OPINIÃO
28/02/2014 07:59 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:12 -02

Ahn-nyong-ha-seh-yo! Apresentando o HuffPost Coreia do Sul

SEUL -- Ahn-nyong-ha-seh-yo. Estou aqui para o lançamento do HuffPost Coreia do Sul, assinalando o 11º país em que o HuffPost abre para a conversa nosso enfoque híbrido de jornalismo, como portal de reportagens originais e plataforma de blogs que abriga uma grande gama de vozes, tanto novas quanto já conhecidas. E estamos muito satisfeitos por estarmos fazendo isso por meio de uma parceria com uma grande empresa de mídia, o Hankyoreh Media Group, em um dos países mais conectados do mundo (aqui 98% das residências têm acesso à internet e a internet é a mais rápida do mundo).

SEUL -- Ahn-nyong-ha-seh-yo. Estou aqui para o lançamento do HuffPost Coreia do Sul, assinalando o 11º país em que o HuffPost abre para a conversa nosso enfoque híbrido de jornalismo, como portal de reportagens originais e plataforma de blogs que abriga uma grande gama de vozes, tanto novas quanto já conhecidas. E estamos muito satisfeitos por estarmos fazendo isso por meio de uma parceria com uma grande empresa de mídia, o Hankyoreh Media Group. O jornal diário The Hankyoreh emergiu de um capítulo tumultuado na história sul-coreana que culminou com protestos amplos em junho de 1987, protestos que acabaram levando a democracia ao país. Jornalistas que tinham sido demitidos de seus cargos por contarem a verdade se reuniram e levantaram os recursos (US$ 20 milhões até o final desse que foi um dos primeiros esforços de crowdfunding!) para lançar em 1988 o jornal The Hankyoreh.

Desde a fundação do jornal, The Hankyoreh conquistou a confiança do público como defensor acirrado da democracia. Em seus 26 anos de existência, o Hankyoreh se manteve fiel à sua missão fundadora de cobrar responsabilidade de políticos e empresários, estabelecer um código de ética, construir uma base de 60 mil acionistas cidadãos e liderar investigações que já expuseram múltiplos casos de corrupção e delitos, desde vigilância militar ilegal até o conluio corporativo com o poder político. Além de suas edições impressas e online diárias, o Hankyoreh Media Group abrange a revista noticiosa semanal Hankyoreh21, a revista de cinema Cine21, a revista econômica Economic Insight e vários periódicos de pesquisas e política.

Estamos felizes também pelo fato de nosso novo parceiro estar na vanguarda em matéria do reconhecimento da importância de integrar à Coreia do Sul moderna a sabedoria e as práticas da antiguidade do país, incluindo as férteis tradições budistas que vêm de séculos. The Hankyoreh fundou um centro de pesquisas, o Hue Center, que organiza retiros de meditação e Kouksondo -- esta, uma prática que combina respiração, meditação e artes marciais e que comprovadamente reduz o estresse e a ansiedade e fomenta a produtividade. Acabo de passar a quarta e quinta-feira num retiro desse tipo, que incluiu meditação e práticas de Kousondo, além de uma bela cerimônia de refeição monástica, uma caminhada pelo majestoso jardim do Templo Magok-sa e uma apresentação a muitos chás coreanos medicinais e deliciosos (estou levando de volta a Nova York chás de crisântemo e violeta, e nunca mais farei chá de saquinho).

Estavam comigo no retiro um grupo inspirador de mulheres coreanas, entre as quais Sooan Jeon, que foi juíza durante muitos anos, depois juíza da Suprema Corte, e recentemente decidiu aposentar-se para passar mais tempo caminhando nas montanhas e fazendo trabalho pro bono; Jungsook Yoon, líder da terceira onda de feminismo, que nós aqui no HuffPost chamamos de Outra Medida, trabalhando para transformar a cultura e o local de trabalho em que as mulheres participam e para injetar valores mais profundos em nossas vidas; a CEO do HuffPost Coreia do Sul, Taesun Kwon, que é editora executiva do The Hankyoreh e um dos membros fundadores do jornal, e Mina Sohn, nossa própria editora geral do HuffPost Coreia do Sul. E a melhor parte de tudo isso é que quem comandou nossas sessões de meditação foi ninguém menos que o co-editor-chefe do Huffington Post Coreia do Sul, Bogkie Kwon, que pratica meditação e Kouksundo há 20 anos.

Assim, estou satisfeitíssima pelo fato de, após meses de preparativos, The Huffington Post e The Hankyoreh terem consumado nosso relacionamento, meditando juntos (uma maneira de fechar o acordo sem dramas, que recomendo). Sou incrivelmente grata à equipe do The Hankyoreh, incluindo o CEO Youngmoo Chung, que assumirá o cargo em breve, o CEO Yang Sang-Woo, que está deixando o cargo, além de Taesun e Bogkie, que desde o primeiro momento compartilharam nossa visão de uma plataforma que vai ultrapassar a visão de cada questão pelo prisma superado da esquerda versus a direita, empregando todas as ferramentas à nossa disposição para relatar as histórias que são mais importantes na Coreia do Sul -- e, igualmente importante, para ajudar os sul-coreanos a contar suas histórias eles próprios, em palavras, imagens e vídeo.

O filósofo belga Pascal Chabot descreveu o esgotamento nervoso total como "a doença da civilização". E a Coreia do Sul é uma das capitais mundiais desse problema. Os sul-coreanos trabalham em média 2.200 horas por ano -- mais que as pessoas em qualquer outro país do mundo, segundo a OCDE. Nas palavras do co-editor-chefe do HuffPost Coreia do Sul, Dohoon Kim, "lamentavelmente, os coreanos não sabem realmente relaxar e desfrutar a vida depois do trabalho. O governo, a mídia e as empresas enormes incentivam as pessoas a trabalhar horas extras. Não é muito excepcional ver pessoas trabalhando nos fins de semana sem serem pagas adequadamente. Quando eu trabalhava para uma empresa de revistas de moda, a CEO frequentemente contava com orgulho a história de como voltou ao trabalho apenas sete dias depois de dar à luz."

A Coreia do Sul é um dos países mais conectados do mundo. Cerca de 98% das residências têm acesso à internet, o país possui a internet mais veloz do mundo, e mais de 1 milhão de pessoas são dependentes de seus smartphones, segundo o governo. A sede generalizada de conectividade não se deve apenas aos mais recentes elementos atraentes do smartphone -- é uma questão de identidade. Como disse Youkyung Lee, repórter da Associated Press, "estar conectado é um ícone do orgulho que a Coreia do Sul sente por sua transformação, conduzida pelo Estado, de país economicamente atrasado em uma das nações mais avançadas e ricas da Ásia".

O suicídio também é uma questão importante no país. O índice de suicídio mais que triplicou entre 1992 e 2011, e, segundo a OCDE, hoje 39 pessoas se suicidam por dia na Coreia do Sul. Essa tragédia nacional está longe de ser uma estatística vaga para os sul-coreanos. A sociedade coreana tem uma palavra, "gwarosa", que significa especificamente o suicídio relacionado ao excesso de trabalho, e, em conversas com nossa equipe do HuffPost Coreia do Sul, descobri que quase todo o mundo tem amigos que se mataram devido ao estresse ou ao sentimento avassalador de fracasso. Esse é um problema complexo e de raízes profundas -- dificultado ainda mais pelo fato de que "falar abertamente de problemas emocionais ainda é um tabu", de acordo com o psicólogo e professor Dr. Kim Hyong-soo -- , mas esperamos que o HuffPost Coreia do Sul ajude a abrir a discussão do estresse, da pressão e do medo do fracasso, criando um espaço civil em que as pessoas possam não apenas trocar ideias, mas também buscar e encontrar respostas.

O HuffPost Coreia do Sul vai direcionar os holofotes sobre todos os desafios que a Coreia do Sul enfrenta, mas também sobre as soluções, incluindo os modos como os sul-coreanos estão trabalhando para reduzir o estresse e viver vidas que lhes tragam mais realização. Enquanto isso, há muita coisa acontecendo na Coreia do Sul com as quais outros países poderiam aprender, e muitos líderes coreanos estão utilizando práticas antigas para reduzir o estresse e enriquecer suas vidas. Por exemplo, sentada ao lado do ministro do Exterior no início da semana, fiquei sabendo que ele faz duas sessões diárias de 20 minutos de respiração profunda. Talvez ele possa instituir essa prática em reuniões internacionais. E, numa reunião com o Dr. Seok-Hyun Hong, presidente e CEO da JoongAng Media Network, fiquei sabendo que ele é budista praticante, e acabamos conversando sobre todas as tradições que ele incorporou em sua vida. Uma das coisas que queremos fazer com o Huffington Post Coreia do Sul é divulgar essas conversas, inspirar e apoiar outras pessoas. Na realidade, no Fórum MBN, quando fiz um discurso ali, o tema foi a Criatividade para o Crescimento e o Bem Maior. No próprio momento em que a Coreia do Sul enfrenta uma desaceleração econômica e as consequências não intencionais do crescimento acelerado do passado, há um reconhecimento crescente de que é preciso haver um novo caminho para avançar que permita aos sul-coreanos aproveitar sua criatividade e capacidade de inovação, ao mesmo tempo reduzindo o custo imposto à sua força de trabalho pelo estresse, que já cobrou um preço humano tremendo. O país já está começando a combater alguns de seus problemas. Por exemplo, para combater a dependência digital, o governo oferece ajuda psicológica a pessoas viciadas em games online, e mais e mais escolas estão procurando adiantar-se ao problema, ensinando as crianças a cultivar hábitos digitais saudáveis.

O investimento da Coreia do Sul na educação de seus cidadãos talvez não tenha igual no mundo. A trajetória percorrida pelo país -- de uma sociedade pós-II Guerra Mundial em que apenas 5% da população tinha diploma do ensino secundário até hoje, quando 75% de seus habitantes se matriculam na universidade -- já foi descrita como "o milagre educacional sul-coreano". No dia do SAT (o equivalente ao vestibular), veículos policiais e de emergência dão carona a estudantes que precisam de ajuda para chegar aos locais das provas.

É claro que o HuffPost Korea será um espaço para a discussão e celebração das contribuições culturais singulares da Coreia do Sul, desde um de seus principais produtos de exportação, o K-pop (Gangnam Style!) e sua vibrante indústria cinematográfica até a comida e culinária coreanas, incluindo os deliciosos kimchi (vegetais fermentados). Na terça-feira conheci Miky Lee, a neta do fundador da Samsung, que hoje comanda o CJ Group e pode, sob muitos aspectos, ser descrita como a mãe do setor de entretenimento sul-coreano. "É notável que [os Lee] passaram do absolutamente nada no entretenimento para o sucesso incrível", já comentou David Geffen.

E agora direi um pouco mais sobre nossa equipe do HuffPost Coreia do Sul. Quando se trata de Outra Medida na Coreia do Sul, poucos já fizeram mais para liderar pelo exemplo que a editora geral do HuffPost Coreia do Sul, Mina Sohn. Em seu último ano do ensino secundário, o pai de Mina lhe recomendou tirar uma folga e ir devagar, então ela passou um mês no campo, fez exercícios na montanha e estudou, voltando totalmente refeita. Hoje ela é uma das mais renomadas autoras e jornalistas televisivas da Coreia do Sul, tendo apresentado um programa de notícias no horário nobre na KBS, a BBC da Coreia do Sul, durante dez anos. Durante seu tempo na KBS, Mina foi a primeira a tirar um ano do trabalho, tempo que aproveitou para conhecer Barcelona a fundo. Hoje em dia, mais pessoas estão tirando licenças sabáticas. Mina lidera uma colaboração com o HuffPost Japão para planejar um evento que reúna jovens dos dois países para uma discussão sobre o futuro. Ela também vai liderar as iniciativas do HuffPost Coreia do Sul voltadas ao desemprego juvenil e ao tratamento humanitário dos animais.

A CEO do HuffPost Coreia do Sul, Taesun Kwon, teve uma série de cargos em mais d eduas décadas no The Hankyoreh, incluindo correspondente em Paris, editora de notícias internacionais, educação e editora executiva. Ela escreveu biografias de Martin Luther King Jr. e Helen Keller.

Nossos co-editores-chefes são Bogkie Kwon e Dohoon Kim. Bogkie Kwon uniu-se ao The Hankyoreh em 1993 como repórter de política, economia e cultura, e também respondeu por vários anos pela edição de conteúdo digital. Ele escreveu sobre meditação e é também autor de um livro sobre a criação de filhos por pais feministas. Dohoon Kim foi repórter e editor do Cine21, escritor freelancer de publicações como Vogue, GQ Esquire e Harpers Bazaar, e fundou a revista de cultura e estilo masculinos GEEK.

Nossos textos de estreia no blog incluem Moon Soo Kim, governo do maior estado da Coreia do Sul, sobre como desenvolver sua própria definição pessoal de o que significa obter sucesso; o político progressista Sang Jung Shim, sobre o problema do partido trabalhista sul-coreano; o ator Euiseung Kim sobre por que a indústria de cinema sul-coreana deveria ser mais grata aos trabalhadores que a fizeram ser um grande sucesso; Kwang Pil Jung, diretor da principal escola alternativa, sobre a necessidade de ter mais paciência com estudantes num país superconectado; Kang Full, o mais famoso cartunista do país, faz uma contribuição para o lançamento com um apelo por melhores tratos para cães e gatos; Kim Kyung, ex-diretor editorial da Harper's Bazaar na Coreia do Sul, sobre como ela trocou sua carreira da mídia por uma vida mais calma em uma fazenda.

E aqui nos Estados Unidos e em nossas outras edições internacionais, estamos começando com textos de Carolyn Gregoire sobre como a Coreia do Sul pode ensinar o resto do mundo a viver bem, e Joe Satran sobre a popularidade crescente do kimchi pelo mundo.

Então, bem-vindo HuffPost Coreia do Sul! Como sempre, use a seção de comentários e nos diga o que você está pensando.