OPINIÃO
04/09/2014 17:11 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Under Armour coloca Gisele Bündchen pra lutar

A modelo brasileira estrela campanha da marca que agora tenta fincar raízes no país

Reprodução/YouTube

A nova campanha de marketing da marca americana de material esportivo Under Armour (algo como 'Sob a Armadura') tem estreia global marcada para hoje. E a estrela dessa campanha é a super top model brasileira Gisele Bündchen, casada com o jogador da NFL Tom Brady, quarterback do time New England Patriots.

A marca, que é muito conhecida entre os amantes do futebol americano, pretende fincar suas raízes no Brasil e passou a negociar com o São Paulo FC para substituir a Penalty no fornecimento de seus uniformes. Porém, o que se comenta entre os especialistas, é que a Puma leva vantagem junto à direção do Tricolor paulista para o acerto comercial.

Sem ter o futebol garantido, a Under Armour busca alternativas para aumentar o conhecimento de sua marca por aqui. E o caminho é por meio das lutas. Além de colocar Gisele em um treino socando e chutando, no filme inicial da campanha, a Under Armour trata com o UFC, o maior evento de MMA do planeta, a uniformização de seus lutadores contratados (mais de 300, entre homens e mulheres de diversas categorias de peso) a partir de 2015. Sendo assim, os lutadores deverão usar as roupas e acessórios da marca nos eventos oficiais do UFC, contando os treinos abertos ao público, pesagem e dia da luta.

A questão é delicada no segmento, uma vez que a decisão afetará a pequenas e médias empresas e impedirá o lutadores de ganharem um patrocínio (grana) extra em exposições pontuais de seus confrontos, ao entrarem e saírem do octógono. O mercado, que não vive um bom momento no Brasil em vendas, pode afunilar ainda mais o seu número de players e 'nocautear' inclusive marcas consolidadas, restando a elas apenas a exposição em eventos nacionais, de menor repercussão na mídia.

Consultado sobre a questão há alguns meses, Ismail Wallid, idealizador do evento Jungle Fight (o maior no Brasil depois do UFC), endossou a proposta de uniformização. "O UFC é a Copa do Mundo e quer valorizar suas marcas (patrocinadoras). Eu concordo. Para o UFC, é a melhor coisa do mundo. O UFC construiu este esporte, promovendo outras marcas, e trouxe muito benefícios para todo mundo. Tudo tem de ser colocado na balança. O evento tem de contribuir com suas marcas".

A Adidas é outra que pode pintar no UFC, desbancando a própria Under Armour. Nos bastidores, fontes do mercado dizem que existe uma queda de braço. Com o mote 'I Will What I Want', a campanha da Under Armour com Gisele Bündchen já gera efeito no valor das ações da empresa na bolsa americana (subida de 4%) e no mundo do marketing esportivo. A empresa ofereceu um contrato de cerca de 275 milhões de dólares, por 10 anos, à brasileira.

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