OPINIÃO
16/11/2016 09:35 -02 | Atualizado 16/11/2016 09:35 -02

5 coisas que você precisa saber sobre igualdade de gênero na infância

Pra quem está em São Paulo, no dia 22.11, terça-feira, vai ter um evento sobre o tema lá no B_arco Centro Cultural, na Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, n. 426, Pinheiros, às 19:30h, com um papo com especialistas e lançamento de um kit de materiais que promove a abordagem do tema na escola. Os materiais vão ficar disponíveis pra download gratuito no site da Plan.

Gary John Norman via Getty Images
Girl proud of her soccer achievements.

Igualdade de gênero é sobre direitos e oportunidades iguais pra homens e mulheres.

Pra chegar lá, temos um caminho longo, que passa por desafiarmos estereótipos - do que é ser homem e ser mulher - que influenciaram nossas vidas inteiras e ainda influenciam a vida das crianças ao nosso redor.

Então, aí vão algumas coisas que você e as crianças precisam saber sobre igualdade de gênero:

1. Não existe brinquedo de menino ou de menina, coisa de menino ou de menina

Aprendemos, desde cedo, que existem atividades de menino e outras de menina. Ballet é coisa de menina enquanto futebol é coisa de menino. Brincar de boneca e casinha é coisa de menina, enquanto brincar de carrinho e de luta é coisa de menino.

Não à toa temos mais homens nas ciências matemáticas. Nos EUA, eles representam 74% da força de trabalho em campos ligados à ciência, tecnologia, engenharia e matemática segundo a U.S. census bureau statistics, 2011. No Brasil, o número é parecido: 70% de homens nas áreas de exatas segundo o CNPq. Em paralelo, vemos muito mais mulheres nas áreas de cuidado, como professoras, enfermeiras, babás e cuidadoras, por exemplo.

Não é porque fazer contas é uma habilidade masculina e cuidar é uma habilidade feminina. É muito mais simples: desenvolvemos o que exercitamos, o que praticamos.

As crianças vão desenvolver as habilidades que praticarem, que colocarem à prova. Por isso, é extremamente limitante que elas não possam navegar por diferentes áreas e possibilidades.

2. Nem todo homem é forte e nem toda menina é delicada

Conectamos, o tempo todo, certos adjetivos, qualidades e características a homens e mulheres, meninos e meninas.

A noção dominante de masculinidade está ligada à força, violência, brutalidade, virilidade, poder, entre outras coisas. De outro lado, a de feminilidade tem a ver com gentileza, cuidado, delicadeza e amor.

Meninos e meninas que desafiam essas noções e expressam características incompatíveis com sua categoria de gênero sofrem em casa, na escola e muitas vezes são alvo de violência.

Nem todo homem cabe na caixinha apertada do que se entende por masculino. O mesmo é válido pras mulheres. E isso não tem nada a ver com orientação sexual.

3. Sexo, gênero e orientação sexual não são a mesma coisa

Em pleno século 21 e ainda confundimos sexo, gênero e orientação sexual.

Uma explicação rápida: o sexo é biológico. Tem a ver com o aparelho reprodutor -- feminino ou masculino. É fixo, nasce com a gente. Já o gênero é uma distinção social: me entendo como homem ou como mulher, independente do meu sexo. Faz referência a como nos reconhecemos dentro dos padrões estabelecidos socialmente. Orientação sexual tem a ver com as relações, as inclinações romântico-afetivas. Esse vídeo aqui, da Comum com a Carol Patrocínio, conta a diferença de um jeito bem didático.

Se a gente entende a diferença, consegue quebrar vários preconceitos e paradigmas ligados ao assunto, consegue aceitar melhor as diferenças, se libertar e libertar pessoas ao nosso redor.

4. Meninos e meninas devem ter autonomia sobre seus corpos

Precisamos ensinar para as crianças que seus corpos são delas, em todos os sentidos: para ter cuidado e carinho, para exercitar e explorar, e como meio de autonomia e liberdade. Esse é um recado especialmente importante pras meninas.

Quando forçamos as crianças a darem beijos ou afeto a pessoas conhecidas ou desconhecidas, por exemplo, damos um recado sutil de que elas que elas devem responder emocionalmente e fisicamente de forma a agradar os outros, pra serem educadas.

As crianças precisam aprender que afeto e intimidade estão sob controle delas, e elas não devem fazer nada por obrigação - só porque o pai pediu ou as convenções sociais pregam. Se o corpo delas é delas, não deve haver exceções.

5. Tarefas domésticas são tarefas como quaisquer outras e devem ser compartilhadas por homens e mulheres

Desde cedo, estimulamos a segregação de papéis entre homens e mulheres. As meninas cuidam dos nenêns, que inclusive são fabricados para elas e só falam "mamãe" ao serem apertados. Elas brincam de varrer o chão e cozinhar papinha. Já um menino não pode nem chegar perto de uma boneca: é alarde na família, na certa.

As crianças também seguem exemplos: se é a mãe que exerce as tarefas de cuidado em casa e o pai trabalha fora, é dessa forma que elas vão compreender o mundo e as atribuições de cada gênero.

Precisamos estimular que meninos e meninas façam todo o tipo de atividade dentro e fora de casa. Só assim teremos mulheres mais autônomas em suas profissões e homens que desempenham a paternidade e funções domésticas normalmente, como algo quotidiano.

Desafio da Igualdade: o que você pode fazer pela igualdade de gênero na infância?

Esse precisa ser um assunto vivo em toda a comunidade educadora, em todos nós.

A Plan Internacional, ONG inglesa com foco em crianças e adolescentes, está lançando o Desafio da Igualdade, pra abordar igualdade de gênero na educação de crianças e incentivar os educadores a olhar pro assunto e promover a igualdade na educação.

Pra quem está em São Paulo, no dia 22.11, terça-feira, vai ter um evento sobre o tema lá no B_arco Centro Cultural, na Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, n. 426, Pinheiros, às 19:30h, com um papo com especialistas e lançamento de um kit de materiais que promove a abordagem do tema na escola. Os materiais vão ficar disponíveis pra download gratuito no site da Plan.

O evento no facebook está aqui, e pra confirmar participação tem esse formulário aqui. Inscrições gratuitas.

Então, fica a pergunta: o que você pode fazer pela igualdade de gênero na infância?

Só assim - educando pra igualdade - conseguiremos diminuir a distância entre homens e mulheres nas próximas gerações.

Vamos juntos.

LEIA MAIS:

- O que manchetes sobre o divórcio de Angelina e Brad Pitt dizem sobre a 'cultura dos tablóides'

- No episódio do Quitandinha, não podemos perder de vista o que realmente importa

Também no HuffPost Brasil:

Galeria de Fotos 11 livros infantis sobre gênero e orientação sexual Veja Fotos