OPINIÃO
14/07/2014 15:12 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

Ressaca 'braba' da Copa das Copas

Parece que há muito tempo até 2018. É apenas aparência.

Laurence Griffiths via Getty Images
RIO DE JANEIRO, BRAZIL - JULY 13: Philipp Lahm of Germany raises the World Cup trophy with teammates after defeating Argentina 1-0 in the 2014 FIFA World Cup Brazil Final match between Germany and Argentina at Maracana on July 13, 2014 in Rio de Janeiro, Brazil. (Photo by Laurence Griffiths/Getty Images)

Ponto final no Mundial de 2014. Entre vitoriosos e perdedores, sobreviveram todos. Talvez, esta não seja a Copa das Copas. No entanto, no final das contas, o saldo é positivo. Mesmo com tantos erros no planejamento do evento (por parte do governo e da própria Fifa, no caso da máfia dos ingressos), da incapacidade administrativa em cumprir com o dever de deixar um legado além da competição e de estádios modernos, a receptividade e a alegria dos brasileiros se sobressaíram. O país abriu seus braços para a maior festa do esporte na terra do futebol. Se dentro do campo fomos muito aquém, de desempenho medíocre, do lado de fora o povo honrou a camisa.

Hoje vivemos a ressaca 'braba' de uma Copa sensacional, de jogos repletos de gols (2,67 é a média final por partida, a maior desde 1998), da emoção de torcer por sua seleção. Foi uma novela pura e realista que transcende qualquer dramaturgia, até aquela comum de se jogar dentro da área e cavar um pênalti. O começo, o meio e o fim afloraram sentimentos que demorarão a serem esquecidos pelos amantes do jogo. E, com o futebolzinho apresentado pela seleção brasileira, a final entre Alemanha e Argentina foi digna e abençoou o Maracanã. Prevaleceu com méritos a equipe de melhor performance e simpatia ao longo da disputa.

A lição deixada pelos alemães serve de reflexão para o pentacampeão: o coletivo é mais eficiente do que o individualismo? Por muito tempo, achávamos que a arte, a criatividade do drible, fosse suficiente. Isto é passado. O futebol atual requer uma aplicação tática, capaz de furar qualquer paredão. A Argentina sustentou sua garra até onde conseguiu, saiu de cabeça em pé, só que sem a taça. Agora, 'hermanos', terão de aguentar a gozação como a que os brasileiros sofreram com a derrota humilhante para os tetracampeões. Resta, por aqui, a intenção de mudar os rumos do nosso futebol. O vexame do escrete canarinho abriu uma ferida enorme, que escancarou a verdade do futebol brasileiro. Por outro lado, a oportunidade bate à porta da CBF. Tá na hora de corrigir os erros. Senão... piores resultados virão.

Parece que há muito tempo até 2018. É apenas aparência. De nada adianta, se fundações não forem bem enraizadas. Cometeremos pecados semelhantes. Muita calma nessa hora. Na minha singela opinião, um técnico estrangeiro no comando da Seleção, por exemplo, não é sinônimo de sucesso. O problema é mais fundo, na base dos clubes, no ensinamento dos fundamentos do futebol, na mentalidade (e que precisa expurgar este desequilíbrio que tanto vimos em choro no Mundial), na gestão com governança corporativa. Respeitemos o exemplo alemão.

Mais pitacos:

#1 - Pelo menos nesta Copa, Maradona foi melhor do que Pelé. O ídolo argentino foi atencioso e esteve presente em muito jogos. Foi estranho o sumiço do Rei, em sua própria terra, dos estádios. A prisão de seu filho Edinho por envolvimento com o tráfico de drogas, durante o evento, deve ter afetado demais a sua saúde. Edinho já teve sua prisão revogada.

#2 - A Fifa deu a nota 9,25 para a Copa no Brasil. Na edição passada, na África do Sul, a nota foi 9. E qual é a nota da Fifa? Para o brasileiros, provavelmente não passará de 5 com um belo chute no traseiro.

#3 - A festa de encerramento (para o brasileiro, foi mais um funeral) não empolgou, segundo os especialistas na área. Ivete Sangalo superou Shakira com um seus sucessos do passado, do penta em 2002. Quanta nostalgia! O Fuleco nem era vivo na época.

#4 - Messi, o melhor jogador da Copa? Nem ele acreditou. Para falar a verdade, não estaria no meu time do Mundial. Jogou menos do se esperava dele. Arjen Robben, da Holanda, era quem deveria ter ficado com o troféu, com menção honrosa para James Rodríguez, da Colômbia.

#5 - Sem times brasileiros nas semifinais da Libertadores, teremos de nos virar com a sequência do Brasileirão. Só de pensar nos estádios vazios e nas brigas de torcidas organizadas, fico com o estômago embrulhado. Volta Copa!

Acompanhe mais artigos do Brasil Post na nossa página no Facebook.

Para ver as atualizações mais rápido ainda, clique aqui.

MAIS COPA NO BRASIL POST:

Galeria de Fotos Memes da reta final da Copa Veja Fotos