OPINIÃO
20/02/2015 17:12 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:22 -02

8 passos para burlar o sistema cesarista e ter um parto respeitoso

Quando se quer fazer cesariana eletiva, é só você dizer que quer uma cesariana, marcar e pagar. Mas se você quer um parto normal, vem uma lista enorme de itens para checar. Não sabia disso? Não adianta apenas querer parir. É preciso enfrentar uma série de obstáculos para parir com respeito na maioria dos lugares.

Adrian DreÃler/Flickr

Vi um daqueles posts do tipo "o que é preciso para agradar um homem", com a resposta sendo "sexo e comida", enquanto que para agradar a mulher vem uma lista enorme de itens, e penso que no Brasil está igualzinho a isso no quesito via de nascimento.

Quando se quer fazer cesariana eletiva, é só você dizer que quer uma cesariana, marcar e pagar. Mas se você quer um parto normal, vem uma lista enorme de itens para checar. Não sabia disso? Não adianta apenas querer parir. É preciso enfrentar uma série de obstáculos para parir com respeito na maioria dos lugares. Algumas poucas cidades contam atualmente com atendimento humanizado, como Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo e Salvador. Se você não mora em nenhuma delas, aqui vão algumas dicas, não para "tentar" parir - em tempos, não tente parir, diga eu vou parir - mas para tentar driblar o sistema e parir:

1. Busque um grupo de apoio ao parto humanizado: procure saber se há um grupo de apoio ao PN na sua cidade ou na região em que você mora. Esses grupos têm coletado informações importantes não só sobre os benefícios de um parto normal, mas também sobre médicos que aceitem acompanhar PN, médicos tipo humanizados e médicos humanizados. Vá aos encontros regularmente e comece a se preparar.

2. Busque equipe humanizada: a primeira opção deve ser um médico humanizado, ou obstetriz, ou enfermeira obstétrica para compor a equipe de parto domiciliar como plano A, com um médico de confiança como plano B, para casos de transferência para um hospital. Na falta de profissionais humanizados, procure ao menos por um médico tipo humanizado ou que aceite atender a partos normais. Se não encontrar um médico, verifique os hospitais da região para ver a taxa de cesáreas eletivas deles. Quanto menor, melhor. Veja os plantonistas também, ou se o hospital tem enfermeiras obstétricas que atendam de forma humanizada. Há ainda casas de parto. Em alguns locais é provável até que se encontre ainda parteiras tradicionais.

3. Empodere-se: ter equipe humanizada é metade do caminho. A outra metade depende da mãe. Ela tem que estudar sobre como se manter saudável na gravidez para aumentar suas chances de parir tranquilamente, incluindo alimentação e exercícios pélvicos (também conhecidos como Exercícios de Kegel). Tem que saber o que esperar do trabalho de parto: como começa, quanto tempo pode durar, como fazer para ter um parto tranquilo, formas naturais de alívio da dor. Sabendo isso, a mãe e a equipe estarão capacitadas para lidar com qualquer intercorrência que surgir de forma tranquila, inclusive aquelas complicações em que somente é preciso ter tranquilidade para que o PN progrida sem maiores questões.

4. Encontre a sua serenidade: ficar ansiosa não vai adiantar muito. A gestante tem de perceber que o parto é um processo natural e que é preciso muita calma nessa hora. Ler sobre o trabalho de parto, ver vídeos de parto, falar com outras mães, ler relatos de parto são fundamentais para a mentalização desse fato. Curta a barriga! Curta até os sintomas ruins. Se depois disso tudo você ainda estiver nervosa porque você é naturalmente nervosa, vá ver comédias, vídeos de bebês rindo, de animaizinhos fofos para esperar o trabalho de parto começar. A ocitocina, que é responsável de todo o processo reprodutivo da mulher, só funciona bem com a mãe calma.

5. Faça um plano de parto: tenha um documento dizendo como você quer o seu parto. Saiba que há muitos procedimentos de rotina que você pode e deve evitar. Peça a assinatura da equipe (se for "tipo humanizada") para que todos estejam cientes da sua vontade.

6. Se for parir em casa, busque com antecedência profissionais ou grupos de apoio para se informar sobre como registrar uma criança nascida em casa, há toda uma burocracia a ser vencida.

7. Busque o apoio da família; traga os familiares para o seu lado, mostrando as evidências científicas de que você está fazendo a coisa certa para você e o bebê. A gravidez já é uma época muito especial para a mulher, e saber que estão todos te pressionando para fazer uma cesárea só vai te deixar nervosa. Se não houver jeito, simplesmente só fale sobre parto normal com quem entenda o seu ponto de vista e ignore comentários contrários.

8. Exija da equipe cuidadora exames completos de pré-natal. Alguns lugares não pedem, por exemplo, exames mensais de urina para detectar sinais de infecção urinária ou de pré-eclâmpsia, duas condições que, se tratadas a tempo, podem evitar um parto prematuro ou uma cesárea. Saiba que fazer exame de ultrassom mensalmente não é sinal de um pré-natal eficiente. Ultrassom não é balança e, depois das 14 semanas de gestação, pode errar a idade gestacional do feto, o seu peso e o seu tamanho. Foque nos exames de sangue, de urina, de pressão, na movimentação do bebê para saber se está tudo bem. Tenha atenção aos sinais de perigo como dor de cabeça intensa, sangramentos, febre, pressão alterada, coceira, visão turva ou convulsão.

VEJA TAMBÉM:

Galeria de Fotos 9 GIFs incríveis de bebês dançando Veja Fotos