OPINIÃO
24/02/2014 16:01 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:12 -02

Exemplo de Sochi serve ao Brasil

Gastança com o dinheiro público, atrasos para construção de estádios, e o inepto legado em mobilidade urbana, aeroportos e tantos outros pontos prometidos. Estes são alguns dos erros que afetarão o modo com o mundo nos vê.

A Olimpíada de inverno de 2014, em Sochi, na Rússia, se encerrou no último final de semana. Independentemente do resultado do quadro de medalhas, os jogos podem servir de exemplo para a Copa do Mundo que está por vir, em junho. Jornalistas esportivos do mundo inteiro reclamaram das condições encontradas para realizarem a cobertura midiática no país de Putin. Reportagens, posts e comentários ilustraram, por exemplo, uma infraestrutura hoteleira bem aquém do esperado, sem internet nos quartos, ausência de televisão e sistema de aquecimento, água amarela saindo das torneiras, etc. A (má) experiência retratada influencia a imagem negativa do país junto à opinião pública mundial, tendo como pano de fundo o egocentrismo do líder russo (e seus US$ 51 bilhões gastos). E como resultará a imagem do Brasil após a realização da Copa? Por enquanto, o mar não está para peixe, certo, deputado Romário?!

A gastança com o dinheiro público e os atrasos para a construção (ou reforma) de 12 estádios nas cidades-sedes (alguns deles considerados elefantes brancos), e o inepto legado em mobilidade urbana, aeroportos e tantos outros pontos prometidos culminaram com a insatisfação da população e o início de protestos. Todos esses fatos foram amplamente destacados lá fora. Infelizmente, o Brasil deixou de aproveitar uma bela oportunidade para reverter a imagem de um país com alto risco de investimento e de mudar muita coisa (a começar, pelo transporte público).

Não discuto aqui de quem é a culpa pelos erros cometidos e tão repetitivos, sejam pelas autoridades, COL (Comitê Organizador Local), a própria Fifa ou qualquer outro. Mas sim como estes enganos estão causando danos. Conversei com amigos especialistas em marketing esportivo e todos alertam para a imagem que estamos promovendo e que iremos deixar. "Sem dúvida, nossos erros afetaram como o mundo nos vê", comenta o colunista do jornal Lance! Amir Somoggi. "Se uma notícia ruim já não é bom, imagine um conjunto delas. Claro que temos notícias boas, mas as ruins têm peso preponderante em função da gravidade das mesmas e na forma como os estrangeiros percebem o Brasil", completa Fábio Wolff, da Wolff Sports.

Hospedagem, segurança, telecomunicações, acessibilidade, obras. Eleja um tema. Sempre há desconfiança bem fundamentada e repercussões negativas. O megainvestidor da bolsa e filantropo americano Warren Buffett tem uma frase excelente sobre reputação: "Leva-se 20 anos para construir a reputação de uma empresa e 5 minutos para perdê-la". Pois é, nessa toada, tardaremos mais de duas décadas para recuperar a confiança, se conseguirmos. Sochi está aí para não me desmentir.