OPINIÃO
10/03/2014 13:32 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:12 -02

Marketing de falastrões para sustentar o TUF Brasil

Há duas semanas, o viral divulgado na web pelo UFC contendo a briga do brasileiro Wanderlei Silva com o norte-americano Chael Sonnen, treinadores da terceira temporada nacional do TUF - The Ultimate Fighter, deflagrou uma reação em cadeia nas redes sociais dos dois países. Segundo dados fornecidos pelo maior evento de MMA do planeta ao blog (até o fechamento deste post), 2 milhões de pessoas viram o vídeo em que os dois lutadores se pegaram em plena gravação do reality show, que reestreou neste domingo, 9 de março, na Rede Globo. Só no Brasil o post teve 11 mil curtidas e 1,4 mil compartilhamentos. Na terra do Tio Sam, foram 16 mil curtidas.

Tanto Wand como Sonnen são dois dos principais lutadores do casting do UFC e gostam de provocar seus adversários para a promoção de lutas, um artifício de marketing muito utilizado neste universo. Embora os episódios já tenham sido gravados, ambos atletas ainda geram buzz junto aos fãs, alimentando a rivalidade dos dois países e a expectativa para o dia do confronto ao vivo, marcado para 31 de maio, depois das finais entre os pesos médios e pesados. A estratégia de contar com dois falastrões é usada pelo UFC para alavancar a audiência do reality na Globo depois da fracassada temporada do ano passado, quando os times eram liderados por Fabrício Werdum e Rodrigo Minotauro, e o programa ficou escondido, durante as madrugadas, na grade da emissora.

Nesta edição, outra inovação no conteúdo está por conta das participações especiais de dois ícones do esporte brasileiro. A ex-jogadora de vôlei da seleção Isabel é a assistente de Wanderlei, enquanto a rainha do basquete Hortência fica ao lado de Sonnen. A Globo também apostou na consultoria do diretor Boninho, do Big Brother Brasil, no reality para fugir do enfoque jornalístico e prender a atenção do telespectador. Vale tudo pela audiência!

Crescimento no PPV

Em fevereiro de 2011, estive em Las Vegas (EUA) para a cobertura do UFC 126, do então imbatível Anderson Silva, campeão dos médios, encarando o fenômeno tão famoso Vitor Belfort. O embate foi chamado de 'Luta do Século' e gerou uma nova fase do esporte no Brasil, amplificando sua repercussão, inclusive entre leigos. Antes desta luta, Anderson Silva era um mero desconhecido do grande público daqui e caminhava pelas ruas sem ser importunado.

A partir de lá, o UFC se estabeleceu definitivamente no Brasil, abrindo um escritório próprio em São Paulo, e realizou uma série de edições por aqui (este ano, a previsão é de 7 a 9 eventos em solo brasileiro). Na época, o UFC 126 bateu todos os recordes de pay-per-view do Canal Combate (137 mil novas vendas). Hoje, o recorde é de 200 mil novas vendas para revanche do Spider contra Weidman, no ano passado (Fonte: Revista VIP/ Editora Abril).

"Nos últimos anos, registramos crescimento considerável na nossa base de assinantes e projetamos seguir neste sentido. O objetivo é de fato popularizar esse esporte. Há um público potencial enorme. Nosso site tem uma média de 24 milhões de acessos por mês, estamos perto de 2 milhões de seguidores nas nossas redes sociais e as audiências na TV aberta também são bastante relevantes. Aliado a isso, o Brasil é um dos principais mercados para o UFC e somos um parceiro importante", enfatiza Daniel Quiroga, gerente de negócios do Canal Combate, do sistema Globosat, para o blog.

Muita coisa mudou desde 2011 com a entrada do UFC no Brasil. É notório. No entanto, se o reality show foi o trampolim para a massificação do esporte nos Estados Unidos há alguns anos, o programa ainda precisa nocautear a desconfiança para se consolidar no Brasil e afirmar seu crescimento. A 'responsa' está nas bocas e nos punhos de Wanderlei Silva e Chael Sonnen.