OPINIÃO
07/01/2015 19:18 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Para Cabu, Charb, Wolinski e todos os outros...

Sigam adiante. Resistam. Riam de tudo. Foi isso o que os jornalistas do Charlie fizeram, e é isso o que precisamos fazer para mostrar às vítimas que continuamos a admirar seu talento e seu compromisso com a liberdade.

Amigos estão mortos. Essas figuras conhecidas - vítimas de uma barbárie indescritível - se foram. Homens foram aniquilados. Massacrados como cães. Mas não ousaríamos massacrar cães dessa maneira.

Um jornal foi essencialmente decapitado. Não foi um ato aleatório. Os assassinos sabiam o dia exato em que os jornalistas estariam reunidos. E não foi um jornal qualquer. Foi um dos que levaram mais longe a transgressão contra o farisaísmo. Ele combatia com caricaturas. A blasfêmia contra todos os dogmas se mantinha sagrada para o país do secularismo e da liberdade.

Eles eram nossos colegas. Eram meus amigos. Jean Cabut, que me acompanhou em meus primeiros passos na televisão. Meu querido Cabu, é com um coração doído que honro sua memória. Tímido, indignado, ansioso. Sempre com fome de aprender e sempre com o mesmo corte de cabelo. Aqueles incríveis desenhos que cutucavam feridas. Nunca cruéis, mas sempre pisando no calo dos poderosos, do exército, de padres de todas as religiões. Sua família, sua parceira e seus amigos estão em meus pensamentos. Estou honrada de ter sido sua amiga.

Sigam adiante. Resistam. Riam de tudo. Foi isso o que os jornalistas do Charlie fizeram, e é isso o que precisamos fazer para mostrar às vítimas que continuamos a admirar seu talento e seu compromisso com a liberdade. A liberdade tem seu preço, e às vezes nos esquecemos que ele pode ser alto. Isso não é apenas uma frase batida. A liberdade faz exigências: proteger a paz civil a qualquer custo e não permitir que nosso desejo de viver juntos num país privilegiado como a França seja abatido por suspeitas e ódio.

Este artigo foi originalmente publicado pelo Huffington Post França e traduzido do inglês.