OPINIÃO
22/07/2014 15:44 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Dunguinha paz e amor

A volta de Dunga ao comando da Seleção é condizente ao momento que o esporte mais amado do país passa: de resgatar o prestígio e de comprometimento coletivo. Nada melhor do que um técnico linha dura para a missão.

Buda Mendes via Getty Images
RIO DE JANEIRO, BRAZIL - JULY 22: Carlos Dunga is introduced as the new coach of the Brazilian national football team during a press conference at the Brazilian Football Confederation - CBF headquarters on July 22, 2014 in Rio de Janeiro, Brazil. (Photo by Buda Mendes/Getty Images)

A volta de Dunga ao comando da Seleção Brasileira de futebol, anunciada oficialmente em coletiva de imprensa realizada hoje, na sede da CBF, no Rio de Janeiro, é condizente ao momento que o esporte mais amado do país passa: de resgatar o prestígio e de comprometimento coletivo. Nada melhor do que um técnico linha dura para a missão.

No entanto, ao contrário de sua primeira passagem pela Seleção (de 2006 a 2010), quando teve vários atritos com a imprensa e arranca-rabos com a toda poderosa TV Globo, Dunga se mostrou mais flexível, aberto ao aprendizado. "Sei que eu tenho de melhorar no contato com as pessoas, com os jornalistas. Talvez na primeira passagem, por ser oriundo do futebol e por não ter tido experiência anterior como treinador, tenha focado demais dentro de campo. Sobre os resultados dentro de campo eu não preciso falar muito, mas preciso aprimorar meu relacionamento com a imprensa, o que é normal. É meu mea culpa", disse ele em pronunciamento inicial.

Pois é, parece que o sisudo gaúcho refletiu realmente no período em que esteve afastado do futebol. Vamos aguardar, porém, os próximos capítulos. Durante a entrevista, Dunga flertou com um primeiro entrevero ao ser mais ríspido em dizer que não tinha de ficar olhando diretamente ao emissor da pergunta. E foi rebatido pelo repórter que afirmou se tratar de uma educada atitude. Dunga procurou fazer uma piadinha para quebrar o gelo, embora tenha ficado claro que não é o seu forte. Nada de mais, na verdade. O tempo e a sabedoria adquirida acalmaram o velho capitão do Tetra.

Os números de Dunga são muito bons (em 60 partidas, teve 42 vitórias, 12 empates e 6 derrotas, conquistando a Copa América 2007 e a Copa das Confederações 2009), é inegável. E seu jeitão carrancudo e motivador pode colocar nos trilhos uma geração de jovens jogadores talentosos, que tanto sofreu nesta Copa com o desequilíbrio emocional e a preocupação com as redes sociais (sem falar dos cortes de cabelo). Dunga também citou planejamento. É o mínimo depois do fracasso diante da organizada Alemanha. Será quase impossível recuperar a honra em cima dos alemães com uma vitória de mesmo placar, e em uma semifinal de Mundial. Mas era impossível o retorno de Dunga no escrete canarinho e ele aconteceu.

O torcedor está ferido, com o ego nas profundezas do abismo. O ex-volante já viveu algo parecido quando ainda era jogador, com sua Era finalizada, em 1990. Se reergueu e ergueu a taça nos Estados Unidos, quatro anos depois. Como técnico, após a balada que Parreira capitaneou em 2006, ele demonstrou ser capaz de restaurar o orgulho do futebol brasileiro. Ele conhece do assunto. Claro que há ceticismo. É ver para crer.

O primeiro embate está marcado, dia 5 de setembro, contra a Colômbia (a mesma das quartas de final da última Copa), em Miami. E o treinador brasileiro já alertou: "Temos um esboço, mas o torcedor me conhece. Eu não vou vender um sonho, e sim a realidade. A realidade precisa de trabalho".

Sem responsa

Acredito que, assim como foi a substituição de Mano por Felipão na Seleção, no final de 2012, os inseparáveis 'presidentes' de CBF José Maria Marin e Marco Polo Del Nero tiraram a responsabilidade das costas. Apostar em um novo nome não é do feitio de ambos, velhos cartolas do esporte bretão. Melhor garantir o pescoço e colocar alguém tarimbado na linha de frente para aguentar a pressão. Vai que a opinião pública cai matando na cúpula diretiva, né?!

Com relação a Gilmar Rinaldi na função de coordenador de seleções da CBF, que assumiu a posição negando conflito de interesses por ter sido agente Fifa (empresário de jogadores), também é preciso dar um voto de confiança. No meio do futebol, Gilmar sempre foi muito respeitado.

Agora, só falta aprovar a Lei de Responsabilidade Fiscal no Esporte, com as alterações nos métodos de fiscalização e punição (protegendo mais o atleta), aprimorar o calendário nacional de futebol (criando mais séries competitivas e torneios para times de pequeno e médio portes), investir na capacitação de técnicos e árbitros, melhorar a infraestrutura das categorias de base dos clubes e inibir a exportação desenfreada de jogadores jovens para o exterior que estamos no caminho certo. Só isso.

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