OPINIÃO
19/05/2014 15:42 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

'Estive na Arena Corinthians com o coração e a razão' (FOTOS) (VÍDEO)

Fazer parte da inauguração oficial do estádio alvinegro é o sonho de qualquer torcedor. Eu me juntei a dois amigos para sentir o gosto com o coração e ver a real condição da arena com a razão. O saldo foi positivo.

O Corinthians não entrou em campo ontem, mas a partida contra o Figueirense (derrota por 1 a 0, em jogo fraco) serviu de primeiro e único teste de sua arena até a abertura da Copa do Mundo, no dia 12 de junho. É fato que falta muito por acabar e o que será entregue amanhã à Fifa está aquém do esperado. Mas a Fiel pôde experimentar como será sua nova rotina daqui pra frente. Após o Mundial, todos os caminhos levarão a Itaquera.

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Fazer parte da inauguração oficial do estádio alvinegro é o sonho de qualquer torcedor. Eu me juntei a dois amigos para sentir o gosto com o coração e ver a real condição da arena com a razão. Partimos da Estação da Luz, na região central da capital paulista, rumo à Zona Leste em um trem expresso da CPTM (sem parar nas estações Brás e Tatuapé), no começo da tarde. Embora a sinalização de placas internas na estação seja confusa (e imagino que os turistas estrangeiros sofrerão com isso), em vinte minutos chegamos ao ponto final com tranquilidade e sem empurra-empurra. "Realmente, foi acima da expectativa. Viemos muito rápido", comentou José Henrique Teperman, consultor financeiro, de 37 anos.

A estação Corinthians-Itaquera está integrada a um shopping e fomos comer em sua praça de alimentação antes do início do jogo. Deu para perceber que muita coisa mudará na vida do centro comercial, a partir do último domingo. Além de um aumento no consumo de alimentos e serviços, cânticos foram entoados pela torcida gerando estranhamento para aqueles que só passeavam pelos corredores. Me fez lembrar da invasão no Japão, durante o Mundial de Clubes de 2012.

Da estação ao estádio, há um percurso de quase um quilômetro a pé. Muita confusão para saber exatamente onde estava cada portão e para que lado seguir. De fora, se notava as arquibancadas provisórias inacabadas, passarelas e algumas estruturas sem acabamento. "Enfim, só falta o estádio ficar pronto", ironizou Marcelo Aliperti, engenheiro, de 36 anos. Por outro lado, era visível a emoção nos rostos dos torcedores. Se ouvia os comentários sobre a beleza do estádio, de sua modernidade, de que não se trata de Itaquerão e, sim, de uma mansão.

Na área destinada à imprensa, me portei com a razão de minha função ali, de avaliar tudo o que poderia ao meu alcance. Todo mundo junto e misturado (imprensa escrita, televisiva e sonora). Um atrapalhando o outro, sem querer. A acústica é sensacional e botará pressão em cima dos adversários. Já o sistema de som tinha zumbidos que atrapalharam o entendimento. Com a chuva, as goteiras apareceram. E coitados de parte dos torcedores em setores mais populares e caros que, sem a cobertura finalizada, levaram muita água na cabeça. Sanduíches de pernil vendidos a R$ 8 e o locutor oficial pedindo para que nada fosse danificado também participaram da festa.

Oficialmente, o COL (Comitê Organizador Local) conseguiu testar aspectos de 12 áreas funcionais do estádio visando a Copa, entre segurança, voluntariado, limpeza, protocolo, serviços médicos. O que ficou devendo foi a operação de telefonia no estádio. O sistema sem fio da área de imprensa oscilava muito e, fora do estádio, não havia sinal, nem 3G, 4G. Em conversa com alguns jornalistas internacionais, de equipes que vieram da Finlândia, Inglaterra, China, Japão, Estados Unidos, Espanha, etc, ficou evidente que as críticas devem ressoar pelos quatro cantos do planeta bola.

Após a partida, com a noite já imponente, faltou iluminação para que torcedores transitassem sem problemas de volta para casa. A saída dos mais de 36 mil presentes foi conturbada. Orientadores, com suas lanternas sinalizadoras vermelhas, tentavam facilitar o tráfego. O retorno de trem foi um pouco turbulento pois, claro, todos saíram ao mesmo tempo. Com os vagões cheios e parando nas duas estações, o trajeto durou 30 minutos. Nada de tão complexo. Aliás, em menos tempo do que as vias entupidas de carros no entorno do Morumbi.

Ao final, o saldo positivo ficou por conta do transporte. Infelizmente, cumpriram menos do que o prometido. Pronto 100%, o estádio deverá ficar somente no Paulista de 2015. E o trajeto antigo para o Pacaembu vai esmorecer aos poucos das mentes dos torcedores.

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