalista Juca Kfouri de ter agredido a então noiva e hoje sua mulher, Letícia Weber, em uma festa no Hotel Fasano, no Rio, em novembro de 2009.

Disse o respeitável blogueiro e opositor público do tucano, em um texto intitulado "Covardia de Aécio Neves", que o político "deu um empurrão e um tapa em sua acompanhante" e que a "imprensa brasileira não pode repetir com nenhum candidato a presidência da República a cortina de silêncio que cercou Fernando Collor, embora seus hábitos fossem conhecidos".

O incidente teria sido presenciado por "diversas testemunhas", e, em relação ao casal: "cada um foi para o lado, diante do constrangimento geral."

Após Aécio chamar a acusação de "caluniosa", Juca Kfouri afirmou que a mantinha "inalterada". O jornalista não foi processado pelo que disse.

O tucano também sempre é alvo de indiretas quanto ao uso de cocaína por jornalistas, adversários políticos e mesmo aliados. Textos são carregados de expressões como "a candidatura está só o pó".

É célebre artigo publicado em O Estado de S. Paulo, em fevereiro de 2009, pelo já falecido colunista Mauro Chaves. O jornalista critica a pressão do tucano para se definir no partido quem seria o candidato à presidência em 2010.

O título do texto: "Pó pará, governador?"

Tratam-se de casos que mostram que ou o tucano não possui uma vida imaculada, ou é alvo de um complô de partidos mais a mídia que, por meio de uma tática nazista, transforma mentiras repetidas em verdades. O eleitor decide.

Os discursos do PT

A segunda consideração é de que é impossível evitar, não o ódio durante a eleição presidencial, mas a existência de confrontos.

As sociedades envolvem conflitos de classes sociais desde que alguém decidiu separar um pedaço de terra e dizer: "isso é meu!". De fato, o PT abusa do marketing eleitoral desde que na campanha de 2002 trocou parte das bandeiras políticas por Duda Mendonça e fez Lula vestir ternos e aparar a barba.

Mas a discussão de interesses, de "pobres" contra "ricos", é verdadeira, pois os interesses dos dois lados são opostos.

O partido que justamente, por questões eleitorais, evidencia isso agora, é quem já disse governar para todos. O slogan do Governo Lula era "Um país de todos", mas isso é impossível.

Ou o governo utiliza mais dinheiro para executar programas sociais, ou para aumentar o superávit primário, por exemplo, economia para pagar juros da dívida pública em grande parte a banqueiros.

O PT no governo tenta conciliar interesses com uma política econômica de elementos liberais ao mesmo em tempo que mantém programas como o Bolsa Família.

O resultado desse "morde e assopra" tem sido distribuição de renda, ainda que muito pequena na visão dos partidos de esquerda do País que exigem mais mudanças.

O PT alterna, desde 2002, entre um discurso mais esquerdista de "conflito de classes" e outro mais "paz e amor".

A questão é que a eleição envolve interesses e discursos bem mais profundos do que apenas ataques de ódio.

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