OPINIÃO
07/07/2014 13:16 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

O melhor ataque é a defesa

O engraçado, agora, é que o emocional dos jogadores, tão questionado contra o Chile, seja a saída para a vitória diante da Alemanha, na semifinal de amanhã. A falta de Neymar, e a suspensão do capitão Thiago Silva, reverteram a pressão em força.

VANDERLEI ALMEIDA via Getty Images
(L-R) Brazil's defender David Luiz, goalkeeper Julio Cesar and defender Thiago Silva sing their national anthem before the start of the round of 16 football match between Brazil and Chile at The Mineirao Stadium in Belo Horizonte during the 2014 FIFA World Cup on June 28, 2014. AFP PHOTO / VANDERLEI ALMEIDA (Photo credit should read VANDERLEI ALMEIDA/AFP/Getty Images)

A perda de Neymar Jr. é irreparável para a Seleção e muito se falou sobre o assunto nos últimos dias. O atacante, porém, nos jogos eliminatórios contra o Chile (oitavas) e Colômbia (quartas), não foi determinante em comparação aos duelos da primeira fase. É claro que abriu espaços, driblou, passou a bola e ajudou na marcação. Só que suas atuações não mostraram tanta dependência do escrete canarinho de sua estrela máxima.

O Brasil melhorou muito no embate contra os colombianos. Oscar e Hulk, sem falar na dupla de zaga artilheira formada por David Luiz e Thiago Silva, apareceram mais na partida. E o coletivo da equipe, na parte tática e técnica, vem se aprimorando a cada confronto.

O engraçado, agora, é que o emocional dos jogadores, tão questionado contra o Chile, seja a saída para a vitória diante da Alemanha, na semifinal de amanhã. A falta de Neymar, e a suspensão do capitão Thiago Silva, reverteram a pressão em força. A garra deverá ser ponto forte da equipe no Mineirão (e a torcida entoará seu apoio durante os 90 minutos, sabendo que pode fazer a diferença). A entrada de Dante no lugar de Thiago Silva aportará conhecimento das características do time alemão, uma vez que a base da seleção é do Bayern de Munique, onde joga o zagueiro brasileiro. Saber se antecipar ao atacante Müller, por exemplo, companheiro de Dante na Alemanha, será fundamental para o sucesso da defesa. Já David Luiz dispensa comentários. Ele é o cara da Copa e será o capitão do Brasil, o grande motivador dentro de campo. Maicon deverá seguir na lateral direita.

Na posição de Neymar, Willian tem mais chances de entrar. O meio-campista já vinha treinando como o atacante do Barcelona-ESP desde o jogo inaugural contra a Croácia, quando o camisa 10 brasileiro levou um cartão amarelo. Sendo assim, Hulk e Fred fazem a dupla de ataque, com o herói dos quadrinhos jogando nas costas do lateral-direito e capitão germânico Philip Lahm. Oscar é deslocado para a direita, trocando com Willian pelo meio, assim como atuam no Chelsea-ENG. Luiz Gustavo retorna de suspensão no lugar de Paulinho. Por outro lado, Felipão pode manter os três volantes - Luiz Gustavo, Fernandinho e Paulinho - ou colocar o zagueiro Henrique como líbero no time para dar mais espaço a Oscar na criação e munir a dupla de atacantes. O atacante Bernard, da alegria nas pernas, corre por fora para substituir o craque.

Na verdade, para mim, não importará tanto o esquema tático. Com ou sem Willian, com dois ou três marcadores no meio, o Brasil deve jogar compacto, forçando a pegada na frente, para roubar a bola e marcar logo no início, ou se postando atrás como uma muralha intransponível. Pode ser que o time fique mais equilibrado, na qual a pressão seja repartida igualmente entre todos. Creio que o time vai explorar muito a velocidade de Hulk pela esquerda e de Oscar pela direita, com mais chances de a bola chegar em Fred, para sua redenção. Em suma, nossa defesa é o melhor ataque. É preciso aproveitar as chances no contra-golpe e matar o tique-taque alemão, de segurar a bola. Eu acredito na vitória brasileira.

Outros Pitacos:

#1 - Na outra semifinal, o blog aposta na vitória suada da Argentina, com a catimba típica, em um jogo movimentado e cheio de gols contra a Holanda. 3 a 2 para os 'hermanos' com um gol de Messi no final do segundo tempo, no último minuto. Mesmo assim, minha torcida será para Robben e Cia., contrariando meu próprio prognóstico.

#2 - O sucesso da Copa, limando de vez as premonições de fracasso, tem uma razão: o povo brasileiro. A receptividade, a alegria em festejar e a paixão pelo futebol (lotando os estádios) transformaram a percepção do estrangeiro. As belezas naturais sempre estiveram aí, mas a sociabilidade do brasileiro espantou. Imagina se tivéssemos feito metade do planejado.

#3 - O desabamento do viaduto Guararapes, na Av. Pedro I, em Belo Horizonte, quinta-feira passada (3), e que fazia parte das obras para a Copa, é o ponto final que ilustra o descaso do Executivo com as promessas não cumpridas, ainda mais pelo o estado do viaduto que transparecia rachaduras e más condições. Infelizmente, morreram duas pessoas e mais de 20 ficaram feridas.

#4 - Não acredito que o resultado do Brasil nesta reta final influenciará fortemente a eleição presidencial no fim do ano. A meta, de chegar à semifinal, já foi atingida e qualquer placar (de vitória ou derrota) dificilmente mudará a reação popular na hora de votar. Dessa vez, a Copa não terá um viés político.

#5 - A Copa está acabando e, com ela, a interferência da Fifa no País. Não deixará saudades pelos mandos e desmandos que cometeu ao longo de todo o período pré-Copa, somado ao lucro que obteve (mais de US$ 2 bilhões) com o evento sem ter de pagar um tostão de imposto. É bem possível que, na saída, a Fifa leve 'um chute no traseiro' do povo brasileiro. E esta história da Máfia dos ingressos ainda vai dar muito pano para manga e muitos podres podem surgir. É o legado da PF para a Copa!

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