OPINIÃO
27/07/2015 12:56 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Marhaba! Apresentando o HuffPost Árabe

Todas nossas outras edições internacionais se concentram em um único país, mas o HuffPost Árabe vai cobrir todo o mundo árabe - composto por 377 milhões de pessoas em 22 países, da Mauritânia, no canto noroeste da África, a Omã, na ponta leste da Península Arábica - e também a diáspora árabe que vai do Brasil ao Japão.

LONDRES - Merhaba direto de Londres, onde estamos lançando o HuffPost Árabe, nossa 14a edição internacional, em parceria com Wadah Khanfar e a Integral Media Strategies.

Todas nossas outras edições internacionais se concentram em um único país, mas o HuffPost Árabe vai cobrir todo o mundo árabe - composto por 377 milhões de pessoas em 22 países, da Mauritânia, no canto noroeste da África, a Omã, na ponta leste da Península Arábica - e também a diáspora árabe que vai do Brasil ao Japão.

A cobertura jornalística costuma olhar o mundo árabe de fora para dentro, e a voz das pessoas mais afetadas pelos acontecimentos frequentemente não é ouvida. Nossas reportagens originais, feitas por jornalistas independentes, vão destacar a riqueza do mundo árabe - debates políticos e notícias econômicas, mas também arte, cultura, religião, tradições, comida e histórias humanas. E, no dia do lançamento, vamos publicar vídeos originais sobre todo tipo de assunto: de como conseguir e manter um emprego a uma montagem dos melhores anúncios exibidos na TV durante o mês do Ramadã.

Estou especialmente empolgada com a plataforma de blogs do HuffPost Árabe. Qualquer pessoa que tiver algo a dizer - de políticos a líderes empresariais, ativistas a estudantes - poderá compartilhar sua visão (em forma de texto, vídeo ou imagens) sobre qualquer assunto: política, religião, cozinha, poesia e histórias pessoais.

No dia do lançamento, nossos colaboradores incluem a rainha Rania, da Jordânia, escrevendo sobre a importância de aumentar a presença árabe na internet; o roteirista sírio Hakam Al Baba, sobre a confusão na esteira da Primavera Árabe; Ali al-Dhafiri, escritor e personalidade de TV saudita, sobre as relações mutantes do Irã com a região; um jovem poeta e ativista egípcio, que fala sobre o passado e o futuro de seu país; uma jovem empreendedora síria que escreve sobre os efeitos transformadores da internet; e estudantes de Egito, Sudão e Jordânia.

Dada a enorme audiência do YouTube na região (é a segunda maior depois dos Estados Unidos), vamos destacar YouTubers de todo o mundo árabe. Vamos apresentar uma dezena de YouTubers, incluindo o comediante superstar jordaniano Abu Al Ghoor falando de lendas urbanas e superstições, o cartunista e cineasta Malek Najar discutindo questões sociais da Arábia Saudita por meio de cartuns, e o editor multimídia do HuffPost Árabe Ahmed Behiry, do Egito, que vai apresentar um programa de sátiras políticas. Duas horas de vídeos originais são criados na região a cada minuto. Os sauditas, por exemplo, assistem em média três vezes mais vídeos que os americanos - os vídeos, portanto, vão ser muito mais centrais que nos outros nossos lançamentos.

Vamos mostrar um retrato completo da região, relatar todos os desafios e também as soluções e inovações. Apenas três anos atrás, o mundo assistiu milhões de árabes saindo para as ruas - do centro de Túnis à praça Tahrir, no Cairo - e inundando as mídias sociais, pedindo mais representação. Mas agora só 38% dos jovens árabes acreditam que o mundo árabe é um lugar melhor. Essa porcentagem era de 72% em 2012. Mais da metade da população do Oriente Médio e do Norte da África tem menos de 25 anos. A região tem os mais altos índices do mundo de desemprego entre jovens: 27,2%. E 79% dos jovens do Oriente Médio dizem que o maior desafio de sua geração é arrumar um emprego - com 2,8 milhões de pessoas entrando para a força de trabalho a cada ano. Além disso, é claro, a região enfrenta a ascensão devastadora do ISIS, do extremismo e das tensões étnicas e sectárias.

Vamos cobrir tudo isso, bem como problemas e crises como desigualdade de gênero e falta d'água. Mas vamos cobrir com a mesma determinação o que funciona - as soluções, inovações e atos de compaixão que muitas vezes não aparecem na cobertura do mundo árabe. Nossa seção chamada "Hulou" (حلول), que significa soluções, vai ter lugar de destaque e é parte essencial da nossa iniciativa editorial global do Tem jeito!, sob a liderança do editor-chefe do HuffPost Germany, Sebastian Matthes.

Hoje estamos cobrindo a história de um violoncelista iraquiano que se apresenta nas ruínas de ataques terroristas para lembrar as pessoas com sua música que a vida continua; de um jovem rapaz de Omã que criou um robô que limpa os espaços de ablução (a limpeza ritual dos muçulmanos antes da reza); do artista que cria desenhos inspiradores nas paredes dos campos de refugiados sírios; de refugiados sírios que alteram as roupas que recebem como doação para que elas estejam mais a seu gosto.

Além do estresse óbvio daqueles que vivem cercados pela violência, milhões no mundo árabe enfrentam o mesmo estresse e estafa que afligem o resto do mundo, exacerbados pela chegada da tecnologia a todas as áreas da vida moderna. Uma pesquisa recente com funcionários de 73 empresas no Oriente Médio apontou que o estresse é o maior risco de saúde da região. Os principais fatores são "a erosão do equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, especialmente com tecnologias que exigem que os trabalhadores estejam à disposição mesmo fora do escritório; falta de clareza quanto às expectativas; e equipes pequenas demais". Nos Emirados Árabes Unidos, onde a pressão para trabalhar muitas horas é prevalecente em vários setores, 60% dos entrevistados relataram estresse. Na Arábia Saudita, os pesquisadores concluíram que 68% dos estudantes sofrem com a privação de sono - o terceiro índice mais alto do mundo. Crianças têm cada vez mais acesso a tablets, smartphones e computadores, o que as faz ir para a cama mais tarde e causa rupturas na rotina natural do sono - isso foi apontado como um dos maiores responsáveis pelo problema. A questão se tornou tão importante que os professores sauditas começam a planejar lições levando em conta o cansaço dos alunos. Quando chega a época de provas, os universitários do país recorrem a estimulantes (inclusive o Captagon, que é ilegal) para virar noites estudando. A falta de descanso não afeta só os estudantes sauditas. Dados divulgados pela Diretoria Geral de Trânsito do país revelam que no ano passado 4 mil pessoas morreram em acidentes causados por motoristas que dirigiam com sono. Uma pesquisa do Centro de Transtornos do Sono da Universidade Rei Saud apontam a falta de sono como um dos principais causadores de acidentes de trânsito no reino.

No contexto do estresse e da estafa, a adhan - chamada para as orações --, que soa cinco vezes por dia, é um momento para parar e reavaliar o que realmente importa. Amo o que Jordan Denari, do Centro para Compreensão Muçulmano-Cristã, da Universidade Georgetown, escreveu:

"A adhan, como o dobrar dos sinos de igrejas, nos pede gratidão, apreciação e atenção... É por isso que a adhan pode ser benéfica para todos - mesmo aqueles que não são muçulmanos ou não acreditam em Deus. Para a maioria das pessoas, algo é 'maior', tenha o nome de Deus ou qualquer outro. A adhan nos ajuda a lembrar o que dá sentido à nossa vida e pode nos ajudar a cultivar uma atitude de gratidão. Ela pode nos ajudar a tirar os olhos do celular e prestar atenção no céu azul, nas sombras que se estendem na neve ou no sorriso das pessoas que cruzamos na rua."

Nos próximos meses e anos, esperamos explorar na plataforma HuffPost todas essas ricas tradições e o que elas significam no moderno mundo árabe.

Estamos honrados de fazer essa parceria com Wadah Khanfar, presidente da Integral Media Services. Khanfar nasceu na cidade palestina de Jenin, na Cisjordânia. Hoje ele vive em Doha, no Qatar. Khanfar foi diretor-geral da Al Jazeera, onde criou uma rede internacional de mídia a partir de um simples canal de TV. Nossa equipe do HuffPost Árabe é comandada pelo editor-chefe Anas Fouda, que vem da Al Jazeera, onde ele tinha o cargo de produtor executivo de novas mídias. Anas cresceu no Egito e passou metade da vida na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos e no Qatar, antes de se mudar para a Turquia.

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Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.