OPINIÃO
07/11/2014 15:41 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Mire as estrelas... especialmente quando há tanto em jogo

No último domingo (2), em uma reunião da Sociedade Americana de Medicina Tropical e Higiene, em Nova Orleans, Bill Gates desafiou todos nós a trabalharmos juntos para acelerar o progresso em direção a um objetivo comum ambicioso -- erradicar a malária.

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No último domingo (2), em uma reunião da Sociedade Americana de Medicina Tropical e Higiene, em Nova Orleans, Bill Gates desafiou todos nós a trabalharmos juntos para acelerar o progresso em direção a um objetivo comum ambicioso -- erradicar a malária. Isso não significa apenas evitá-la, tratá-la ou reduzir o número de pessoas contaminadas. Significa removê-la totalmente da face da Terra de modo que o parasita da malária não esteja mais presente no sangue de qualquer pessoa ou no corpo de qualquer mosquito. É uma agenda ambiciosa, mas diante da história devastadora da malária e de sua capacidade comprovada de se adaptar e resistir aos nossos esforços para simplesmente contê-la, não podemos nos dar ao luxo de recuar.

Alguns anos atrás, quando eu vivia e trabalhava na zona rural de Uganda, contraí malária. Quando fiz a longa viagem de ônibus até o hospital, tremendo e suando, perguntei a mim mesma se chegaria lá a tempo. O hospital local teria o tratamento adequado à minha disposição? Por que eu não havia conseguido evitar a malária?

Olhando ao redor no ônibus cheio de mulheres e crianças, enquanto sacudíamos em uma viagem aparentemente interminável até o hospital, lembrei-me dos enormes desafios que a malária representa para milhões de pessoas ao redor do mundo, a maioria das quais não tem tanta sorte quanto eu... Fui feliz por ter o conhecimento que me permitiu reconhecer meus sintomas e do que eu precisava; o dinheiro para pagar a passagem de ônibus até o hospital e as melhores drogas possíveis; e o tempo para esperar no hospital e ficar deitada na cama durante dias depois, em recuperação. Mas milhões de pessoas não têm tanta sorte -- cerca da metade da população mundial corre o risco de pegar malária, doença que mata uma criança a cada minuto todos os dias. Mas a malária é evitável e curável; cada uma dessas mortes é desnecessária.

É por isso que eu concordo com Bill Gates em que precisamos redobrar nossos esforços agora, utilizando nossas capacidades coletivas, experiência e recursos para nos unirmos atrás de uma ambição coletiva e visão a que todos aspiramos -- um mundo livre da malária. Por meio de meu trabalho com a Malaria No More UK [Chega de Malária Reino Unido], conheci muitas pessoas afetadas pela malária ou comprometidas com sua eliminação -- desde o nível mais básico até o nível global. A mulher que carrega seu filho doente e febril por quilômetros até uma clínica na zona rural de Gana; a pesquisadora de malária no Quênia que propõe novas maneiras de combater a doença; os líderes comunitários da Namíbia que lutam para pôr fim ao sofrimento em suas aldeias; o pesquisador no laboratório de um famoso centro de medicina tropical, que observa determinadamente em um microscópio para combater diretamente o pequeno parasita; ou o chefe de Estado profundamente comprometido com unir todos em seu país para combater a doença.

Esses esforços estão dando certo. Fizemos um progresso incrível desde 2000, com os casos de malária reduzidos em um quarto globalmente e as mortes entre crianças pequenas -- as mais afetadas -- reduzidas pela metade. Vinte e seis países estão hoje a caminho de se livrar da malária.

Mas, como afirmou Bill Gates com razão em seu discurso, há necessidade de mais para levarmos adiante o progresso que já vimos e acelerar em direção ao zero -- nossa meta definitiva. Erradicação é uma palavra grande e poderosa, e haverá questões técnicas e políticas importantes a abordar conforme avançamos. Mas o primeiro passo é organizar essa ambição coletiva. Nos últimos anos, uma coalizão extraordinária que abrange todos os níveis, todos os setores e todos os países, uniu-se no combate à malária, refletindo um amplo espectro de conquista e dedicação humana, e também de sofrimento. É exatamente o tipo de coalizão que é necessária para que nossa espécie supere a mais antiga doença do mundo.

A varíola é a única doença que foi erradicada na história da humanidade. Mas isso não teria acontecido sem um ato ousado de imaginação para começar, seguido pelos esforços combinados de pessoas dedicadas que continuaram seu trabalho com paciência e paixão, dia a dia, semana a semana, mês a mês, ano a ano. Até que a visão foi finalmente atingida.

Nas palavras atribuídas ao escritor alemão Goethe, "o que quer que você possa fazer ou sonha que pode, comece-o. A ousadia encerra gênio, poder e magia". Talvez esteja na hora de sermos corajosos e ousados, de usar grandes palavras e nos unirmos ainda mais em nosso sonho comum de exterminar a malária. As mulheres e as crianças que sofrem o grande peso dessa doença não merecem menos.

Juntos podemos exterminar a malária.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost UK e traduzido do inglês.

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