OPINIÃO
27/02/2014 11:49 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:12 -02

Quem é a juventude judaica que provocou polêmica nos últimos dias?

Você leu as duas matérias publicadas pelo jornalista Reinaldo Azevedo no site da Veja sobre a polêmica Freixo-Babá? Não, então aconselho, para a compreensão do que está por vir. Primeiro este, do último dia 22. Três dias depois, ele publicou outro.

Quem são os jovens judeus que apoiam Freixo? E os que partilham da opinião de Reinaldo Azevedo? São apenas jovens, com a diferença de que pertencem a uma minoria religiosa no Brasil. Aliás, como se pode perceber pela divergência de opiniões, eles não têm todos as mesmas ideias, assim como todos os outros jovens, que não pertencem a uma massa homogênea com pensamentos idênticos, sejam eles católicos, laicos, budistas, etc.

A "juventude judaica", de que Freixo alegou ter o apoio, é apenas um grupo de pessoas entre 16 e 22 anos, mas existem vários outros judeus pelo Rio de Janeiro. Sem dúvidas, o apoio não é unânime.

Alguns podem ter se perguntado o que é esse tal de Movimento Juvenil Sionista Betar. Quem são? O que fazem? Não só no Brasil mas em todo o mundo existem os movimentos juvenis judaicos. Eles são marcos educativos que pretendem difundir ideais judaicos utilizando a educação não formal e de jovem para jovem. Há uma gama de movimentos com diversas plataformas ideologias, posturas, meio de educar. Jovens reúnem-se semanalmente, dão atividades que condizem com seus ideais e, em alguns casos, militam pelo que acreditam. Esse modelo é seguido de maneira geral em quase todos os continentes.

O Betar, que foi fundado em 1923 na Letônia, é conhecido por ser um movimento sionista revisionista de direita, ou seja, não acredita na criação do Estado Palestino e, provavelmente, não apoiaria qualquer candidato do PSOL.

Já os "jovens judeus de esquerda", que protestaram contra aqueles que disseram que Freixo era antissemita, fazem parte de outro movimento juvenil, que tem ideais, além de sionistas, socialistas. Ou seja, são opostos.

Espalhados não somente pelo Brasil, mas pelo mundo, existem diversos tipos de movimentos juvenis judaicos. Suas opiniões divergem sobre linhas judaicas, tipos de sionismo (alguns até questionam se essa ideologia é válida), visões políticas (há até os apartidários), e muitos outros temas.

"Ah, então, vocês são judeus, e eu não? Não dou a mínima! Já recebi, digamos assim, o título de 'judeu honorário' das comunidades de São Paulo e Rio -- e não creio que seria diferente com outras, de outros estados -- e, lamento por vocês, sinto-me mais preparado para defender a causa de Israel do que vocês. Façam o seguinte: conclamem a comunidade judaica a lotar, sei lá, o Morumbi e o Maracanã: aí apareçam lá com as teses do PSOL, e eu compareço com as minhas. Se a questão é saber com quem estão os judeus, eu topo o confronto. Comigo, não, violão! Eu não me intimido com esses faniquitos e correntes na internet. E sou quem sou porque não me intimido", é o que diz Reinaldo de Azevedo em seu primeiro texto para a Veja. O que é realmente complicado em suas palavras, além da confusão do que seria um "judeu honorário", é o desmerecimento da opinião desses jovens, que têm direito de serem de esquerda, de apoiarem o PSOL, de serem sionistas à sua maneira.

Apoiar ou não o Estado Palestino não faz alguém mais ou menos judeu, como diz o colunista. Cada um tem suas opções de como militar, como se posicionar politicamente, como exercer sua religião. Isso não há quem no mundo possa julgar.