OPINIÃO
22/09/2014 18:05 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Cidades e países precisam colaborar no combate à mudança climática

Do Rio a Paris, de Istambul a Durban e Seul, os prefeitos já estão fazendo grande progresso em reduzir as emissões de gases do efeito estufa e minimizar os riscos climáticos.

Danita Delimont via Getty Images

No início do século 20, cerca de 15% da população global vivia em cidades. Hoje é mais da metade. As pessoas migraram para os centros urbanos atraídas pelas oportunidades profissionais e pessoais que eles oferecem. O número de cidades continua crescendo, e também as próprias cidades: São Paulo, Tóquio e Déli têm hoje mais de 10 milhões de habitantes cada. Em 2050, três quartos de todas as pessoas deverão viver em cidades.

Enquanto esse tremendo crescimento apresenta um grande número de desafios, também oferece oportunidades significativas para conduzir uma mudança positiva e moldar nosso futuro coletivo. Isso é especialmente verdadeiro em relação à mudança climática.

As cidades consomem mais de dois terços da energia do mundo e são responsáveis por 70% das emissões globais de gases do efeito estufa. Mas por essa mesma medida os vastos recursos e as economias dinâmicas das cidades permitem que elas também sejam uma parte vital da solução da mudança climática.

Do Rio a Paris, de Istambul a Durban e Seul, os prefeitos já estão fazendo grande progresso em reduzir as emissões de gases do efeito estufa e minimizar os riscos climáticos. Os prefeitos são considerados diretamente responsáveis por seus eleitores, e portanto muitas vezes podem agir de forma rápida e decisiva -- não somos intimidados pelo debate internacional nem dependentes de burocratas. Temos uma visão para o caminho para a CoP 21 em Paris e além dela; estamos mobilizando cidadãos e pressionando os líderes nacionais para que também apresentem resultados concretos.

Problemas como a mudança climática exigem soluções corajosas que também sejam financeiramente viáveis, e é responsabilidade dos prefeitos encontrá-las e implementá-las. É por isso que as cidades de todo o mundo escolheram voluntariamente não apenas definir metas ambiciosas de redução de emissões, como também trabalhar em colaboração para ajudar-se mutuamente a atingir seus respectivos objetivos.

Quando uma cidade eleva o padrão, seja por meio de uma iniciativa inovadora de reciclagem ou um programa de modernização de edifícios bem sucedido, a solução oferece um plano que as outras cidades podem seguir. Por exemplo, o novo sistema de transporte público de Santiago do Chile foi inspirado no Transmilenio de Bogotá, que foi influenciado pelo sistema de ônibus rápidos de Curitiba. Do mesmo modo, as medidas de prevenção de enchentes de Roterdã foram implementadas por outras cidades em deltas ao redor do mundo, de Ho Chi Minh City a Jacarta e Nova Orleans.

Prefeitos de todo o mundo estão agindo individualmente sobre a mudança climática, mas para que essas mudanças sejam realmente significativas elas também devem ser coletivas. É por isso que governos locais inovadores de mentalidade semelhante se uniram a redes de cidades como a nossa para combater juntos a mudança climática. Por meio dessas redes, as cidades forjaram parcerias e colaborações vencedoras com atores chaves na agenda climática, incluindo governos nacionais, agências internacionais, empresas e organizações não-governamentais de todo o mundo.

Juntos, estamos intensificando o ritmo da ação climática. Hoje reconhecidas como "atores governamentais", as cidades e nossas redes estão ativamente envolvidas na negociação de um novo tratado internacional do clima. Hoje as cidades têm voz em escala internacional -- o 108º prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, foi recentemente nomeado enviado especial para Cidades e Mudança Climática do secretário-geral da ONU. Ao demonstrar nossas realizações e o poder da colaboração, esperamos inspirar os líderes mundiais a unir-se para intensificar sua ação climática.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, convocou a Cúpula do Clima da ONU para 23 de setembro de 2014, que significará um novo marco na jornada da ação climática local com coordenação global, e um passo importante no caminho para a CoP 21 em Paris em 2015.

Na cúpula, vamos discutir compromissos mais ousados, ambições mais elevadas e maiores iniciativas quanto a finanças, resistência, preços do carbono, transporte, lixo, energia e edifícios. Cada uma dessas iniciativas nasce de uma colaboração inédita entre cidades e acrescentará apoio crítico ao caminho coletivo para Paris em 2015.

Sabemos que não há presidente, ministro, prefeito, diretor de empresa ou cidadão capaz de enfrentar sozinho o desafio da mudança climática. Para que possamos encarar esse problema com sucesso, precisamos colaborar. Como demonstrarão nossas iniciativas a ser lançadas em breve, comprometemo-nos a agir de maneira urgente e cooperar intensamente para ajudar a garantir que alcancemos um acordo climático significativo que limitará o aumento da temperatura mundial a menos de 2 graus centígrados. Líderes de países e de cidades: está na hora de enfrentarmos a mudança climática juntos.

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