OPINIÃO
24/03/2015 18:30 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Os dez procedimentos que você deve rejeitar na gravidez

A conclusão de diversos estudos realizados nas últimas décadas é que todo o avanço tecnológico, que deveria estar salvando mulheres e bebês durante o parto, estaria na verdade colocando dezenas de vidas em risco todos os dias, e a principal causa seria o uso desenfreado da tecnologia.

Grazia Mele/Flickr
premaman - maternità © Grazia Mele

Você vê a gravidez como uma época fora do comum, que requer esforço e dedicação sobrehumana da mulher? Se você respondeu sim a esta pergunta, talvez esteja na hora de começar a pensar na gestação de uma forma mais simples. Algo como um rito de passagem, mas sem o estresse que é atribuido a ele na atualidade.

De acordo com a ONG americana Consumer Report, os EUA possuem um dos mais avançados sistemas de saúde do mundo. No entanto, o país apresenta uma das piores taxas de mortalidade materna e infantil durante o parto entre os países desenvolvidos. O vizinho Canadá tem algo em torno de 25% de casualidades a menos, e o Japão possui um índice de mortalidade 60% menor que nos EUA.

A conclusão de diversos estudos realizados nas últimas décadas é que todo o avanço tecnológico, que deveria estar salvando mulheres e bebês durante o parto, estaria na verdade colocando dezenas de vidas em risco todos os dias, e a principal causa seria o uso desenfreado da tecnologia.

O site da ONG compilou uma lista de dez procedimentos muito usados rotineiramente que, de acordo com os resultados, devem ser repensados pelas famílias que queiram ter filhos. A informação de qualidade é um ponto chave na questão - as famílias devem ter acesso às taxas de cesáreas de hospitais e planos de saúde, bem como infomação sobre todos os riscos de cada procedimento. Confira as principais intervenções e práticas que devem ser recusados:

1. Marcar cesárea eletiva antes da DPP (Data Provável do Parto): de acordo com a nova tabela da ACOG (o colégio americano de ginecologia), os bebês só são considerados a termo a partir das 39 semanas. Quando o bebê está pronto para nascer, o último órgão que resta amadurecer, que é o pulmão, libera hormônios no organismo materno, desencadeando o trabalho de parto. Só o feto sabe a hora de nascer. Tirar o bebê antes da mãe entrar em TP aumenta o risco de complicações respiratórias no feto.

2. Induzir o parto sem razão clínica comprovada: a indução de parto, o famoso "sorinho", nunca deve ser feito de rotina. O seu uso sem indicação pode aumentar as dores do trabalho de parto de forma repentina, desarticulando o processo natural ou até provocando sofrimento fetal, eventualmente.

3. Cesárea em primíparas em gestação de baixo risco: é preciso evitar a primeira cesárea. O procedimento pode vir a comprometer todo o futuro obstétrico da mulher.

4. Cesárea de repetição após uma primeira cesárea: seja qual for a razão da primeira cesárea, não se deve marcar uma cesárea na gestação seguinte automaticamente, e sim esperar pelo trabalho de parto.

5. Ultrassons depois da 24ª semana de gestação: esse exame pode ser muito útil se usado paliativamente. Mas após as 14 semanas de gestação, a US perde a capacidade de medir tamanho, peso e idade gestacional com precisão, devendo ser usado apenas para dar estimativas desses valores, ou em casos onde a gravidez apresente complicações.

6. Monitoramento eletrônico contínuo: o monitoramento é essencial quando há sinais de perigo como febre, sangramentos com dor intensa, pressão irregular ou coceira incomum, mas nas gestações saudáveis o monitoramento constante, como o exame com o cardiotoco, é invasivo e deve ser evitado.

7. Analgesia muito cedo durante o TP: antes considerada a "solução" para o parto vaginal, agora tem sido considerada com muito mais cuidado. A analgesia pode causar reações inesperadas e desencadear, assim como qualquer outro procedimento de rotina, uma série de eventos que pode pôr em risco a vitalidade da mãe ou do feto.

8. Descolamento de membranas de rotina: essa é uma forma de indução que vem sendo abolida por não apresentar evidências da sua eficácia se aplicado rotineiramente. De fato, o descolamento aumenta o risco de infecção materna.

9. Episiotomia de rotina: essa prática vem sendo combatida no mundo todo por não apresentar resultados mais satisfatórios do que a laceração natural. A recomendação atual é orientar a gestante em TP a adotar posições mais verticalizadas, usar piscina ou banheira durante o expulsivo, fazer exercícios pélvicos e conhecer seu corpo para sentir a hora certa de fazer força para evitar danos na região.

10. Colocar o recém-nascido num berçário: a primeira hora de vida do bebê é conhecida como a "hora de ouro". A OMS recomenda que o bebê seja imediatamente colocado em contato pele a pele para manter a temperatura corporal e fortalecer a ligação com a mãe para facilitar a amamentação, que deve acontecer também dentro dessa primeira hora. A amamentação pode ajudar na saída da placenta, que é o último estágio do parto, e reduzir a hemorragia. O alojamento conjunto é fortemente recomendado para que esse processo seja o mais prazeroso possível.