OPINIÃO
17/02/2016 07:39 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

Apresentando Young Minds Matter, com a ajuda da Duquesa de Cambridge

A saúde mental de nossa população jovem também está associada a outro assunto pouco discutido: o sono. A privação de sono tem uma forte relação com praticamente todas os transtornos mentais que conhecemos, especialmente depressão e ansiedade.

Temos a honra de dar as boas-vindas para uma editora convidada muito especial, Vossa Alteza, a duquesa de Cambridge.

Junto com os editores do HuffPost UK, ela vai lançar Young Minds Matter (mentes mais novas são importantes, em tradução livre), uma nova iniciativa global de conscientização sobre saúde mental e crianças. Queremos abrir a conversa sobre saúde mental -- uma questão muito estigmatizada e discutida só aos sussurros, se é discutida.

A duquesa, como o mundo sabe, é mãe de duas crianças pequenas e sabe a importância de jogar luz sobre essa questão, especialmente para as pessoas vulneráveis e sem voz. E o timing não poderia ser melhor, pois estamos num momento em que não só entendemos a profundidade dos desafios de saúde mental enfrentados pelos jovens como temos muitas ferramentas para que eles tenham a ajuda de que precisam.

Como escreve o editor-chefe do HuffPost UK, Stephen Hull: "No Reino Unido, hoje, estima-se que haja 70 mil crianças de 11 anos com transtornos mentais - isso é suficiente para encher o estádio do time de futebol Manchester United".

Eis um retrato da saúde mental nos Estados Unidos:

- Uma em cada cinco crianças entre 13 e 18 anos têm, ou terão, doença mental séria.

- Aproximadamente metade dos estudantes de 14 anos ou mais com doenças mentais abandona o ensino médio.

- 70% dos jovens nos sistemas de justiça locais e estaduais têm doenças mentais.

- Entre aqueles entre 10 e 24 anos, o suicídio é a terceira principal causa de morte, e 90% daqueles que se suicidam têm uma doença mental subjacente.

A duquesa acredita firmemente que devemos abrir a conversa sobre jovens e doenças mentais.

"Toda criança tem o direito de crescer conhecendo seu potencial e se sentindo a confiança de que não vai tropeçar no primeiro obstáculo", disse ela recentemente, no lançamento da Semana da Saúde Mental Infantil, primeira iniciativa do gênero no Reino Unido, em parceria com a Place2B, uma instituição de caridade apoiada por ela.

"Embora nem sempre possamos mudar as circunstâncias da criança, podemos dar a ela as ferramentas para lidar com os problemas e prosperar."

É por isso, como escreve Stephen, que a série Young Minds Matter "será lançada com foco nas áreas que ela valoriza, incluindo programas que têm o objetivo de ajudar crianças do ensino básico, esforços para intervir o mais cedo possível, a importância de romper o ciclo das questões mentais multigeneracionais e o progresso que se obtém com a arteterapia".

A saúde mental de nossa população jovem também está associada a outro assunto pouco discutido: o sono.

Portanto, como parte da iniciativa, vamos nos concentrar nas maneiras pelas quais a atual era dourada da ciência do sono - na qual há praticamente um novo estudo por dia sobre os benefícios do sono - pode nos ajudar a abrir a conversa sobre a saúde mental, com o potencial de transformar vidas.

O sono afeta nossa saúde mental tão profundamente quanto nossa saúde física. A privação de sono tem uma forte relação com praticamente todas os transtornos mentais que conhecemos, especialmente depressão e ansiedade.

"Quando você encontra depressão, mesmo quando você encontra ansiedade, por baixo da superfície, em 80% a 90% dos casos, você encontra também problemas de sono", diz Brad Wolgast, psicólogo da Universidade de Delaware.

No grande estudo britânico sobre o sono, os pesquisadores descobriram que as pessoas com o sono atrasado têm probabilidade sete vezes maior de se sentirem desamparadas e cinco vezes maior de se sentirem solitárias.

Pesquisadores do Canadá e da França descobriram que ir para a cama cedo pode reduzir os riscos de doenças mentais. A explicação é que distúrbios do sono interferem com nossos níveis de dopamina.

E, quando se trata especificamente dos jovens, se realmente levarmos a saúde mental deles a sério, temos de incluir o sono na conversa.

Rupturas no sono são particularmente perigosas para bebês e crianças pequenas. Os cérebros das crianças passam por uma fase crítica de plasticidade enquanto elas tentam absorver o máximo de informações possível e adquirir uma gama enorme de habilidades: língua, coordenação motora e visual, habilidades cognitivas etc. - é por isso que as criancinhas aprendem tão rápido. Mas isso não acontece se elas não dormirem bem, e o tempo suficiente.

Em 2012, pesquisadores do Albert Einstein College of Medicine e da Universidade de Michigan observaram mais de 11 mil crianças britânicas, da época em que eram bebês até os sete anos de idade.

Eles descobriram que, aos quatro anos, as crianças que roncam, têm apneia do sono ou respiram pela boca - todos potenciais sinais de ruptura no sono - tinham entre 20% e 60% maior probabilidade de desenvolver problemas comportamentais. Aos sete anos, a probabilidade passava de 40% a 100%. O sintoma mais comum era a hiperatividade.

Por todos esses motivos, como escreve Stephen, "agora é a hora de dar voz para essa questão urgente, para que possamos reimaginar uma sociedade que trabalhe para fazer da saúde mental das crianças nossa principal prioridade". E não poderíamos estar mais felizes que a duquesa de Cambridge esteja mostrando o caminho.

Então, por favor use a hashtag #youngmindsmatter e junte-se a nós para transformar essa campanha num movimento global. E, como sempre, diga o que acha nos comentários abaixo.

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