OPINIÃO
24/02/2015 21:32 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:03 -02

A crise da água e o velho truque do coelho na cartola

Em uma situação de crise, independente do motivo ou setor que ela ocorra, o mínimo que se espera de um governante é um plano de ação, ou seja, um conjunto de medidas para diminuir seus impactos, lidar o melhor possível com a situação e solucionar o problema. Chegamos ao final de fevereiro e, até o momento, nada disso foi feito, nem ao menos um comunicado oficial à população sobre a redução de pressão da água, por exemplo.

Estadão Conteúdo

Em uma situação de crise, independente do motivo ou setor que ela ocorra, o mínimo que se espera de um governante é um plano de ação, ou seja, um conjunto de medidas para diminuir seus impactos, lidar o melhor possível com a situação e solucionar o problema. Chegamos ao final de fevereiro e, até o momento, nada disso foi feito, nem ao menos um comunicado oficial à população sobre a redução de pressão da água, por exemplo. Somente entrevistas extraoficiais em jornais e canais de televisão.

É pouco provável que o governador, em conjunto com os diretores da Sabesp, não saibam o que fazer. Me parece, então, que o que nos falta é desvendar qual estratégia está sendo adotada por eles nessa situação e é exatamente isso que venho me perguntando há algum tempo. Depois de refletir um tanto, acredito ter encontrado uma resposta: estratégia do Governador é o ilusionismo, como em um grande truque de mágica!

No meio do ano passado, com a proximidade das eleições e o medo da reverberação da crise no número de votos, ela foi negada veementemente. Intriga da oposição! Esse primeiro passo é idêntico ao primeiro passo do ilusionista, ao mostrar a cartola vazia para a plateia para assegurar que não há nada dentro dela.

Passada a eleição e garantido um novo mandato, o coelho foi puxado da cartola e, junto com ele, um conjunto de obras milionárias a serem realizadas em parceria com o Governo Federal para tirar São Paulo do fundo do poço. O problema é que o fundo do poço deveria ser fundo o suficiente para aguardar as obras ficarem prontas, em 2 ou 5 anos, com sorte.

Aqueles que já viram o truque do coelho tirado da cartola sabem que ele só termina quando o coelho volta a desaparecer. A grande habilidade do ilusionista é, na verdade, manter o foco da plateia em algo secundário e, sem que as pessoas se deem conta, realiza o truque e some com o coelho. Acredito que é justamente nesse momento do truque que nos encontramos.

O governador, com ajuda das mãos ágeis e habilidosas da grande mídia, chama a atenção da população para algo secundário. Dizem que os reservatórios estão enchendo, que subiram X% com as últimas chuvas (conta bastante duvidosa, um truque de ilusão a parte), e que com a utilização da Billings não haverá necessidade de rodízio de água.

O problema é que, diferente da plateia de um show de mágica, que aplaude o truque ao final e vai embora, nós, paulistanos, não iremos embora e, consequentemente, veremos que o coelho continua ali. O que precisamos fazer é impedir que o coelho se transforme em um elefante branco, daqueles que todos sabem que está no meio da sala, mas fingimos não ver. Precisamos nos mexer o mostrar que, apesar do truque, não é possível iludir a população por muito tempo. Como uma criança sabichona que estraga a mágica, precisamos gritar aos quatro ventos: Governador Ilusionista, estamos vendo o coelho escondido no fundo da cartola!