OPINIÃO
11/06/2014 10:41 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Questão Diego Costa não é o cerne do problema

Na época, foi uma decisão que chocou o técnico Luiz Felipe Scolari e a imprensa esportiva verde-amarela: como um jogador renega a Seleção e decide jogar a Copa, no Brasil, por outro país?

Getty Images
LANDOVER, MD - JUNE 07: Diego Costa of Spain looks on during an international friendly match between El Salvador and Spain at FedExField on June 7, 2014 in Landover, Maryland. (Photo by David Ramos/Getty Images)

No final do ano passado, um centroavante de ofício gerou incidente diplomático no mundo da bola entre a Espanha, atual campeã mundial, e o Brasil, país pentacampeão e que sediará a Copa dentro de alguns dias. Este jogador, que em menos de dois anos ganhou estrelato com seus gols pelo Club Atlético de Madrid-ESP, é Diego Costa.

Brasileiro de Lagarto, Sergipe, ele foi convocado a dois amistosos pelo escrete canarinho (em março de 2013 - contra Itália e Rússia), mas preteriu a pátria de chuteiras para retribuir tudo o que conquistou em solo espanhol e vestir a camisa da 'Roja'. Na época, foi uma decisão que chocou o técnico Luiz Felipe Scolari e a imprensa esportiva verde-amarela: como um jogador renega a Seleção e decide jogar a Copa, no Brasil, por outro país?!

Eu também me peguei matutando sobre o assunto. De início, a revolta. Pois é o sonho de qualquer criança honrar a camisa da Seleção e brigar por 200 milhões de aficionados dentro de campo. Seria incrivelmente impossível alguém desdenhar este desejo que transcende classe social ou credo. Por outro lado, ao optar pela seleção espanhola, Diego Costa quebrou definitivamente a corrente com o seu país natal e escancarou o que já se sabe há décadas: ao invés de exportar a arte, estamos exportando o artista. E, para aqueles que ignoramos sua existência, estamos pagando o preço de ver a sua arte em outras seleções. Triste, porém é a realidade.

O atacante já disse, em outras oportunidades, que está retribuindo o carinho que recebeu dos espanhóis. Nada mais justo. Diego pouco fez em terras brasileiras e, logo cedo, foi desbravar Portugal e Espanha. Aqui, ele apenas desfilou pelo Barcelona de Ibiúna, em São Paulo, sem sucesso. Depois de algumas temporadas atuando emprestado por Braga-POR, Celta de Vigo-ESP, Albacete-ESP e Valladolid-ESP, ele fincou suas raízes no gramado de Vicente Calderón, se tornando ídolo 'colchonero'. Nesta última temporada, foi decisivo no ataque e sagrou-se campeão da Liga, com 28 gols anotados. Além disso, foi o craque 'rojiblanco' que liderou o time até a final da Champions League contra o rival Real Madrid. Diego, machucado para o embate histórico, fez mera presença em campo e saiu no começo da decisão.

Recuperado dos problemas físicos, ele é um dos alicerces da Espanha para a Copa. É matador e pode ajudar na campanha da equipe espanhola rumo ao bicampeonado. Hoje (10/06), na coletiva de imprensa em Curitiba, onde a Espanha está baseada para o Mundial, Diego tocou novamente no assunto de sua delicada decisão. "Muitas pessoas no Brasil entendem o que fiz. As coisas estão bem. Me tratam bem, da maneira que esperava. Tenho o apoio de muitas pessoas que entendem o que aconteceu", afirmou Diego, de 25 anos, que deve se transferir para o Chelsea-ING, na próxima temporada.

Particularmente, acho que Diego sofrerá com a pressão de encarar os brasileiros. Somos torcedores emotivos e nos expressamos da pior maneira nos estádios. É possível que receba vaias homéricas, assim como a seleção espanhola tomou durante a Copa das Confederações, no ano passado. É possível que povo brasileiro não esteja pensando na sua família ao demonstrar indignação, embora seja possível que haja aplausos caso o Brasil saia da Copa mais cedo e a Espanha chegue até a final. Tudo pode acontecer. Só não é mais possível aguentar erros na gestão do nosso futebol, que maltrata os jogadores brasileiros e os expulsa a outra pátrias de chuteiras. Este é o cerne do problema. A culpa não é de Diego Costa.

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