OPINIÃO
19/05/2014 15:08 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

Repulsa

Não tenho o hábito de falar de meus sentimentos pessoais nestas colunas. Mas, como a personagem de Simone no filme Welcome to New York supostamente me representa, quero apenas expressar aqui minha repulsa.

Deixo a cargo dos espectadores e críticos avaliar esse filme, se tiverem vontade de vê-lo. Muitos, por sinal, já expressaram sua opinião pouco elogiosa e o tédio que lhes causou.

Não tenho o hábito de falar de meus sentimentos pessoais nestas colunas. Mas, como a personagem Simone do filme Welcome to New York supostamente me representa, quero apenas expressar aqui minha repulsa.

Repulsa por um filme em que a exibição permanente do corpo de Gérard Depardieu, apresentado como se fosse audaz, na realidade provoca ânsia de vômito. Repulsa pelos diálogos escabrosos e grotescos. Repulsa, enfim e sobretudo, diante dos dois personagens principais, sobre os quais os autores e produtores do filme projetam suas obsessões relativas ao dinheiro e aos judeus.

As alusões à minha família durante a guerra não passam de degradantes e difamatórias. Elas dizem o contrário do que foi a verdade. Meu avô teve de fugir dos nazistas e foi destituído de sua nacionalidade francesa pelo governo de Vichy. Meu pai ingressou na organização de resistência France Libre e combateu até a Libertação. Dizer outra coisa constitui calúnia.

Eu não imaginava que teria que defender a memória deles hoje, contra ataques tão claramente antissemitas sem dúvida motivados, no caso do diretor, por seus problemas próprios e, no caso do produtor, por sua sede de lucro.

Sendo assim, não darei aos senhores Ferrara e Maraval o prazer de atacá-los na justiça. Eles já disseram que não veem a hora de isso acontecer. Eu não ataco a imundície - eu a vomito.

LEIA TAMBÉM:

- Welcome to New York, filme inspirado no ex-diretor do FMI, tem sua première mundial em Cannes